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Crítica | O Cão que Não se Cala – Jornada em tons de cinza

Qual o limite de eventos que um ser humano aguenta em sequência? O Cão Que Não Se Cala, filme argentino presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é uma jornada no inimaginável a partir de um ponto de vista.

Sebastián está levando a vida como pode. Seus vizinhos não aturam seu cachorro que late o dia todo, seu trabalho não tolera animais, sua mãe está para se casar, e ainda tem uma situação que pode mudar não só sua vida como o mundo. É complicado colocar todos os acontecimentos sem entrar no território de spoilers, mas todos ajudam na escada de eventos para que o protagonista enfrente novos desafios.

Como naquelas gincanas em que cada fase é um aparelho mais complicado que o outro, Ana Katz elabora o filme em cada situação com um estilo diferente de contar. No começo, quando estamos conhecendo a rotina de Sebastián, tudo fica no tripé (leia-se, estabilizado) e os personagens que entram e saem dos planos. Já após o primeiro acontecimento, podemos perceber que Katz abre mais a trama para o espectador colher o que quiser.

Talvez esse seja o melhor ponto dessa jornada que realizamos ao lado do protagonista. Filmado em preto e branco com pouca trilha, o filme deixa que o público faça parte da sua construção. Em momentos me peguei rindo de situações que podem ser sérias para outros, e até me identifiquei em certos pontos no qual ficou claro não passar de um exagero. Contudo, o filme se perde em seus grandes pulos temporais. São aproximadamente dez anos de trama reduzidos em pontos fundamentais.

Daniel Katz consegue empinar o papel de Sebastián como uma pipa. Quando falta linha, ele entrega, e quando o vento para, cai. Suas diversas caracterizações, através de estilos de cabelos e barbas ajudam a manter a geografia de quantos dias ou anos se passaram. Mas quando Katz não tem uma situação para trabalhar, apenas um momento para conhecermos o personagem melhor, de nada ele oferece.

Entre as frustrações de ser um filme bonito e ao mesmo tempo uma construção de personagem, O Cão Que Não Se Cala poderia ter focado em ser na verdade uma grande obra cômica sobre a vida adulta e suas responsabilidades.

O Cão que Não se Cala (El Perro que No Se Calla, Argentina – 2021)

Direção: Ana Katz
Roteiro: Ana Katz e Gonzalo Delgado
Elenco: Daniel Katz, Julieta Zylberberg, Carlos Portaluppi, Susana Varela, Renzo Cozza, Valeria Lois
Gênero: Drama
Duração: 73 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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