Take-Two aciona Justiça para descobrir identidade do CYBERLEEK de GTA 6
Take-Two intima Microsoft e Discord na tentativa de identificar o responsável pelos vazamentos de GTA 6.
Empresa intima Microsoft e Discord por dados de usuário
A Take-Two Interactive mobilizou sua equipe jurídica para tentar identificar o responsável pelos recentes vazamentos de GTA 6. Segundo intimação protocolada no Tribunal Distrital Sul de Nova York em 20 de agosto, a empresa está usando o mecanismo legal do DMCA para exigir de Microsoft e Discord os dados que possam revelar quem está por trás do perfil CYBERLEEK.
O documento afirma que o material protegido por direitos autorais inclui “conteúdo audiovisual, arte, imagens, diálogos ou outros elementos criativos”. Segundo a intimação, a Take-Two, por meio de seus advogados, apresentou uma declaração juramentada confirmando que o objetivo do pedido é exclusivamente obter a identidade do suposto infrator, com uso da informação restrito à proteção dos direitos da empresa.
Um pedido amplo de dados internos
À Microsoft, a Take-Two solicita todos os registros internos de negócios e investigações associados à apuração já conduzida pela própria empresa sobre a persona “cyberleek”, buscando identificar o usuário, pessoa ou entidade por trás do perfil. Já ao Discord, o pedido é ainda mais detalhado: a empresa quer todas as informações de identificação de contas que participaram dos servidores relacionados ao caso entre 1º de junho de 2026 e a data atual.
Entre os dados solicitados estão ID da conta, e-mail de cadastro, endereços de IP de registro e do último login, número de telefone, conexões vinculadas a serviços como Google e Xbox, identificadores de dispositivo e qualquer conteúdo relacionado a GTA, Rockstar ou Cyberleek armazenado no OneDrive dos usuários envolvidos.
O rastro que pode expor o responsável
Uma investigação independente conduzida por um usuário do fórum GTAForums, identificado como Vice Cit, já havia apontado uma pista relevante antes mesmo da ação judicial da Take-Two: todo o financiamento do token $CYBERLEEK estaria concentrado em uma única carteira na corretora de criptomoedas KuCoin, plataforma sediada em Seychelles que exige verificação de identidade para operar.
Segundo essa apuração, o responsável pelo vazamento já teria acumulado cerca de 50 mil dólares em taxas de transação, além de manter quase 400 mil dólares em tokens ainda não vendidos, o que ajudaria a explicar por que o grupo distribui o material aos poucos, em vez de liberar tudo de uma vez, mantendo o interesse pelo token em alta o maior tempo possível.
Um manifesto que esconde um esquema financeiro
O CYBERLEEK ganhou notoriedade ao divulgar um manifesto com três “mandamentos” dirigidos à indústria de games, exigindo o fim de práticas como pré-vendas puramente digitais e a descontinuação de conteúdo single-player. Apesar do discurso, o grupo monetiza os vazamentos através de um token na blockchain Solana, incluindo enquetes pagas nas quais usuários gastam a própria criptomoeda para votar em qual vídeo deve ser liberado a seguir.
Organizações como a Stop Killing Games, que luta pela preservação de jogos ameaçados de sair do ar, já alertaram publicamente contra a movimentação, recomendando que ninguém envie dinheiro ao grupo, independentemente da simpatia que o discurso possa despertar. Pesquisadores da comunidade também identificaram pelo menos um perfil impostor, usando o nome CYBERLEEK para divulgar imagens geradas por inteligência artificial como se fossem vazamentos reais.
Até o momento, nem a Take-Two nem a Rockstar Games comentaram publicamente os detalhes da ação judicial além do conteúdo do próprio documento protocolado na Justiça americana.