Viral

Acadêmicos de Niterói é rebaixada no Carnaval do Rio após desfile polêmico em homenagem a Lula

Acadêmicos de Niterói fica em último lugar no Grupo Especial. Desfile sobre o presidente Lula enfrentou ações no TSE

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

A passagem da Acadêmicos de Niterói pela elite do carnaval carioca foi breve e conturbada. A agremiação ficou em último lugar na apuração realizada nesta quarta-feira (18) e foi rebaixada do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Fazendo sua estreia na categoria máxima neste ano, a escola teve um desempenho muito abaixo do esperado pelos jurados, recebendo apenas duas notas máximas ao longo de toda a leitura dos quesitos.

O rebaixamento coroa uma temporada de intensos debates fora da passarela. Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola levou para o desfile de domingo (15) uma narrativa biográfica do atual presidente da República. A apresentação percorreu desde a infância no Nordeste e a migração para São Paulo, até a atuação como torneiro mecânico, líder sindical e, finalmente, a chegada à Presidência.

A comissão de frente recriou a rampa do Palácio do Planalto, em alusão à posse mais recente de Lula, acompanhada por representantes da sociedade civil. O desfile também contou com atores e bailarinos interpretando figuras políticas centrais da história recente, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Críticas sociais e políticas foram o motor das alegorias. Enquanto o carro abre-alas representava o agreste pernambucano, misturando exuberância e escassez, outro setor da escola trouxe críticas diretas às políticas sociais e à gestão da pandemia durante o governo Bolsonaro. A prisão do próprio homenageado também foi referenciada na parte traseira de uma das alegorias.

Problemas técnicos e impacto na concorrente

Além das questões temáticas, a Acadêmicos de Niterói falhou em quesitos técnicos cruciais. A escola enfrentou graves problemas na dispersão, com carros alegóricos que ficaram presos na saída da Marquês de Sapucaí. O encerramento da apresentação foi marcado por correria, e uma das alegorias permaneceu travando o local mesmo após o término do tempo regulamentar. O incidente gerou reclamações formais da Imperatriz Leopoldinense, escola que desfilou na sequência e afirmou ter sido prejudicada pelo bloqueio da pista.

Publicidade

Batalha judicial e reações políticas

O enredo da agremiação fluminense foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações em órgãos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União. Parlamentares da oposição tentaram impedir o desfile e reverter os repasses de recursos públicos, alegando que a apresentação configuraria propaganda eleitoral antecipada a favor de Lula, uma vez que a legislação permite campanhas apenas a partir de 16 de agosto.

O embate chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que negou as liminares por unanimidade, argumentando que proibir o desfile configuraria censura prévia. Os ministros, no entanto, deixaram o alerta de que eventuais condutas irregulares na Avenida poderiam ser julgadas e punidas posteriormente. Diante do cenário, o Partido dos Trabalhadores orientou seus integrantes a evitarem manifestações que pudessem ser lidas como campanha explícita, enquanto o governo federal negou qualquer interferência na escolha do enredo e defendeu a legalidade dos apoios financeiros culturais.

A repercussão continuou no pós-desfile. O presidente Lula utilizou suas redes sociais para elogiar a homenagem, provocando uma nova onda de reações da oposição, que promete novas medidas judiciais por uso indevido de recursos e promoção eleitoral. Houve também forte reação, especialmente da bancada evangélica, contra a ala “Neoconservadores em conserva”, que exibia famílias com adereços de referências religiosas dentro de latas. Em resposta ao clima de tensão, a escola divulgou uma nota pública na segunda-feira (16) afirmando ter sido vítima de perseguição política durante todo o processo de preparação para o carnaval.

Tags: #Viral
Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp