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Crítica | Um Herói – Um exemplar de humanismo

Humanismo se tornou raro hoje em dia e ao esbarrar por ele, é algo digno de reconhecimento. Um Herói, novo filme de Asghar Farhadi, presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é uma aula sobre a mentalidade do século 21.

É complicado pedir para uma pessoa entrar no cinema e levar lição de moral, mas Farhadi consegue fazer de uma maneira didática e sem falhas. Dessa vez, por conta do assunto sensível, optou por não entregar participações na construção da história. Os espectadores precisam digerir o ocorrido, suas consequências, e caso optem por criar uma outra vertente para a solução dos problemas de Rahim, deve usar a si próprio.

Rahim, brilhantemente interpretado por Amir Jadidi, é um homem preso devido a uma dívida. Nos seus 2 dias de folga, acaba lidando com uma bolsa que não lhe pertence, mas contém dinheiro o suficiente para lhe tirar do apuro. Ao seu lado está sua irmã, seu cunhado, o filho gago e sua namorada, que achou a bolsa. Entretanto, a moralidade de Rahim fica em xeque e este decide buscar a verdadeira dona.

Não se preocupe, o importante não é saber essa parte da história, mas sim a consequência construída como uma torre a partir da decisão de Rahim.

Jadidi decide ir pelo caminho mais difícil na hora de interpretar uma personagem desses, utilizando sua linguagem corporal como real opinião. São diversos os momentos que verbalmente chegamos a sentir vergonha alheia, mas quem expressa humildade não tem destreza em equilibrar o que falam com o que faz. Farhadi usa muito bem de momentos chave onde sabemos o que o personagem está sentindo, mas ele recusa em admitir.

Também fica com uma grande parcela do resultado positivo o elenco de apoio. Quando falei acima sobre usar-se como exemplo para maiores reflexões da história, é justamente pela família, costumes locais e histórico. Aqui Rahim tem de tudo um pouco, para lhe ajudar e atrapalhar. O filho gago é um problema para a sociedade até se tornar um símbolo da integridade de um pai em cuidar de uma criança com dificuldades na fala.

A irmã e o cunhado são bem coadjuvantes e há um espaço saudável entre eles, algo que não deixa gritante as cenas de apoio. Não precisa sair falando “família” à la Vin Diesel. O público sabe.

Sahar Goldust, que faz o papel da namorada secreta Farkhondeh, tem duas cenas importantes para compreender melhor a história. É ela quem caminha sobre os acertos e falhas do que significa ser um humano, com sentimentos e pré-julgamentos. A compreensão do sistema crítico do momento atual.

Um Herói é o tipo de filme que lhe dá um sermão, pede que compreenda os fatos. Mesmo assim, não duvide que ainda terá quem diga: mas ele precisava devolver?

Um Herói (Ghahreman, Irã – 2021)

Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Amir Jadidi, Mohsen Tanabandeh, Fereshteh Sadre Orafaiy, Sarina Farhadi
Gênero: Drama
Duração: 127 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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