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Crítica | Praça Paris – Conflitos de Realidades

Praça Paris é um dos filmes nacionais mais poderosos deste ano. Apesar dos problemas da sua estrutura

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
28 de outubro de 2017 · 3 min de leitura
Crítica | Praça Paris – Conflitos de Realidades

*Este filme foi visto na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

A violência do Rio de Janeiro é um tema frequente há alguns anos na filmografia brasileira, principalmente na relação de violência entre os membros de comunidades pobres e a polícia. Mas como dizia o crítico Roger Ebert: “não importa sobre o que é o filme, mas sobre o que ele é sobre o determinado assunto”. Nesse ponto, Praça Paris, da diretora Lucia Murat se mostra um interessante estudo social sobre a situação.

O filme se foca na relação de duas mulheres: Glória (Gracê Passos) e Camila (Joana de Verona). A primeira é uma negra de meia idade que vive na favela, já acostumada com uma terrível realidade em que a violência é uma rotina, enquanto a segunda é uma jovem psicóloga portuguesa. Glória é a sua paciente e trabalha como ascensorista na mesma faculdade em que Camila estuda. Esta mora há pouco tempo no Rio de Janeiro e vai pouco a pouco entendendo como o preconceito e a ignorância são comuns no cotidiano.

O importante no roteiro de Lucia Murat e Raphael Pontes é que não se trata de um filme de trama. Embora tenha uma que leva o filme, as vidas dessas mulheres e principalmente a relação entre elas é que servem para abrir discussões sobre preconceito, hipocrisia, medo e abuso de poder. E Praça Paris fala desses temas de maneira crua, evitando mensagem panfletária ou algum otimismo quanto a eles. Além de mostrar como essas personagens têm um lado escondido, como o preconceito por parte de Camila com os favelados que via crescendo junto com o seu medo e um lado perverso por parte de Glória, que vai se revelando, apesar de ser uma personagem que consegue fazer com que o espectador crie um laço emotivo.

Aliás, um dos problemas do filme está na frieza dele, deixando que demore para que nos importamos com as protagonistas e seus dramas e afastando o espectador. Além do longa ter problemas de estrutura, sendo em alguns momentos desnecessariamente esquemático e arrastado, principalmente no terceiro ato. Isso acaba prejudicando a direção de Lucia Murat, que é precisa e muito elegante. A diretora cria quadros que mesmo sendo esteticamente bonitos, há uma dor presente neles. Além de criar ótimas rimas criativas, como a janela do consultório de Camila que vai ficando cada vez mais escura enquanto aumenta o seu medo pela situação e o clima entre as duas vai se tornando mais tenso.

Falando nas atrizes, temos duas atuações poderosas, que merecem ser lembradas no final do ano. Interessante que são duas atuações que partem do minimalismo, mas vão mudando ao decorrer do filme. Joana de Verona cria uma atuação mais intensa, na qual vemos, através da composição corporal, todo o seu medo e tensão. Enquanto Grace Passô se mostra uma força descomunal, parece que a câmera persegue a atriz e todas as cenas ele mostra uma presença muito forte e um olhar expressivo que expõe toda a alma da personagem. É um trabalho magistral de Passô.

Praça Paris é um dos filmes nacionais mais poderosos deste ano. Apesar dos problemas da sua estrutura, é um filme que tem muito a dizer, além de trazer atuações magníficas por conta das suas protagonistas.

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Praça Paris (Idem – Brasil, Portugal e Argentina, 2017)

Direção: Lucia Murat
Roteiro: Lucia Murat e Raphael Montes
Elenco: Grace Passô, Joana de Verona, Babu Santana, Alex Brasil, Marco Antonio Caponi e Digão Ribeiro
Gênero: Drama
Duração: 110 minutos

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Tags: #cinema brasileiro #Portugal #Preconceito #psicologia #Violência
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