Fornecedora de cartuchos da Nintendo vai abandonar a produção de memória ROM
Saída da Macronix pode acelerar os Game-Key Cards no Switch 2. A ROM caiu para 5% das vendas da empresa.
Os cartuchos físicos da Nintendo acabam de perder um dos seus pilares. A taiwanesa Macronix, uma das principais fabricantes dos chips de memória ROM usados nos cartões de jogo do Switch e do Switch 2, decidiu sair desse mercado. A empresa não vai desenvolver novos produtos ROM e passará a direcionar sua capacidade para outros tipos de memória.
A notícia foi revelada por David Gibson, analista sênior da consultoria MST Financial, a partir da mais recente teleconferência de resultados da Macronix. Segundo ele, o terceiro trimestre de 2026 foi o último em que a companhia divulgou separadamente as vendas de ROM.
Um negócio que encolheu rápido
Os números ajudam a entender a decisão. A ROM respondeu por apenas 5% das vendas da Macronix no terceiro trimestre, contra 26% no mesmo período do ano passado, uma queda de 39% na comparação anual. De acordo com o presidente da empresa, a capacidade de produção é limitada e será dedicada às memórias NOR e eMMC.
O plano de investimentos confirma a mudança de rota. Nenhuma parte dos 37,8 bilhões de dólares taiwaneses previstos em novos aportes vai para a ROM. Todo o dinheiro será aplicado em memórias eMMC e NAND, segmentos com demanda bem mais aquecida.
A Macronix acompanha a Nintendo há várias gerações de consoles portáteis e híbridos, o que torna a saída especialmente simbólica para quem ainda prefere colecionar jogos em caixa.
Os cartuchos vão acabar?
Não de imediato. A Nintendo também compra chips da Rohm, por meio da subsidiária Lapis Semiconductor, antiga Oki Semiconductor. O próprio Gibson acredita que os cartões físicos devem continuar existindo por um bom tempo. Há, inclusive, quem aponte que os cartuchos do Switch 2 já dependem principalmente da Rohm, e que o impacto maior recairia sobre os jogos do primeiro Switch.
Ainda assim, perder um fornecedor importante pressiona uma cadeia que já anda apertada e pode encarecer a produção. Para o analista, o cenário tende a empurrar mais editoras, incluindo a própria Nintendo, para os Game-Key Cards. Esses cartões vêm na caixa, mas guardam apenas uma chave que libera o download do jogo, sem o conteúdo completo.
O formato é um dos mais criticados pelos fãs desde o lançamento do Switch 2, em junho de 2025. Além de esvaziar o sentido da mídia física, ele obriga o jogador a ocupar o armazenamento interno do console, que já é disputado.
O efeito dominó da crise das memórias
A Macronix não citou o motivo diretamente, mas o movimento acompanha a crise global de memória e armazenamento provocada pela corrida da inteligência artificial. Gigantes de tecnologia estão comprando volumes enormes de chips para seus data centers, e os fabricantes passaram a priorizar esses clientes corporativos, mais lucrativos.
A Nintendo já sentiu o golpe. Em setembro, o Switch 2 ficou mais caro no mundo todo. Nos Estados Unidos, o preço subiu de US$ 449,99 para US$ 499,99. No Brasil, o valor sugerido passou de R$ 4.499,90 para R$ 4.599,90. A empresa atribuiu o reajuste às mudanças nas condições de mercado, em especial ao custo dos componentes.
O avanço do digital também pesa na conta. As vendas digitais já superam 60% do faturamento da Nintendo com software, embora o número oscile conforme os grandes lançamentos. Com a saída da Macronix, a tendência é que essa fatia cresça ainda mais.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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