Review | Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen acerta no conteúdo, mas não corrige falhas antigas
Dark Arisen entrega uma região gelada riquíssima e uma história melhor, mas repete os mesmos problemas de combate do jogo original.
Dragon’s Dogma 2 estreou em 2024 como um RPG de ação cheio de ambição, apoiado num sistema de companheiros muito elogiado pela crítica. Ainda assim, o combate dividiu a recepção do público, e muita gente ficou com a sensação de ter visto apenas uma fração do que o jogo poderia ter oferecido.
Dois anos depois, a Capcom tenta fechar essa lacuna com Dark Arisen. O lançamento é nesta quinta-feira, 8 de outubro, simultâneo para PS5, Xbox Series X|S, Switch 2 e PC, com preço de R$ 242,50 na versão para PC. Dono do jogo base consegue adicionar a expansão à biblioteca sem precisar comprar nenhuma edição especial.
Uma nova terra, um clima hostil
Norgan impõe seu próprio tom visual desde a primeira missão. Gelo, ventania e uma paisagem praticamente deserta de vida substituem o verde e a aridez que caracterizam o restante do continente, criando uma sensação de isolamento que a série ainda não tinha explorado dessa forma.
A arma mais traiçoeira do clima são as nevascas repentinas. Durante elas, a visibilidade despenca a ponto de dificultar a leitura do terreno, e ficar exposto por tempo demais começa a cobrar um preço físico, o que obriga o jogador a procurar abrigo ou recorrer a algum item que ajude a aguentar o frio.
Dentro de Norgan existe um povoado que funciona como refúgio em meio a tanta hostilidade. É o lugar ideal para recuperar o fôlego, cozinhar uma refeição, repor suprimentos e descobrir novas tarefas antes de voltar à exploração.
Uma figura misteriosa e um dragão à solta
A trama de Dark Arisen tem no centro a chegada de Eir, ligada ao ciclo dos Nascens, e a ameaça de um dragão corrompido que aterroriza a região. Com menos personagens para acompanhar do que na campanha principal, fica mais fácil se apegar a quem protagoniza essa parte específica da história.
O roteiro não reinventa a forma como a série conta suas histórias, e ainda existem lacunas na maneira como alguns acontecimentos são explicados. Mesmo assim, é perceptível um cuidado maior com o ritmo da narrativa se comparado à trama principal, que às vezes atropelava desenvolvimentos importantes em nome da política entre os reinos.
O novo sistema de relíquias muda a caça por equipamentos
A exploração de Norgan trouxe outra novidade interessante: peças de equipamento sem identificação aparecem como recompensa de combates e só depois são entregues a uma personagem específica, capaz de revelar o que cada uma delas realmente é.
Não existe garantia sobre o resultado dessa identificação. Pode ser um acessório mediano ou uma arma rara o bastante para superar tudo que o Nascen já carrega equipado, e é exatamente essa incerteza que torna cada volta ao NPC responsável pelas relíquias um motivo de expectativa.
Esse ciclo ganha ainda mais força porque os inimigos de Norgan, mesmo os mais comuns, rendem uma quantidade de experiência bem acima da encontrada no restante do mapa, o que acelera o ritmo de evolução de quem encara o frio de frente.
Fast travel sem as amarras do jogo base
A locomoção deixa de ser um obstáculo. Quem reclamava de racionar recursos para se teletransportar agora conta com um item de uso ilimitado assim que pisa em Norgan, além de pontos de viagem bem mais numerosos espalhados pela região.
Essa mudança resolve, de uma vez, um dos incômodos estruturais mais citados por quem jogou a campanha principal. Caminhar pelo mundo volta a ser uma escolha, não uma obrigação imposta pela escassez de recursos.
Doze masmorras novas espalhadas pelo mapa original
A expansão também deixa sua marca fora de Norgan através das Lost Rites, doze masmorras inéditas de desafio variável que aparecem em diferentes cantos de Vermund e Battahl, dando um motivo extra para revisitar áreas já exploradas na campanha principal.
Cada uma impõe sua própria regra de restrição, limitando algo diferente a cada tentativa, seja a quantidade de itens que o grupo pode carregar, seja a presença dos peões durante o percurso. É uma forma simples de evitar que as doze masmorras pareçam cópias umas das outras.
As recompensas incluem armas e armaduras raras com uma origem específica dentro da mitologia da série, além de materiais úteis para evoluir vocações. Passado um certo período, essas masmorras voltam a ficar disponíveis, embora a variação de conteúdo entre uma passagem e outra seja discreta.
O combate continua sendo o calcanhar de Aquiles
Por outro lado, quem esperava mudanças profundas na forma de lutar vai se decepcionar. Nenhuma vocação nova chegou com a expansão, e o arcabouço de combate, inclusive a decisão de não ter mira travada, permanece o mesmo adotado desde o lançamento do jogo em 2024.
A dificuldade mais alta de Norgan torna alguns desses detalhes ainda mais evidentes. Levar uma sequência de golpes seguidos tende a travar o personagem numa animação de recuperação relativamente longa, e isso, somado a peões que às vezes tomam decisões questionáveis em combate, pode transformar um confronto difícil numa fonte real de frustração.
Montar um personagem bem equipado e no nível recomendado resolve boa parte dos combates mais duros de Norgan, o que deixa a execução fina de esquivas e combos num papel secundário no resultado final.
Visual renovado e performance finalmente estável
O salto mais perceptível está nos rostos. Personagens novos e antigos ganharam uma qualidade de modelagem nitidamente superior à vista no lançamento original, um cuidado que fica ainda mais evidente nas cutscenes mais próximas de cada um deles.
Os problemas de desempenho que historicamente perseguiram o jogo também parecem resolvidos. Uma atualização recente já deixou a experiência mais estável de forma geral, e esse ganho técnico não ficou restrito a quem comprou a expansão.
Vale a pena?
Para concluir a questline principal da expansão, a conta fica perto de vinte horas, mas esse total cresce bastante para quem topa se aprofundar nas atividades secundárias de Norgan e enfrentar as doze masmorras extras espalhadas pelo mapa.
Dark Arisen entrega praticamente tudo que fãs de Dragon’s Dogma 2 vinham pedindo desde o lançamento: uma trama mais focada, uma região nova com cara própria, um sistema de loot que realmente prende a atenção e uma locomoção livre das travas que incomodavam antes. É o pacote mais completo que o jogo já teve até aqui.
Resta uma ressalva. Quem já tinha problemas reais com o combate original dificilmente vai encontrar aqui um motivo definitivo para reconciliação. A expansão constrói generosamente sobre a base existente, mas optou por não reformular justamente a parte que mais dividia opiniões.
Esta análise foi feita através de uma cópia para PC gentilmente cedida pela Capcom.