Sequência de Cyberpunk 2077 tem metade da equipe de missões formada por ex-criadores de mods
Diretor de Cyberpunk 2077 revela que metade do time de missões da sequência veio dos mods. Jogo ganha suporte nos consoles.
Modificar arquivos de um jogo em casa deixou de ser apenas um passatempo de fãs dedicados para se tornar o principal processo seletivo da CD Projekt Red. Durante a transmissão oficial REDstreams, o diretor associado Paweł Sasko revelou que aproximadamente metade da equipe responsável por criar as missões da futura sequência de Cyberpunk 2077 é formada por antigos criadores de mods da comunidade.
Conhecido internamente nos bastidores do estúdio polonês pelo codinome Projeto Orion, o novo título está em desenvolvimento na filial norte-americana da empresa, em Boston. Segundo o executivo, muitos desses profissionais contratados deram os primeiros passos na programação alterando por conta própria os códigos de The Witcher 2: Assassins of Kings e The Witcher 3: Wild Hunt, grandes sucessos anteriores da produtora.
Para o diretor, a prática de personalizar campanhas funciona como uma porta de entrada direta para a indústria de entretenimento eletrônico. O desenvolvedor destacou que o contato inicial como jogador curioso permite entender na prática a arquitetura de um software complexo, servindo como um portfólio real na hora de disputar uma vaga profissional: “É uma maneira maravilhosa de começar sua carreira”.
Suporte oficial para mods nos consoles na versão 2.5
As declarações sobre a formação do estúdio aconteceram durante a apresentação das novidades da atualização 2.5 de Cyberpunk 2077. O principal destaque do pacote é a estreia do suporte multiplataforma para modificações criadas por usuários. A ferramenta permite que jogadores de PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S naveguem e instalem conteúdos da comunidade diretamente por um menu interno, sem depender de programas externos.
Sasko comparou a nova interface integrada a uma vitrine ou a um restaurante self-service, onde o usuário escolhe exatamente o que deseja adicionar à própria campanha com o toque de um botão. É possível ligar ou desligar desde simples ajustes cosméticos em Night City até pacotes que alteram regras de combate ou adicionam arcos narrativos inéditos.
Na avaliação do veterano, essa facilidade técnica é o caminho ideal para manter o RPG de ação vivo para quem já acumulou centenas de horas na jornada de V, além de incentivar uma nova geração de talentos. Ao facilitar o acesso às criações amadoras nos videogames de mesa, o estúdio espera que mais jogadores se interessem pelos bastidores do desenvolvimento e sigam o mesmo caminho dos atuais roteiristas da franquia.
Da crise no lançamento ao escritório em Boston
A valorização da comunidade de modders reflete a longa recuperação de Cyberpunk 2077 desde a estreia turbulenta em dezembro de 2020. Na época, os criadores independentes no PC foram fundamentais para corrigir falhas técnicas e adicionar recursos pedidos pelo público enquanto a CD Projekt Red trabalhava nos consertos oficiais que culminaram na expansão Phantom Liberty, lançada no Brasil em setembro de 2023.
O hábito de absorver talentos da própria base de fãs já havia rendido frutos na atualização de nova geração de The Witcher 3: Wild Hunt, que incorporou texturas em alta definição produzidas por entusiastas. Agora, com a estrutura da sequência montada nos Estados Unidos sob a liderança de veteranos como o próprio Paweł Sasko e o diretor Gabriel Amatangelo, essa mão de obra passa a desenhar o futuro da série desde o início da produção.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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