Cinema

Elize Matsunaga ganhou dinheiro com o filme da Netflix?

Elize Matsunaga não participa do novo filme da Netflix e não há registro de pagamento pela adaptação.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Sucesso global reacende dúvida sobre pagamento à condenada

Elize: Sombras de Uma Mulher chegou ao topo do catálogo da Netflix em 49 países e trouxe de volta um dos casos criminais mais comentados do Brasil. O longa dramatiza a trajetória de Elize Matsunaga, do início do relacionamento com o empresário Marcos Matsunaga até o assassinato dele, em 2012, misturando fatos reais com cenas de ficção.

Com a repercussão do filme, voltou à tona uma pergunta recorrente entre o público: Elize recebeu algum valor da Netflix para ter sua história adaptada. A dúvida não é nova, mas ganhou força porque a obra atual é ainda mais ousada ao imaginar situações que nunca foram confirmadas pela investigação.

Não há registro de pagamento pelo novo filme

Elize não participa da produção atual. Diferentemente do documentário anterior, o longa foi construído sem entrevistas com ela, a partir de material de imprensa e do julgamento do caso. Até o momento, não existe qualquer indício público de que a Netflix tenha pago algo a ela pela adaptação.

A plataforma também não se manifestou oficialmente sobre a existência de um acordo financeiro ligado ao filme. Consultada pela imprensa, a Netflix optou por não comentar o assunto, o que é comum em produções baseadas em casos reais e ainda sensíveis do ponto de vista jurídico.

Por que a lei brasileira dificulta esse tipo de pagamento

Produções de ficção inspiradas em fatos de interesse público não dependem de autorização da pessoa retratada nem geram obrigação de pagamento por parte do estúdio. O caso de Marcos Matsunaga foi amplamente coberto pela imprensa na época, o que enquadra a história nesse tipo de uso permitido.

Existe ainda uma barreira legal específica para o caso de Elize. A legislação brasileira impede que uma pessoa condenada obtenha vantagem econômica ligada diretamente ao crime que cometeu, o que fecha o caminho para qualquer cachê vinculado à exploração comercial dessa história.

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O precedente do documentário de 2021

A mesma pergunta já havia surgido quando a Netflix lançou o documentário Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime. Na ocasião, Elize participou diretamente, concedendo cerca de 21 horas de entrevistas ao longo de uma negociação que durou 18 meses.

A jornalista Thaís Nunes, idealizadora do projeto, e a equipe de produção negaram publicamente qualquer remuneração. Segundo elas, a condição de não pagamento fez parte do acordo desde o início, e o principal argumento para convencer Elize a participar foi pessoal: deixar registrada sua versão dos fatos para a filha, que tinha seis meses quando o pai foi assassinado.

O que Elize de fato recebeu após o crime

Apesar de não haver cachê pelos projetos audiovisuais, Elize ficou com uma quantia relevante após a morte do marido. Ela recebeu cerca de R$ 900 mil em bens referentes à meação do patrimônio construído durante o casamento, valor definido judicialmente e sem relação com os direitos de imagem ou de história.

Hoje ela cumpre pena em regime aberto e também foi retratada na série Tremembé, lançada em 2025, que mostrou seu convívio na prisão ao lado de outras condenadas conhecidas, como Suzane von Richthofen.

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