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O investimento da Lucasfilm na televisão está presente desde a excelente minissérie Clone Wars, criada por Genndy Tartakovsky, que atua como ponte entre os Episódios II e III – estou desconsiderando Ewoks, Droids e o assustador Holiday Special pois todos queremos esquecer disso. O sucesso do desenho, exibido no Cartoon Network, rapidamente gerou uma sequência espiritual, também de mesmo nome, mas dessa vez em animação 3D. O resultado, contudo, não chegou aos pés do original e demorou anos até encontrar sua linguagem ideal e, em seu ápice, foi cancelado após a compra da Lucasfilm pela Disney. A nova dona dos direitos de Star Wars, porém, não deixou de lado a TV e nos trouxe Star Wars Rebels.

Um olhar distante, de alguém que não tenha apreciado o mais recente Clone Wars poderia acabar afastando essa nova série de sua lista do que assistir. O novo desenho, todavia, é essencialmente diferente de seu predecessor, em praticamente todos os aspectos. A começar pelo período retratado. Fugimos, enfim, da nova trilogia e caminhamos em direção ao material clássico – estamos, agora, no período do Império, cinco anos antes dos eventos de Uma Nova Esperança, escolha que muito bem se encaixa com o novo projeto da Lucasfilm, em investir nessa parte do universo criado por George Lucas.

O segundo aspecto que nos chama a atenção é a forma como o cenário mais amplo permanece mais distante. Enquanto em um tínhamos as Guerras Clônicas, aqui temos apenas um grupo de rebeldes tentando machucar o Império da melhor maneira que conseguem. Mas eles não são importantes, como era o caso de Anakin ou Obi-Wan, são apenas um bando de “ninguéns” que, pelas suas ações na série, portanto, começam a chamar a atenção.

A trama gira em torno de Ezra Bridger, um jovem órfão que acaba se juntando a um grupo de rebeldes, composto por Hera, Kanan, Sabine, Zeb e o problemático droide astromech Chopper. Não demora muito para que o menino descubra que Kanan é, de fato, um jedi e rapidamente ele embarca em uma jornada para seguir o caminho da Força. Sob a batuta de Dave Filoni, como showrunner da série, Rebels possui um ritmo delicioso de se assistir.

Primeiramente investe seus primeiros capítulos apresentando mais a fundo cada um dos personagens principais, criando relações entre eles e nos trazendo boas risadas com um humor que atinge desde adultos a crianças. As diferentes missões, a principio pequenas e que gradualmente ganham uma proporção maior, aumentam a sensação de urgência do desenho, que culmina com a aparição do Inquisidor, já nos primeiros capítulos. Atuando como o principal antagonista da temporada, o Sith representa a sensação de perigo ausente nos stormtroopers, esses são utilizados muitas vezes como alívio cômico, muito similarmente ao que vemos na trilogia original.

Aparentemente desconexos, os episódios, de fato, contam com uma sutil coesão interna. Um elemento apresentado em um capítulo é posteriormente trabalhado, nos criando a nítida percepção de estarmos assistindo uma aventura contínua, não fragmentada, muito embora cada história, em geral, seja fechada nos vinte minutos de exibição. Dessa forma, somos presos, episódios atrás de episódios, praticamente forçando um binge-watching até chegarmos no fim.

Para mais profundamente prender nossa atenção, Rebels ainda traz de volta alguns icônicos personagens. Esses, contudo, são sabiamente deixados como coadjuvantes e são organicamente encaixados dentro da trama estabelecida. Não irei estragar a surpresa de quem aparece neste primeiro ano, mas espere ser surpreendido positivamente, especialmente considerando a ótima caracterização e dublagem utilizada. Já entrando neste ponto, não há como não tecer elogios a todo o trabalho sonoro empregado na série. Todas as vozes contam com personalidade e desempenham importante papel na construção de cada um dos personagens – ninguém em Rebels soa como uma peça fora do tabuleiro, todos contam com seu específico papel dentro do roteiro. Além disso, a utilização dos efeitos sonoros clássicos traz uma imediata nostalgia a qualquer fã da franquia, dos sons dos Tie-fighters até os Walkers imperiais.

Não poderia, é claro, deixar de mencionar o trabalho de Kevin Kiner na trilha sonora, que faz bom uso dos temas compostos por John Williams em toda a franquia, além de trazer algumas melodias novas. Kiner cria excelentes variações de músicas emblemáticas, expandindo os paralelismos que a série cria com a trilogia original. Além disso, o compositor sabe dominar as expectativas do espectador e deixa para os momentos certos a aparição das mais clássicas faixas. A construção do humor, muito presente em diversos pontos da temporada, naturalmente, ganha uma clara ajuda de Kevin, devo aqui citar a variação da Marcha Imperial em tom comemorativo, que certamente colocará um sorriso no rosto de qualquer fã.

Mas, dito isso, como fica a animação em si? Devo dizer que este foi um dos aspectos que mais me surpreendeu. Ed Caspersen, que também trabalhara em Clone Wars, introduz uma mescla do 3D com a animação tradicional nos traçados. O tom mais cartunesco é evidente, mas isso funciona muito bem não só para atrair o público mais jovem, como para garantir uma maior identidade visual para cada personagem. Esse visual, ainda não consegue esconder a qualidade das texturas, especialmente dos prédios e veículos. A limpeza dos rostos dos personagens centrais ainda cria uma interessante oposição com o Inquisidor, este portando traços mais ameaçadores e um maior detalhamento na pele, revelando a influência do Lado Negro em sua constituição. Na movimentação o desenho também não deixa a desejar, nos trazendo bastante fluidez e cenas de combate que contam com uma nítida aceleração, aumentando a sensação de urgência sem perder a atenção do espectador.

A Força está com Star Wars Rebels, um desenho que certamente prende audiências de todas as idades. O espirito da trilogia original foi devidamente resgatado aqui, abrindo caminho para uma nova exploração desse rico universo. Com um roteiro coeso e engajante, a série nos deixa com positivas esperanças para essa nova fase de Star Wars, nos prendendo do início ao fim e nos deixando com fortes arrepios na cena final da temporada. Que venha a segunda temporada!

Star Wars Rebels – 1ª Temporada (EUA, 2014)
Showrunner:
 Dave Filoni

Direção: Vários
Roteiro: Vários
Elenco: Taylor Gray, Vanessa Marshall, Freddie Prinze Jr., Tiya Sircar, Steve Blum, David Oyelowo, Phil LaMarr, Ashley Eckstein, Stephen Stanton, Jason Isaacs
Duração: 450 min.

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