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Sonic quase foi cancelado pela Sega, diz produtor da série

Takashi Iizuka revela que a Sega chegou a planejar o fim total da franquia Sonic antes do primeiro filme.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Sonic completa 35 anos em 2026, mas a franquia quase não chegou a essa marca. Takashi Iizuka, chefe do Sonic Team e uma das poucas pessoas na Sega que acompanha o ouriço azul desde os anos 1990, revelou em entrevista ao site One More Game que a empresa chegou a cogitar encerrar a série por completo.

Iizuka entrou na Sega em 1992 e assumiu a liderança criativa do Sonic Team em 2008. Desde então, dirigiu ou produziu títulos centrais da franquia, incluindo Sonic Adventure, Sonic Colors, Sonic Generations e Sonic Frontiers. Em 2023, passou a responder por toda a operação de negócios do personagem dentro da Sega, um cargo que reflete o peso que Sonic carrega para a empresa japonesa.

O período mais difícil da franquia

Segundo Iizuka, o momento crítico aconteceu na primeira metade da década de 2010, quando a recepção fraca de Sonic Boom: Rise of Lyric no Wii U agravou uma crise de confiança interna sobre o futuro da série. O jogo chegou ao mercado com problemas técnicos evidentes e vendas abaixo do esperado, o que reforçou entre executivos da Sega a ideia de que o personagem havia perdido relevância comercial.

Iizuka contou que precisou “lutar dentro da organização” para impedir que a Sega desistisse de Sonic. A pressão vinha de superiores que já discutiam o encerramento definitivo da marca, não apenas uma pausa temporária. O produtor descreveu esse período como o mais delicado de sua carreira à frente da franquia, já que a decisão dependia mais de convencimento interno do que de resultados de vendas futuros.

A virada, segundo ele, só veio com o primeiro filme live-action de Sonic, lançado em 2020. O sucesso de bilheteria reposicionou o personagem como propriedade valiosa fora dos jogos e deu à Sega argumentos concretos para manter investimentos na franquia. Iizuka trata o filme como o divisor de águas que “salvou” Sonic de um destino que ele já considerava traçado.

Um carinho pessoal pela franquia

Para Iizuka, a ligação com Sonic ultrapassa o profissional. Ele descreveu o personagem como algo próximo de “um filho”, uma comparação que usa para explicar por que resistiu à ideia de abandonar a série mesmo sob pressão interna. Essa relação pessoal ajuda a contextualizar por que ele se tornou o principal guardião da continuidade e do tom da franquia dentro da Sega ao longo de mais de três décadas.

Essa proximidade também explica escolhas criativas específicas dentro dos jogos, como o destino de personagens secundários que acabaram se tornando pilares da série por decisão editorial direta do próprio Iizuka.

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Shadow the Hedgehog quase morreu de vez

Um dos exemplos mais claros dessa influência é o caso de Shadow the Hedgehog. Originalmente, o personagem deveria morrer de forma permanente no final de Sonic Adventure 2, lançado em 2001. A narrativa do jogo já tratava sua morte como um sacrifício definitivo, sem planos de retorno.

A reação dos fãs, porém, mudou os planos da Sega. Shadow voltou já em Sonic Heroes, em 2003, dois anos depois de sua suposta morte, justamente por causa da popularidade que conquistou entre o público mesmo em um arco curto. Iizuka cita esse episódio como prova de que decisões de roteiro na franquia frequentemente cedem espaço à resposta dos jogadores.

Duas décadas depois, Shadow ocupa um espaço cada vez maior no universo Sonic. O jogo Sonic X Shadow Generations, lançado em 2024, dedicou uma campanha inteira ao personagem, e sua presença no terceiro filme live-action da franquia ampliou ainda mais sua base de fãs. Iizuka reconhece que a popularidade de Shadow hoje rivaliza com a do próprio Sonic, um cenário que seria difícil de prever quando o personagem quase desapareceu da série ainda no início dos anos 2000.

Uma trajetória de altos e baixos

A trajetória de Sonic ao longo de 35 anos combina períodos de forte sucesso comercial com fases de instabilidade criativa e crítica dura, como a vivida em torno de Rise of Lyric. O relato de Iizuka reforça que a sobrevivência da franquia não dependeu apenas de vendas de jogos, mas também de decisões internas na Sega e de produtos fora do universo dos games, como o cinema, que ajudaram a sustentar o interesse do público em momentos de baixa.

Hoje, com Sonic figurando entre as franquias mais valiosas da Sega e Shadow consolidado como coadjuvante de peso, a história contada por Iizuka serve como lembrete de quão próxima a série chegou de um fim que boa parte dos fãs desconhecia até agora.

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