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Review | Tomodachi Life volta ao Switch cheio de criatividade e comédia

Tomodachi Life: Living the Dream. O simulador de vida retorna no Switch 2 com inovações inclusivas, mas sofre com isolamento online.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Depois de um hiato que pareceu durar uma eternidade, a Nintendo finalmente trouxe a sua franquia de simulação mais peculiar de volta à vida. Tomodachi Life: Living the Dream desembarcou no Nintendo Switch 2 mantendo aquela essência caótica que conquistou uma legião de fãs lá na era do 3DS. A premissa básica continua intacta: você é o administrador (e quase um terapeuta) de uma ilha que abriga até 70 Miis, assistindo de camarote a um verdadeiro experimento social.

O título fez o dever de casa ao abraçar o público atual, introduzindo modernizações extremamente necessárias, como relacionamentos do mesmo sexo e identidades não binárias. No entanto, nem tudo é um mar de rosas. Apesar do charme indiscutível e das risadas garantidas, o jogo esbarra em limitações estruturais que impedem essa “vida dos sonhos” de alcançar todo o seu potencial na nova geração de consoles.

A criatividade brilha nas ferramentas de personalização

Se tem um lugar onde Living the Dream realmente acerta em cheio, é na sua oficina de criação. A desenvolvedora injetou uma dose generosa de atualizações no editor de Miis. Além dos ajustes faciais cirúrgicos e de uma paleta de cores muito mais variada, a função de pintura facial transforma a tela sensível ao toque do Switch 2 em um estúdio de desenho incrivelmente prático.

Mas a grande estrela dessa edição atende pelo nome de Palette House Workshop. Essa mecânica eleva o nível da customização da franquia:

  • Controle total do design: Permite desenhar as próprias roupas, comidas e objetos variados para a rotina da ilha.
  • Identidade visual única: Você não molda apenas os moradores, mas a estética inteira do ambiente ao seu redor.
  • Engajamento criativo: A liberdade concedida por essa ferramenta é o grande motor que sustenta grande parte das horas da campanha, compensando a ausência de sistemas de gestão mais complexos.

O caos autônomo e o peso da repetição

O verdadeiro espetáculo de Tomodachi sempre foi o humor involuntário, e aqui a fórmula se repete com força. Os Miis são entidades autônomas e temperamentais: eles conversam, brigam e formam laços românticos independentemente das suas ordens. Como o universo do jogo continua evoluindo mesmo quando o console está desligado, é perfeitamente normal você abrir o jogo e descobrir que dois vizinhos romperam relações por um motivo absolutamente banal.

Na parte urbana, o jogo ganhou corpo, permitindo até certa terraformação para você reorganizar ruas e doze tipos diferentes de edifícios. O problema é que, com o passar das semanas, a repetição cobra o seu preço inevitável. As interações da inteligência artificial começam a entrar em um ciclo vicioso e os veteranos vão sentir o baque ao notar a ausência de pontos de encontro cruciais do passado, como a saudosa sala de concertos, deixando um vazio inexplicável nas opções de lazer da cidade.

Minijogos punitivos e um isolamento inaceitável

Para manter a ilha em harmonia, você precisa resolver problemas e encarar minijogos que, infelizmente, sofreram com um planejamento duvidoso. O maior exemplo de frustração é o minijogo de proposta de casamento: para garantir o noivado, você precisa atirar em pensamentos negativos dentro da cabeça do Mii. A precisão exigida é absurda e, se você errar, o personagem entra em uma depressão profunda que atrasa o desenvolvimento dele por muito tempo.

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Mas o verdadeiro balde de água fria de Living the Dream é a sua barreira de conectividade. Lançar um jogo baseado inteiramente no design visual e no compartilhamento social sem uma rede online decente é uma decisão no mínimo questionável.

A troca de avatares exige que os consoles estejam fisicamente próximos via conexão local sem fio. Quer extrair imagens das bizarrices da sua ilha? Prepare-se para plugar cabos USB de forma manual. Sem uma nuvem integrada para facilitar o intercâmbio de criações, o jogador fica isolado na própria máquina, sendo forçado a recorrer a fóruns de terceiros na internet para compartilhar o seu trabalho.

No fim das contas, Tomodachi Life: Living the Dream é um laboratório virtual divertidíssimo e recheado de carisma. Ele é um prato cheio para quem gosta de ditar os próprios objetivos, mas exige do jogador uma paciência enorme para relevar minijogos não polidos e uma restrição de compartilhamento que parece ter parado no tempo.

Este jogo foi avaliado na versão de Nintendo Switch jogado no Switch 2.

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