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Crítica | Olhando para as Estrelas – A beleza humana

Olhando para as Estrelas, do cineasta Alexandre Peralta, começou como um curta-metragem de trinta minutos, centrado na figura de Geyza Pereira

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
8 de novembro de 2017 · 3 min de leitura
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Crítica | Olhando para as Estrelas – A beleza humana

Olhando para as Estrelas, do cineasta Alexandre Peralta, começou como um curta-metragem de trinta minutos, centrado na figura de Geyza Pereira, a principal bailarina da única companhia de Ballet do país para deficientes, a Fernanda Bianchini – Cia Ballet de Cegos (AFB), uma referência mundial no assunto. Bem-sucedido em festivais e premiações, o projeto se transformou, nos anos seguintes, em um longa-metragem homônimo, também centrado na mesma figura, mas cuja estrutura alterna o dia-a-dia de Geyza com o de Thalia Macedo, uma jovem que ainda está no Ensino Fundamental e dá os primeiros passos – literalmente – naquela que pode ser a sua profissão no futuro.

Comovente em muitos momentos, Olhando para as Estrelas chama a atenção pela segurança e precisão com que Peralta lida com a questão delicada da cegueira. Altamente dramático, o tema poderia facilmente ser retratado de maneira grandiloquente e melodramática, produzindo um retrato que não condiz com as intenções do cineasta neste seu longa de estreia, que são muito mais calcadas no naturalismo, na organicidade do cotidiano e, principalmente, no lirismo. Na maior parte do tempo, a impressão é a de que o diretor é um elemento invisível nos ambientes, com a exceção das cenas em que alguém dança especialmente para a câmera (as danças de Geyza no meio de um viaduto são de uma poesia irresistível).

Nesse sentido, a decisão de acompanhar as duas bailarinas é essencial, uma vez que, se tivesse optado por filmar apenas Geyza, Peralta faria com que a narrativa se afastasse demasiadamente desse caráter naturalista, resvalando para um triunfalismo incompatível com a mensagem de força humana. Trocando em miúdos, ao colocar uma garota no início de sua vida, enfrentando os primeiros desafios de uma existência que promete ser sempre difícil, o cineasta impediu que o seu filme se transformasse na trajetória de sucesso de uma única pessoa. Em verdade, foi pelo caminho contrário: o da representação de um coletivo. Além disso, criou um duplo interessante, em que a jovem reflete na imagem da bailarina mais velha um ideal de vida, ao passo que esta vê na primeira parte de sua história.

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Deste modo, o jovem diretor compôs uma narrativa dupla, em que tanto o caminho percorrido quanto o objetivo atingido são abordados paralelamente, produzindo efeitos e reações diferentes e, talvez mais importante do que tudo, mostrando que cada etapa do desenvolvimento biográfico de uma pessoa é vital, não importando o nível de dificuldade. Uma vitória é sempre uma vitória. Não é à toa que Peralta faz questão de acompanhar a gravidez e os meses iniciais de maternidade de Geyza. Ver as duas bailarinas – e as outras que aparecem em alguns momentos – encarando todos os desafios da vida é testemunhar a coragem do ser humano.

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Olhando para as Estrelas (Idem, Brasil – 2017)

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Direção: Alexandre Peralta
Roteiro: Alexandre Peralta e Melissa Rebelo Kerezsi
Elenco: Geyza Pereira, Thalia Macedo, Fernanda Bianchini, Sandra Macedo, César Albuqerque
Gênero: Documentário
Duração: 90 min

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Tags: #Cinema #crítica #Documentário #Filme
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