Olivia Wilde nega briga com Florence Pugh em Não Se Preocupe, Querida
Em entrevista à The Cut, Olivia Wilde nega briga com Florence Pugh e revela que o estúdio a impediu de se defender das acusações em 2022.
Quatro anos de silêncio, uma entrevista de capa
Em setembro de 2022, Não Se Preocupe, Querida chegou aos cinemas com um dos press tours mais caóticos da história recente de Hollywood. Antes mesmo da estreia mundial no Festival de Veneza, o Vulture publicou um relato detalhado de uma suposta briga entre Olivia Wilde e Florence Pugh no set, alimentada por fontes anônimas que descreviam ausências da diretora durante as filmagens por conta de seu romance com Harry Styles. Pugh teria ficado tão insatisfeita que chegou a contatar o então presidente da New Line Cinema para garantir o mínimo de participação na divulgação do filme. O resultado foi um press tour em que a protagonista mal apareceu ao lado da diretora, com o mundo inteiro interpretando cada ausência como confirmação tácita de que algo havia dado muito errado.
Wilde ficou em silêncio. Agora, quatro anos depois, ela contou o motivo.
O que o estúdio mandou ela fazer
Em entrevista de capa à revista The Cut, publicada nesta terça-feira, Wilde foi direta sobre o período. Ela nega que tenha havido qualquer briga a gritos e que tenha se ausentado do set. Mas o mais revelador não é a negação em si, e sim o que veio depois: o estúdio e outras pessoas envolvidas no filme a instruíram explicitamente a não se defender em público. A ordem foi clara e ela a resumiu numa única frase. Wilde disse que ressentiu isso, mas que aprendeu que não é a forma como quer lidar com as coisas no futuro.
Essa revelação muda o enquadramento de tudo que aconteceu em 2022. Na época, o silêncio de Wilde foi interpretado por muita gente como evasão ou como confirmação implícita dos rumores. O que ela está dizendo agora é que havia uma estratégia corporativa ativa para mantê-la fora do debate, independentemente de quão injustas as acusações fossem.
A defesa que veio da equipe, não dela
Enquanto Wilde ficava quieta por determinação do estúdio, foram outras pessoas que tomaram a iniciativa de falar. Em 25 de setembro de 2022, um grupo de 40 membros da equipe técnica do filme assinou uma nota pública negando qualquer incidente no set. O comunicado incluía a produtora Katie Silberman, o diretor de fotografia Matthew Libatique e a figurinista Arianne Phillips, profissionais com nomes e carreiras conhecidas, que assinaram embaixo da afirmação de que Wilde era “uma líder e diretora incrível, presente e envolvida em todos os aspectos da produção”. Libatique descreveu o set como “um dos mais harmoniosos em que já trabalhei”.
A nota foi um gesto raro. Equipes técnicas raramente entram em disputas públicas de relações públicas. O fato de 40 pessoas terem escolhido colocar os próprios nomes num comunicado sugere que o nível de indignação com a narrativa que estava sendo construída era alto o suficiente para que o silêncio parecesse inaceitável.
A analogia que ela usou para descrever o período
Para falar sobre como a imprensa e o público constroem narrativas sobre celebridades, Wilde recorreu a um conselho que recebeu da atriz Jennifer Garner há mais de uma década. A comparação que Garner traçou foi a de uma novela em que o público escala atores para papéis fixos, e uma vez escalado numa vilania, é muito difícil sair dali. Wilde disse que se tornou “a vilã completa. Como a Cruella.” A referência a Cruella de Vil, personagem que existe para encarnar a maldade sem nuances, ilustra a sensação de ter sido reduzida a um arquétipo numa narrativa que ela não escreveu e não pôde contestar publicamente.
O episódio com Jennifer Garner não é casual. Garner passou anos como alvo de tabloides durante e após o divórcio de Ben Affleck, numa cobertura que alternava entre pena e escrutínio. Que ela tenha desenvolvido uma filosofia sobre como sobreviver a esse processo e a tenha compartilhado com Wilde diz algo sobre quanto as duas mulheres reconhecem padrões semelhantes na forma como Hollywood e a mídia tratam as mulheres envolvidas em escândalos públicos.
O que Florence Pugh nunca disse
Ao longo de todo esse período, Florence Pugh se manteve consistentemente fora da disputa narrativa. Em 2023, numa entrevista à Vanity Fair, ela disse que não entraria em “detalhes minuciosos” sobre o que aconteceu no set. Sem jamais confirmar nem desmentir os rumores diretamente, Pugh criou um espaço de ambiguidade que a imprensa preencheu com especulação. A entrevista de Wilde à The Cut é a declaração mais completa de um dos lados até hoje. A versão de Pugh, se é que algum dia vai existir numa forma pública e direta, ainda não chegou.
Não Se Preocupe, Querida arrecadou US$ 67 milhões nas bilheterias mundiais com um orçamento de US$ 35 milhões, resultados decentes para um thriller psicológico de médio porte. Mas o filme ficará mais conhecido pelo caos da sua divulgação do que pelo que está na tela, como a própria equipe técnica antecipou no comunicado de 2022. Wilde segue como diretora ativa em Hollywood e está desenvolvendo novos projetos. Styles encerrou o relacionamento com ela em 2023 e voltou a se concentrar na carreira musical.