SPOILERS!

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Todos nós fomos pegos de surpresa ontem à noite, quando a Netflix soltou o primeiro trailer de The Cloverfield Paradox e anunciou que o filme da Bad Robot estaria disponível para exibição no mesmo dia. Ligando-se de alguma forma com Cloverfield: Monstro e Rua Cloverfield 10, a antecipação para a ficção científica produzida por J.J. Abrams logo explodiu, afinal esta é uma franquia que chama a atenção por sua originalidade e um raro fator surpresa.

Infelizmente, o filme falha em atingir todas as expectativas, e deixa um nó ainda maior em relação à cronologia da franquia – que vai ganhar um novo capítulo ainda este ano, ambientado na Segunda Guerra Mundial.

O Paradoxo

Vamos estabelecer algumas coisas:

No começo do filme, um escritor alerta para que a equipe de cientistas na Estação Cloverfield não conduza o experimento com o acelerador de partículas, visto que isso renderia no que ele chama de Paradoxo Cloverfield, onde o processo mexeria com a membrana do espaço-tempo e criaria realidades alternativas populadas com monstros, criaturas e até demônios. Ele até enfatiza monstros marinhos, e isso é importante.

A equipe realiza da mesma forma, através do dispositivo Shepard, e logo se encontra em uma realidade diferente. A Terra está passando por novas guerras, uma tripulante da mesma estação aparece ali repentinamente e uma série de outros incidentes bizarros começa a acontecer. 

O mais crucial dele está na Terra, na primeira realidade: uma explosão assusta os habitantes, e força que a população se esconda em abrigos antibombas. Através de fragmentos de diálogos, aprendemos que são “coisas” lá fora, e  a tomada final do filme, em que Ava cai de volta na Terra em sua realidade, revela o monstro gigantesco do primeiro filme.

Realidades Paralelas, Tempos diferentes

O primeiro Cloverfield é ambientado em 2008. Tem tecnologia, celulares e câmeras de 2008. “Beautiful Girl” toca em uma festa de apartamento, então não tem como negar isso. Tanto Cloverfield Paradox quanto Rua Cloverfield 10 são ambientados nos anos 2010, com smartphones e outras evidências que comprovam que os eventos do primeiro filme não tiveram ramificações aqui; Manhattan foi destruída com uma bomba nuclear, e havia ainda uma mensagem oculta nos créditos finais clamando que a criatura estava viva. Além disso, é muito importante lembrar que a criatura do primeiro filme é marinha, o que casa com a fala do escritor em Paradox, além de o ataque à Nova York acontecer após uma misteriosa explosão, da mesma forma como acontece no novo filme. Isso nos mostra que o ataque à NY foi provocado pelo acidente com o acelerador de partículas, que fez o monstro surgir ali. Mas como?

Então, quando vemos o mesmo monstro do primeiro filme no final de Paradox, NÃO estamos naquela noite em Nova York de 2008, quando Rob, Hud e seus amigos corriam para sobreviver. Estamos em algum ponto dos anos 2010, e talvez até seja a mesma realidade onde Michelle e Howard habitam em Rua Cloverfield 10; onde uma invasão alienígena acaba acontecendo. Vemos apenas uma criatura e uma nave espacial, mas ambas são diferentes do design do monstro. Porém, nada impede que ambos ocupem a mesma “classe” de combatentes, ou que o acidente com as partículas tenha dado origem a diferentes tipos de criaturas. Foi dito em 2008 que a criatura do primeiro Cloverfield era um mero “bebê”, o que explica porque o monstro no final deste filme seja tão enorme.

Existe também a possibilidade de que o acidente com a Shepard tenha afetado múltiplas camadas de um multiverso. Provocou uma explosão na realidade A, representada por Cloverfield: Monstro, afetou os eventos da realidade B, onde temos a Rua Cloverfield 10, e assim por diante. Dessa forma, nenhum filme dessa franquia está diretamente relacionado, habitando diferentes realidades de um mesmo todo – vemos marcas conhecidas de ambos os filmes, como o posto Kelvin e a bebida Slusho. E se o quarto filme é ambientado na Segunda Guerra Mundial, envolvendo nazistas trabalhando com forças sobrenaturais, é mais um indício de que o evento com Shepard de fato afetou múltiplas realidades paralelas em tempos diferentes.

É isso. Antes descrita como uma antologia – o que de certa forma, ainda é – a franquia Cloverfield agora se revela um grande universo com diferentes realidades e linhas temporais, cada uma sendo afetada pelo acelerador de partículas e agora tendo seus próprios monstros e eventos sobrenaturais para lidar. A questão que fica é: ainda vai ter graça ver cada novo filme, agora que já sabemos a solução do mistério?

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