CD Projekt Red diz que a jogabilidade era o ponto mais fraco de The Witcher 3 e refez o combate
Paweł Sasko diz que a jogabilidade era o ponto mais fraco de The Witcher 3 e que o Remastered usou lições de Cyberpunk 2.0.
A CD Projekt Red decidiu mexer no combate de The Witcher 3 porque o próprio estúdio considerava a jogabilidade o lado mais frágil do jogo. Quem diz é Paweł Sasko, designer sênior da empresa, que atuou como consultor no The Witcher 3: Wild Hunt Remastered e trabalha em Cyberpunk 2 e The Witcher 4. A declaração saiu em entrevista ao site VGC, um dia depois de o remaster chegar ao PC e aos consoles.
O diagnóstico do estúdio
Antes de definir o que mudar, Sasko contou que a equipe, junto com integrantes antigos do time de The Witcher, revisou como o jogo funciona hoje, as reclamações mais comuns dos jogadores e as áreas que envelheceram pior. A história continua relevante, o mundo é bonito e os personagens divertem, mas na parte de jogabilidade, para ele, “era óbvio que esse era quase o lado mais fraco”.
O designer disse que a percepção era compartilhada. Jornalistas e jogadores diziam basicamente a mesma coisa, e por isso o estúdio decidiu que o remaster não se limitaria a texturas e iluminação. Em conversa com o Kotaku na gamescom, ele já tinha listado as maiores queixas: a exploração, o controle de movimento de Geralt e a falta de finalizações.
A lição de Cyberpunk 2077
A equipe se inspirou na atualização 2.0 de Cyberpunk 2077, lançada em 2023, que refez a árvore de habilidades e a progressão do RPG. Sasko participou da reformulação e afirmou que a comparação com o remaster de The Witcher 3 é justa, mas que o impacto não deve ser o mesmo. Segundo ele, é difícil medir isso de dentro.
A diferença está na base. Cyberpunk foi pensado desde o começo para permitir estilos de jogo variados, enquanto em The Witcher o protagonista é Geralt, um personagem fixo com um jeito próprio de lutar. A árvore de habilidades foi refeita dentro desses limites, com o objetivo de dar mais peso a habilidades ativas do que a passivas, problema do sistema anterior. O jogo original também tinha builds que dividiam passivas demais.
O que mudou na prática
O remaster reúne mais de 90 mudanças. A árvore de habilidades agora tem três níveis por habilidade, e liberar novas exige cumprir pré-requisitos, em vez de simplesmente gastar pontos. Por causa disso, os pontos distribuídos em saves antigos são redefinidos, e alguns nomes de habilidades foram alterados para descrever melhor os efeitos.
Geralt ganhou novas finalizações e animações de espera, além de saltos, escaladas e subidas de escadas mais naturais. Há uma câmera de exploração com campo de visão ampliado e uma câmera de combate dinâmica, melhorias na troca de alvos e na cavalgada de Carpeado, e o comportamento de todos os monstros comuns foi refeito. Também existe uma nova opção para recuar de uma luta: basta soltar o alvo com o botão de esquiva e correr.
Da atualização de 2022 a Songs of the Past
Sasko contou que a ideia de mexer na jogabilidade vem de antes do remaster. Ela surgiu durante a atualização de nova geração de 2022, quando os desenvolvedores conversaram sobre quais partes do jogo estavam “enferrujadas”. Essas conversas acabaram levando à terceira expansão, Songs of the Past, feita em parceria com o estúdio Fool’s Theory e prevista para 2027.
As mudanças de combate e de habilidades também valem para o conteúdo novo. A expansão leva Geralt a Letten, terra natal do bardo Jaskier, e usará o mesmo sistema reformulado.
Curiosidades sobre o remaster
O The Witcher 3: Wild Hunt Remastered chegou com nota 94 no Metacritic, a maior de um jogo lançado em 2026 até agora. As missões e os itens continuam os mesmos, e a versão é gratuita para quem já tem o jogo.
Ao falar do futuro, Sasko disse que atua principalmente em Cyberpunk 2 e The Witcher 4. No remaster, ele ficou responsável pela parte de jogabilidade, e acompanha de perto o que a equipe faz na expansão.