Vida longa ao Rei! O Ranking da franquia Godzilla do pior ao melhor

O lagarto gigante mais amado dos cinemas, Godzilla, ranqueado em todos os seus quase 40 filmes, do pior ao melhor.

Ayrton Magalhães
Ayrton Magalhães 23 min de leitura

Falar sobre Godzilla é falar de uma das filmografias mais estranhas, variadas e fascinantes do cinema. Ao longo de mais de 70 anos, o personagem já foi símbolo do medo nuclear, metáfora política, monstro trágico, herói infantil, ameaça cósmica, criatura de body horror e até protagonista de uma comédia completamente absurda.

E talvez seja justamente essa variedade que torne tão difícil montar um ranking. Existem filmes aqui que eu adoro apesar dos seus defeitos, outros que reconheço como importantes, mas que simplesmente não funcionam tão bem para mim. Também existem aqueles que conseguem entender perfeitamente o que torna Godzilla especial e transformam isso em algo muito maior do que apenas “um monstro destruindo cidades”.

Então, considerando filmes japoneses, americanos e até os filmes animadas, este é o meu ranking pessoal de Godzilla, do pior ao melhor.

Obs: Para facilitar o ranking, vale explicar rapidamente como a franquia costuma ser dividida. A era Showa reúne os filmes de 1954 a 1975, começando no Godzilla original e indo até O Terror do Mechagodzilla. A Era Heisei vai de 1984 a 1995, enquanto a Era Millennium cobre os filmes de 1999 a 2004. Cada era possui sua própria identidade, continuidade e abordagem do personagem — e todas aparecem neste ranking.

Então agora vamos dar um passeio ao longo de toda filmografia do rei dos monstros! Estejam preparados.

39. A Vingança de Godzilla (All Monsters Attack)

Lançado em 1969, o filme é uma comédia que gira em torno de Ichiro, um menino solitário e perseguido na escola que encontra um refúgio imaginário na Ilha dos Monstros, onde faz amizade com Minilla – filho do Godzilla, que também sofre nas mãos do monstro valentão Gabara. A ideia de transformar o bullying real em uma aventura com Godzilla funciona no papel, mas o problema é que o filme praticamente abandona essa ideia para reciclar cenas de outros filmes. Godzilla fala, Minilla passa boa parte do tempo apanhando e Gabara nunca chega a funcionar como ameaça. É provavelmente o filme mais descartável da franquia.

38. Godzilla vs. Megaguirus (2000)

O Japão abandonou a energia nuclear pelo plasma, mas Godzilla continua sendo uma ameaça e o governo tenta eliminar ele usando literalmente buracos de minhoca. Existem boas ideias aqui, principalmente nessa tentativa de criar uma realidade alternativa para o Japão, mas o filme passa tempo demais explicando sua própria tecnologia e organização militar. E quando finalmente chegamos aos monstros, Megaguirus e seu exército de monstros voadores gigantes não têm um senso de ameaça suficiente para sustentar o conflito. Tem ideias interessantes, mas falta e muito emoção aqui.

37. Godzilla (1998)

A deturpação de Roland Emmerich.

Depois dos testes nucleares franceses, uma criatura gigante chega a Nova York e um biólogo interpretado por Matthew Broderick tenta descobrir o que ela é. O problema é simples: esse não é o Godzilla, é uma completa deturpação do monstro e da mitologia dele. Esse monstro não tem sopro atômico, foge de tudo, age mais como um animal assustado e acaba sendo abatido por mísseis. O filme funciona como uma aventura de monstros genérica dos anos 90, mas falha justamente naquilo que deveria definir seu monstro título, simplesmente um desserviço ao Rei dos Monstros.

36. Godzilla: Cidade no Limiar da Batalha (Godzilla: City on the Edge of Battle)

A 2° parte da trilogia animada da Netflix, onde os humanos retornam à Terra 20 mil anos depois e encontram sobreviventes que construíram uma cidade utilizando a tecnologia de Mechagodzilla. A premissa é ótima. O problema é o que o filme faz com ela. Em vez de transformar Mechagodzilla em uma ameaça monstruosa, ele praticamente vira parte do cenário. Há muita conversa, muita explicação e pouca sensação de descoberta. Os personagens continuam frios e distantes, e o ritmo se arrasta até o clímax. É um daqueles filmes em que a ideia parece muito melhor do que a execução.

