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Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake Demo – Minhas Impressões

Tecmo Koei entra oficialmente na onda de remasters e remakes, já tendo oferecido aos gamers uma ótima coletânea de Ninja Gaiden anteriormente com Ninja Gaiden Master Collection e o excelente remake Ninja Gaiden 2 Black. Agora é a vez de sua famosa franquia de survival horror receber essa honra com Fatal Frame II: Crimson Butterfly […]

Daniel Tanan
Daniel Tanan Redação
6 min de leitura
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Tecmo Koei entra oficialmente na onda de remasters e remakes, já tendo oferecido aos gamers uma ótima coletânea de Ninja Gaiden anteriormente com Ninja Gaiden Master Collection e o excelente remake Ninja Gaiden 2 Black. Agora é a vez de sua famosa franquia de survival horror receber essa honra com Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake.

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Por que remake desse?

Essa não é a primeira aventura no universo de Fatal Frame, porém certamente é a mais popular e discutivelmente a mais forte entrada da franquia. Apesar de o primeiro jogo sem dúvidas ser muito importante para estabelecer as bases da série, o segundo caiu mais nas graças dos jogadores e se tornou o capítulo mais lembrado quando o assunto é a franquia.

A época em que esses jogos foram lançados também ajuda a explicar seu impacto. Era o auge da chamada era de ouro do survival horror, com franquias como Resident Evil e Silent Hill dominando o mercado e definindo o gênero. Nesse cenário, Fatal Frame conseguiu se destacar justamente por explorar um tipo de horror diferente daquele visto nas outras séries.

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Enquanto Resident Evil apostava no horror biológico e Silent Hill mergulhava no psicológico, Fatal Frame trouxe para os videogames um tipo de terror muito associado ao cinema japonês: o horror espiritual baseado em fantasmas e maldições. Era o mesmo tipo de atmosfera popularizada em filmes como O Chamado (The Ring) e O Grito (Ju-On), que também marcaram profundamente o terror do início dos anos 2000.

E dentro da trilogia original lançada no PlayStation 2, Fatal Frame II é provavelmente o jogo que melhor sintetiza essa identidade. Sua história melancólica, a ambientação da vila abandonada e a relação entre as irmãs protagonistas ajudaram a transformar o título em um dos survival horrors mais queridos daquela geração.

O Retorno à Vila

Ao abrir a demo, percebi imediatamente o salto visual. Os gráficos estão muito melhorados, como se espera de um remake moderno, mas o mundo do jogo continua extremamente reconhecível para quem jogou o original.

A vila onde a história acontece, Minakami Village, também conhecida como A Vila Perdida retorna aqui com uma nova roupagem visual, mais detalhada e atmosférica. As casas abandonadas, os templos antigos e as ruas cobertas pela névoa continuam presentes, mas agora com iluminação dinâmica, texturas mais ricas e um nível de detalhe que ajuda a intensificar ainda mais a sensação de isolamento e mistério.

Esse cuidado faz com que o remake consiga agradar dois públicos ao mesmo tempo: os veteranos que guardam memórias muito fortes do jogo original e os novos jogadores que talvez nunca tenham tido contato com a série.

O nível de excelência com que esse remake revive um clássico pode até ser comparado, em certa medida, ao que a Capcom fez com seus Resident Evil modernos ou ao que a Konami vem tentando fazer com o retorno de Silent Hill. No entanto, onde eu mais percebo mudanças até agora não é necessariamente nos gráficos, mas sim no gameplay.

Camera Obscura

Algo que se destacou logo nos primeiros minutos foi a câmera do jogo. O original possuía câmera fixa, assim como outros clássicos do gênero naquela época. Esse estilo era muito comum nos survival horrors do início dos anos 2000, mas acabou ficando datado com o passar do tempo.

Essa abordagem começou a mudar dentro da própria franquia apenas com o quarto jogo da série, Fatal Frame IV: Mask of the Lunar Eclipse, lançado originalmente para o Wii.

Agora, no remake de Fatal Frame II, a câmera foi reposicionada para uma perspectiva sobre o ombro, muito semelhante ao que vemos em jogos como Resident Evil 4 ou The Last of Us. Essa mudança já traz o gameplay para um tom bem mais moderno e torna a exploração da vila mais imersiva.

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Entre as novas mecânicas que aparecem logo no início da demo, uma das que mais chama atenção é a possibilidade da protagonista Mio segurar a mão de sua irmã, Mayu. Isso não é apenas um gesto fofo entre as duas personagens — que já possuem uma relação central na narrativa — mas também tem uma função mecânica importante.

Ao caminhar de mãos dadas com Mayu, Mio pode recuperar lentamente sua vida sem precisar utilizar itens de cura. É uma mecânica interessante que reforça o vínculo entre as duas personagens. Porém, os veteranos da série sabem que o uso dessa mecânica tende a ser limitado, já que Mayu tem o péssimo hábito de desaparecer nos momentos mais inconvenientes.

O combate continua funcionando de maneira bastante fiel ao clássico. A protagonista utiliza a famosa Camera Obscura, uma câmera especial capaz de capturar e exorcizar espíritos. Para derrotar os fantasmas, o jogador precisa enquadrá-los corretamente e tirar fotos no momento certo.

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Dependendo de quão bem você enquadra o espírito na lente, maior será o dano causado. Em muitos casos, o momento ideal para tirar a foto é justamente quando o fantasma parte para o ataque, permitindo realizar um tipo de contra-ataque fotográfico que causa muito mais dano.

Caso Mio falhe nesse timing, o fantasma pode agarrá-la, obrigando o jogador a lutar para se desvencilhar. Isso consome a barra de força de vontade, um recurso importante que também é gasto ao correr ou fugir.

Esse detalhe torna algumas decisões bem estratégicas. Nem sempre vale a pena enfrentar todos os inimigos. Às vezes fugir pode parecer a melhor opção — mas isso também tem um custo. Essa tensão constante entre lutar ou escapar é um dos elementos que sempre definiram o gameplay da série, e aqui parece até mais presente do que no original.

De resto, o jogo ainda se assemelha bastante àquele que conhecemos. Muitos itens continuam os mesmos, incluindo os medicamentos que precisam ser administrados com cuidado e os diferentes tipos de filme que podem ser equipados na Camera Obscura para causar mais dano aos espíritos.

Tudo isso acontece enquanto exploramos cenários extremamente macabros e atmosféricos, com casas abandonadas, corredores escuros e aquela sensação constante de que algo pode surgir atrás de você a qualquer momento.

Conclusão

Eu não poderia estar mais ansioso para jogar este remake de um dos meus jogos favoritos da era do PlayStation 2.

Sem dúvidas é um título que vai ativar a nostalgia de muitos veteranos, ao mesmo tempo em que pode surpreendê-los com novas mecânicas e melhorias de gameplay. Mais do que isso, ele também serve como uma excelente porta de entrada para novos jogadores que talvez nunca tenham experimentado Fatal Frame.

Se o restante do jogo mantiver a qualidade apresentada nessa primeira demonstração, estamos diante de um retorno extremamente promissor para uma franquia que sempre mereceu mais atenção no gênero de survival horror.

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Recomendadíssimo tanto para fãs antigos quanto para aqueles que estão começando agora a se aventurar no terror nos videogames e procuram excelentes títulos para explorar.

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