Sequência de Barbie corre risco real de não acontecer
Warner Bros. tem até dezembro para fechar acordo com Greta Gerwig e elenco de Barbie 2.
Impasse financeiro coloca Warner Bros. contra o relógio
A tão aguardada sequência de Barbie, maior sucesso de bilheteria da história da Warner Bros., pode simplesmente não acontecer. Segundo reportagem do The New York Times, o estúdio tem até o fim de 2026 para fechar contrato com o elenco principal e a equipe criativa do filme original. Caso o prazo se esgote sem acordo, os direitos da franquia retornam automaticamente para a fabricante de brinquedos Mattel.
A negociação reúne alguns dos nomes mais poderosos de Hollywood: a diretora e roteirista Greta Gerwig, o coautor do roteiro Noah Baumbach, além dos protagonistas Margot Robbie e Ryan Gosling. Do outro lado da mesa está David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, que estaria travando o acordo por considerar os valores pedidos generosos demais, segundo fontes ouvidas pelo jornal americano.
Seis propostas recusadas em três anos
Nos últimos três anos, a Warner Bros. apresentou mais de seis ofertas diferentes à equipe criativa de Barbie, todas recusadas até agora. A mais recente, feita no fim da primavera americana, é descrita por uma fonte do próprio estúdio como a maior remuneração já oferecida pela Warner a uma equipe de cineastas e atores em toda a sua história.
Ainda assim, outra fonte próxima à negociação contesta esse recorde, afirmando que o valor total do pacote pode até ser inédito, mas a remuneração individual de cada envolvido não é tão excepcional assim. A CAA, agência que representa os quatro nomes principais da negociação, ainda não apresentou contraproposta à oferta mais recente da Warner.
Valores que impressionam mesmo para Hollywood
Segundo o Times, Ryan Gosling estaria pedindo 20 milhões de dólares para retomar o papel de Ken, que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Margot Robbie, que teria embolsado cerca de 50 milhões de dólares somando salário e participação nos lucros do primeiro filme, deve superar esse valor com folga em uma eventual continuação, segundo uma fonte ligada ao estúdio. Gerwig também levou dezenas de milhões de dólares na primeira produção.
Uma fonte afirmou que a equipe criativa está satisfeita com os valores fixos oferecidos pela Warner, mas não com os termos de participação nos lucros. Outra fonte contestou essa versão. De qualquer forma, o time não estaria pedindo o chamado first dollar gross, modelo em que os envolvidos recebem parte da bilheteria antes mesmo de o estúdio recuperar o investimento inicial.
Um acordo original que nunca previu sequência
Parte da complexidade do impasse atual vem de como o contrato original foi negociado. Segundo o Times, os acordos iniciais com a equipe criativa não incluíam nenhuma obrigação contratual para uma continuação, negociação feita ainda sob uma gestão diferente da Warner Bros. Na época, Gerwig teria feito questão de não se comprometer com uma sequência antes mesmo da estreia do primeiro filme.
Uma fonte próxima ao estúdio explicou que seria atípico a Warner Bros. Pictures ter pedido uma opção de sequência a Gerwig naquele momento, já que a diretora tinha poucos filmes na carreira e nunca havia comandado uma propriedade intelectual de grande escala antes de Barbie se tornar o fenômeno cultural que foi.
O que está em jogo para a Mattel
O impasse também cria um problema direto para a Mattel. Caso a Warner não feche o acordo até dezembro, a fabricante de brinquedos perde o direito de usar qualquer elemento da visão de Gerwig para o próximo filme, sendo forçada a recomeçar do zero com um reboot completo da franquia, incluindo novo diretor, novo elenco e nova abordagem criativa.
A situação preocupa especialmente a divisão de estúdios da Mattel, hoje sob comando de Robbie Brenner e do CEO Ynon Kreiz, que buscam repetir o sucesso do primeiro filme em um momento no qual as vendas das bonecas Barbie já não sustentam o mesmo pico registrado em 2023.
Um possível salvador de última hora
Alguns executivos ouvidos pela reportagem apontam um cenário alternativo: caso o megainvestidor David Ellison vença a disputa pela aquisição da Warner Bros., ele poderia reativar pessoalmente os direitos junto à Mattel e trazer de volta a equipe criativa original. Uma fonte chegou a apostar que esse seria o primeiro grande acordo assinado por Ellison caso a compra da Warner se concretize.
Até o momento, representantes dos cineastas, dos atores, do estúdio, da Mattel e da CAA não se pronunciaram publicamente sobre o impasse.