35. Godzilla: O Devorador de Planetas (Godzilla: The Planet Eater)

A última parte da trilogia animada da Netflix finalmente chega a King Ghidorah. O filme prefere trabalhar com o conceito de Ghidorah em vez de transformá-lo em uma ameaça física tradicional. E eu gosto da ousadia dessa escolha, mas o resultado acaba sendo mais abstrato do que realmente empolgante. O desfecho é filosófico, confuso e anticlimático, enquanto o protagonista Haruo, que deveria carregar o peso emocional de toda a trilogia, nunca consegue se tornar um protagonista particularmente marcante. Simplesmente decepcionante

34. Godzilla vs. Megalon (1973)

É difícil levar esse filme a sério. O orçamento é baixíssimo e a trama absurda clássica da era showa simplesmente não funciona aqui, ao menos temos o robô Jet Jaguar que rouba completamente a cena, mas a luta final parece mais um desenho infantil transformado em tokusatsu. É o Godzilla no seu momento mais infantil e absurdo.
Mas existe um certo charme nisso. Não é bom, mas é impossível não soltar uma gargalhada diante de tamanha falta de vergonha.

33. Ebirah, Terror dos Abismos (Ebirah, Horror of the Deep)

Jovens em busca de um irmão desaparecido chegam a uma ilha controlada pela organização Bambu Vermelho, que escraviza nativos com a ajuda de uma lagosta gigante. Godzilla está dormindo na ilha e acorda quase por acidente. E isso resume bem o problema: o longa parece muito mais uma aventura de ilha do que um filme de Godzilla. Existe um certo charme nisso, principalmente pela atmosfera de aventura, mas Ebirah nunca chega a ser um dos monstros mais memoráveis da franquia. É divertido, mas ao mesmo tempo bastante decepcionante.

32. O Monstro de Fogo (Godzilla Raids Again)

A continuação direta do clássico original apresenta um segundo Godzilla, que enfrenta pela primeira vez outro monstro no cinema e destrói Osaka. Historicamente, é importantíssimo: pois se trata da primeira vez que Godzilla enfrenta outro monstro. E a luta entre os dois continua sendo uma das mais brutais da era Showa. Mas o filme não consegue repetir a força do original. Os humanos são pouco marcantes, o ritmo é irregular e o encerramento, com Godzilla preso no gelo, parece mais uma solução rápida do que um verdadeiro final. É importante para a franquia, mas não tão bom quanto o seu legado pode fazer parecer.

31. Godzilla 2000 (Godzilla 2000: Millennium)

O Godzilla retorna ao Japão e passa a ser monitorado por uma organização conhecida como Godzilla Prediction Network, até que um OVNI traz um novo monstro para o Rei dos Monstros enfrentar, chamado de Orga. O novo design do Godzilla é excelente, principalmente pelos espinhos roxos, e existe uma energia muito divertida na ação. O problema é o roteiro, que parece mais interessado em despejar ideias do que em desenvolvê-las. Orga é visualmente estranho e o clímax não entrega tudo o que promete. Ainda assim, é um retorno bastante energético para o Godzilla após o fracasso da bomba de Roland Emmerich.

30. King Kong Contra Godzilla (King Kong vs. Godzilla)

Uma empresa farmacêutica captura o King Kong em sua ilha Natal enquanto Godzilla é libertado de um iceberg. E finalmente temos o encontro que o título promete. A luta no Monte Fuji é histórica e o King Kong funciona muito bem como contraponto ao Godzilla. O problema está no tom exageradamente cômico, no King Kong bastante caricato e na quantidade de tempo que os humanos ocupam fazendo praticamente nada. É um filme importante e divertido, mas poderia ter sido muito mais épico.

29. Godzilla: Planeta dos Monstros (Godzilla: Planet of the Monsters)

O primeiro filme da trilogia animada da Netflix, onde os humanos abandonam a Terra e retornam décadas depois, apenas para descobrir que o planeta foi dominado por Godzilla, agora transformado em uma criatura gigantesca. A ideia de um mundo completamente tomado por Godzilla é excelente. O problema é que o filme demora demais para realmente entregar essa promessa. A animação em si é interessante, mas os personagens são ruins e existe uma distância emocional que impede o filme de atingir o épico que promete.

28. Godzilla vs. Gigan (1972)

Um desenhista de quadrinhos descobre que um parque de diversões é uma fachada para alienígenas que querem dominar a Terra usando os monstros Gigan e King Ghidorah. É completamente absurdo. Mas para mim, todo este absurdo funciona muito bem graças a criatividade da produção. Gigan é um dos monstros mais legais da era Showa, com suas garras, a serra no peito e aquele visual que parece ter saído diretamente de uma revista pulp. As lutas são surpreendentemente violentas para a época, Godzilla e Anguirus funcionam muito bem como dupla e o filme abraça sem vergonha nenhuma sua natureza de produção B. Não é um grande filme, mas é um dos mais divertidos dessa fase.

