Críticas

Review | Animal Crossing: New Horizons no Switch 2 é oportunidade perfeita para conhecer a qualidade da franquia

Uma das maiores surpresas do ecossistema Nintendo em 2025 foi a constatação de que a gigante japonesa não estava disposta a deixar Animal Crossing: New Horizons virar apenas uma cápsula do tempo do confinamento de 2020 na época da pandemia. Com o lançamento da edição dedicada para o Nintendo Switch 2 e a massiva atualização […]

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
5 min de leitura
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Uma das maiores surpresas do ecossistema Nintendo em 2025 foi a constatação de que a gigante japonesa não estava disposta a deixar Animal Crossing: New Horizons virar apenas uma cápsula do tempo do confinamento de 2020 na época da pandemia. Com o lançamento da edição dedicada para o Nintendo Switch 2 e a massiva atualização 3.0, o título tenta um retorno inesperado. 

A caminhada de volta ao prédio de Serviços aos Moradores é, para muitos, uma “peregrinação da vergonha”, afinal muita gente deve ter deixado sua rotina virtual no jogo de lado anos após os confinamentos do fim do mundo da covid. No entanto, a Nintendo sabe exatamente como nos fisgar de volta: através do conforto, da beleza e de uma nova camada de profundidade social que faz a ilha parecer, pela primeira vez, um lugar ainda mais vivo.

O brilho do 4K – ainda que em 30 fps

O primeiro impacto ao transferir sua ilha para o Switch 2 é puramente estético, mas não subestime o poder de uma imagem limpa. Para quem passou centenas de horas forçando a visão no hardware antigo, a mudança para a resolução 4K no modo TV é hipnotizante. O estilo artístico “fofinho” de Animal Crossing não exige realismo, mas a nitidez extra revela detalhes que antes eram borrões: a textura das roupas, a translucidez da água e as sombras agora muito mais profundas. Como o jogo é repleto de itens modelados, poder presenciar sua ilha sem qualquer serrilhado é muito satisfatório.

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No museu, essa melhoria atinge seu ápice. Caminhar pelos corredores de fósseis ou observar o aquário em 4K transforma a experiência em algo quase tátil; as linhas são mais finas e a iluminação global faz com que cada exibição pareça um diorama de luxo. Embora o jogo continue travado a 30 FPS — uma escolha que pode decepcionar os puristas do desempenho, mas que pouco afeta um simulador de vida relaxado —, o ganho em conforto visual é inegável. O carregamento, embora ainda sentidamente presente, é mais ágil, por volta de dez segundos mais rápido, permitindo que as viagens entre ilhas não pareçam mais um castigo de tempo.

Atualização 3.0: benesses gratuitas para todos

A verdadeira alma desta nova fase reside na atualização 3.0, lançada simultaneamente para ambos os consoles de modo gratuito, mas que brilha no hardware novo. A grande adição é o Resort Hotel. Localizado no píer, esse estabelecimento injeta um propósito econômico e criativo inédito na ilha principal. Administrado pela família do Capitão, o hotel permite que você decore até oito quartos temáticos para turistas exigentes.

Essa mecânica é uma evolução direta do que vimos no DLC Happy Home Paradise, mas com a vantagem estratégica de estar integrada ao seu próprio território. Satisfazer os hóspedes rende Bilhetes de Hotel, uma moeda nova e valiosa que pode ser trocada por itens retrô da Nintendo ou lembrancinhas exclusivas. Mais do que móveis, o hotel traz um fluxo constante de NPCs carismáticos que fazem sua ilha pulsar com uma energia vibrante, combatendo aquela sensação de isolamento que o jogo base eventualmente exalava.

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Deus nos sonhos

Se o hotel cuida da sua rotina, o novo Modo Deus nas Ilhas dos Sonhos cuida da sua ambição. Ao deitar sob as cobertas e encontrar Serena, o jogador agora tem acesso a um portal criativo colaborativo sem precedentes. Neste ambiente, as restrições desaparecem: você tem acesso ilimitado ao catálogo completo de móveis, controle total sobre o clima e a capacidade de terraformar instantaneamente sem o cansaço do personagem.

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A cereja do bolo é o salto técnico no multijogador: agora é possível convidar até doze amigos (contra os oito do original) para construir e decorar em tempo real nessas ilhas oníricas. O Switch 2 facilita essa “confusão social” com o novo bate-papo por voz e um recurso divertido que sobrepõe seu rosto via câmera do console durante as conversas. É o caos criativo em sua forma mais pura e viciante, permitindo que comunidades inteiras redesenhem espaços em uma única sessão.

Acertos e tropeços

Para os jogadores veteranos, as pequenas mudanças de qualidade de vida na 3.0 são as que mais encantam. Finalmente, a Nintendo ouviu nossas preces: é possível fabricar itens em massa. Chega de apertar repetidamente o botão para criar dez cercas ou várias iscas de peixe. Além disso, a capacidade de usar materiais diretamente do estoque da casa enquanto você está na bancada de trabalho elimina a logística irritante de transferir itens para o inventário toda vez que quer construir algo.

O armazenamento também recebeu um fôlego generoso, podendo ser expandido para até 9.000 itens — espaço de sobra para acumuladores compulsivos. Por outro lado, algumas excentricidades tecnológicas do Switch 2, como o “Modo Mouse” dos novos Joy-Cons para reorganizar móveis, parecem mais um experimento de laboratório do que uma solução real; é impreciso e muitas vezes mais lento que o método tradicional. E, claro, a Nintendo continua se recusando a permitir a organização de móveis na diagonal, mantendo uma rigidez de grid um pouco datada para 2026.

Jogo de conforto é sempre bom diante uma vida dura

Animal Crossing: New Horizons no Switch 2 é o retorno triunfal de um gigante. Para quem já possui o console novo e o título na versão anterior, o upgrade por apenas trinta reais é um dos melhores custos-benefícios da plataforma. A combinação de gráficos nítidos, tempos de carregamento reduzidos e a integração massiva de conteúdo da versão 3.0 — que inclui desde minijogos retrô de Game Boy até colaborações com LEGO, Zelda e Splatoon — garante que o vício seja reaceso com força total.

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É a versão definitiva de uma das simulações de vida mais cativantes da história. Se você é um novato, este é o melhor ponto de entrada possível. Se você é um veterano em busca de paz, prepare-se para perder horas repavimentando caminhos em 4K enquanto sente aquela tranquilidade terapêutica que só esta franquia consegue proporcionar. As ervas daninhas podem ter tomado conta por um tempo, mas o solo de Animal Crossing continua mais fértil do que nunca.

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