Cinema

Vencedor da Palma de Ouro, Jafar Panahi é condenado a 1 ano de prisão à revelia pelo Irã

A Justiça do Irã condenou o cineasta Jafar Panahi (vencedor da Palma de Ouro 2025) a 1 ano de prisão por "propaganda contra o Estado".

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
2 min de leitura
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A Justiça iraniana condenou o cineasta dissidente Jafar Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2025, a um ano de prisão à revelia por “atividades de propaganda” contra o Irã. A sentença, anunciada por seu advogado nesta segunda-feira (1º), também inclui uma proibição de viajar para fora do país.

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A condenação ocorre em um momento de triunfo internacional para o diretor, que está atualmente nos Estados Unidos e deve comparecer ao Gotham Awards, em Nova York, nesta noite, onde seu filme concorre a três prêmios.

Condenado em Nova York no dia da premiação

O advogado de Panahi informou à agência AFP que o cineasta foi sentenciado pelo Tribunal Revolucionário Islâmico em Teerã. A condenação é por “atividades de propaganda” contra o sistema. “O Sr. Panahi está fora do Irã no momento”, disse o advogado, confirmando que irá apelar da decisão.

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A notícia da sentença chega no momento em que Panahi é celebrado nos EUA. Seu filme, Foi Apenas um Acidente (It Was Just an Accident), com o qual ele venceu a Palma de Ouro, está indicado em três categorias no Gotham Awards 2025, uma premiação que abre a temporada do Oscar.

A história do filme e a perseguição do regime

O filme Foi Apenas um Acidente, o primeiro de Panahi desde que foi libertado da prisão em 2023, é um ataque direto ao regime autoritário do Irã. O thriller segue um ex-prisioneiro político que sequestra seu suposto torturador e debate com outros dissidentes se deve perdoá-lo ou matá-lo.

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A perseguição a Jafar Panahi é de longa data. Em 2010, ele foi condenado (pena que ficou suspensa) por “propaganda contra o regime”. Em julho de 2022, ele foi preso novamente quando foi à procuradoria indagar sobre a prisão de um colega. Panahi iniciou uma greve de fome e foi solto 86 dias depois, após os tribunais considerarem que a condenação de 2010 havia expirado. A nova sentença sinaliza que o regime continua determinado a silenciar o cineasta.

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