Morre Hikaru Kurosaki, o ator que deu vida ao herói Jaspion, aos 64 anos
O herói de uma geração inteira de brasileiros Hikaru Kurosaki morreu na segunda-feira, 29 de junho, em Okinawa, no Japão, aos 64 anos. A confirmação veio de um amigo próximo, Masaki Sekiguchi, através de um comunicado publicado em nome da operadora de mergulho Mother Earth, empresa que Kurosaki fundou e comandava. “Comunicamos, com pesar, o […]
O herói de uma geração inteira de brasileiros
Hikaru Kurosaki morreu na segunda-feira, 29 de junho, em Okinawa, no Japão, aos 64 anos. A confirmação veio de um amigo próximo, Masaki Sekiguchi, através de um comunicado publicado em nome da operadora de mergulho Mother Earth, empresa que Kurosaki fundou e comandava. “Comunicamos, com pesar, o falecimento do Sr. Kurosaki, da operadora Mother Earth, membro da Associação de Mergulho da Cidade de Motobu. Como o Sr. Kurosaki morava sozinho, enviamos este comunicado para informar as empresas e os parceiros do setor”, dizia o texto. A causa da morte não foi divulgada.
Para o público japonês, Kurosaki era uma figura discreta que havia deixado a vida artística décadas atrás. Para gerações de brasileiros que cresceram nos anos 1980 e 1990, ele será sempre o rosto por trás de um dos heróis mais marcantes da televisão nacional.
De dublê a protagonista mundial
Nascido em 31 de janeiro de 1962, em Sakai, na província de Osaka, Seiki Kurosaki, nome de nascimento do ator, começou a carreira ainda adolescente. Fã do ator e dublê Sonny Chiba, entrou para o Japan Action Club aos 16 anos, trabalhando como suit actor, o profissional que veste as fantasias de monstros e robôs típicas do gênero tokusatsu japonês. Ao longo da carreira, participou de produções de peso como a versão japonesa de Homem-Aranha (1978-1979), Battle Fever J (1979-1980), Denshi Sentai Denjiman (1980-1981) e Choudenshi Bioman (1984).
O ápice da carreira veio em 1985, quando Kurosaki conquistou o papel-título de O Fantástico Jaspion, série produzida pela Toei Company entre 1985 e 1986. A trama acompanha um guerreiro celestial encarregado de salvar o universo do vilão Satan Goss, numa mistura de ação, monstros gigantes e robôs que se tornou marca registrada do gênero. No Japão, a série teve sucesso relativo. No Brasil, onde estreou pela Rede Manchete em 1988, se transformou em fenômeno cultural, conquistando gerações inteiras de crianças e se consolidando como um dos tokusatsus mais lembrados da televisão brasileira.
A vida longe das câmeras
No início dos anos 1990, Kurosaki se afastou definitivamente da carreira artística após desentendimentos pessoais com Sonny Chiba, seu mentor e fundador do grupo ao qual pertencia. Em entrevista à revista brasileira Henshin no início dos anos 2000, ele relatou ter tentado abrir um restaurante em Tóquio e ter sido extorquido pela máfia japonesa, episódio que o levou a buscar uma vida mais tranquila e reservada.
A mudança para Okinawa marcou o início de uma segunda vida completamente diferente. Kurosaki se tornou instrutor e guia de mergulho, fundando em 1998 a Mother Earth, escola de técnicas de mergulho marítimo que comandava até os últimos dias. Foi lá que conheceu e se casou com Yuko Asuka, atriz e dublê que interpretou a vilã Farrah em Bioman, série na qual os dois haviam contracenado em 1984. O casal permaneceu junto até a morte dela, em dezembro de 2011.
Um ídolo que preferiu manter distância
Kurosaki nunca fez esforço para cultivar a fama internacional que Jaspion lhe deu, especialmente no Brasil. Ele evitava contato direto com fãs, chegando a episódios desconfortáveis quando admiradores brasileiros tentavam procurá-lo pessoalmente em Okinawa ao longo dos anos. Preferia viver de forma discreta, dedicado ao mergulho e distante dos holofotes que um dia iluminaram sua imagem em armadura dourada.
A notícia da morte gerou forte comoção nas redes sociais brasileiras. “Apesar dele procurar se manter distante, jamais vou rebaixar o excelente trabalho que ele nos deixou! Segue em paz, grande Jaspion!”, escreveu um usuário do X. Para uma geração que cresceu assistindo suas aventuras na TV aberta, Kurosaki deixa um legado que atravessou décadas e continentes, mesmo tendo escolhido, ele mesmo, viver longe de tudo isso.