27. A Guerra dos Monstros (Invasion of Astro-Monster)

Alienígenas do Planeta X pegam o Godzilla e Rodan emprestados para combater King Ghidorah, oferecendo em troca uma suposta cura para o câncer. Como quase todos os filmes do Godzilla desta época, apresenta uma premissa completamente maluca, mas o charme está justamente aí. A ficção científica dos anos 60 está em todo lugar: figurinos, naves, alienígenas e a maravilhosa “Marcha do Monstro Zero”, de Akira Ifukube. Os alienígenas têm um plano interessante, a comédia funciona e Godzilla dançando depois de derrotar Ghidorah já virou um dos momentos mais icônicos da franquia. É Godzilla em seu estado mais puro de diversão Showa.

26. O Terror de Mechagodzilla (Terror of Mechagodzilla)

Ishiro Honda retorna para encerrar a era Showa, colocando os alienígenas contra a Terra com um Mechagodzilla reconstruído e um novo monstro, Titanosaurus. Mas o que diferencia o filme é seu tom mais sombrio. A história do protagonista Mafune e sua filha Katsura dá ao filme uma dimensão trágica que poucos filmes dessa fase possuem. Katsura, transformada em ciborgue, é ao mesmo tempo vítima e instrumento dos alienígenas. É um encerramento muito mais melancólico do que eu esperava da era Showa.

25. Godzilla Batalha Final (Godzilla: Final Wars)

Todos os monstros do mundo começam a atacar ao mesmo tempo enquanto uma equipe de mutantes enfrenta a raça alienígena Xilien. O diretor Ryuhei Kitamura basicamente decidiu fazer um videoclipe de duas horas com Godzilla. E eu digo isso como elogio. É rápido, colorido, exagerado e completamente sem vergonha. Godzilla enfrenta monstros clássicos, os humanos saem por aí dando golpes de artes marciais e até o Godzilla de 1998 do Roland Emmerich – agora chamado apenas de Zilla – aparece para ser humilhado. Não é sutil. Nem tenta ser. É simplesmente o maior espetáculo possível do Rei dos Monstros.

24. Godzilla vs. Mechagodzilla II (1993)

A ONU cria um novo Mechagodzilla usando tecnologia baseada no Mecha-King Ghidorah enquanto Godzilla encontra um ovo que dá origem a um Baby Godzilla. O grande mérito é conseguir transformar uma batalha entre monstros em algo emocional. O design do Mechagodzilla é excelente, as lutas são intensas e a relação entre Godzilla e Baby Godzilla adiciona uma dimensão quase paternal ao personagem. A trilha de Akira Ifukube também eleva bastante o drama. É um dos filmes que melhor entende que Godzilla pode ser uma criatura assustadora e, ao mesmo tempo, alguém pelo qual você consegue sentir alguma coisa.

23. Godzilla vs. Mothra (1992)

Um meteoro desperta os monstros Mothra e Battra enquanto Godzilla volta a atacar. Visualmente, é um dos filmes mais bonitos desta era do Rei dos Monstros. Mothra está em ótima forma, Battra possui um design excelente e a ideia de apresentar uma criatura que inicialmente parece inimiga, mas possui uma relação muito mais complexa com a humanidade, funciona muito bem. E então temos o final, quando os três monstros se unem. É simplesmente uma ótima batalha de kaijus.

22. Godzilla vs. Mechagodzilla (1974)

Alienígenas do Planeta Buraco Negro constroem um robô disfarçado de Godzilla para conquistar a Terra, enquanto os humanos recebem a ajuda do monstro King Caesar, o guardião de Okinawa. A estreia de Mechagodzilla nos cinemas é um dos melhores momentos da era Showa. O filme tem reviravoltas, ação, uma identidade visual muito forte e uma luta final excelente. Mechagodzilla continua sendo um dos designs mais icônicos da franquia justamente porque parece uma versão industrial e quase monstruosa do próprio Godzilla.

21. Son of Godzilla (1967)

Cientistas realizam experimentos climáticos na ilha Sollgel e acabam despertando insetos gigantes e provocando o nascimento de Minilla – o filho do Godzilla que dá título ao longa. É um filme muito mais simpático do que deveria ser. A relação entre Godzilla e Minilla dá ao personagem um lado quase paternal, enquanto os monstro Kumonga garantem boas cenas de ação. A ilha também cria uma atmosfera de aventura que diferencia o filme dos outros da era Showa. É estranho, divertido e surpreendentemente carinhoso.

20. Godzilla Contra o Monstro do Mal (Godzilla vs. King Ghidorah)

Viajantes do futuro voltam a 1944 para impedir o nascimento de Godzilla e, no processo, criando King Ghidorah. A viagem no tempo é completamente absurda, mas funciona dentro da lógica maluca da franquia. A origem de Godzilla ganha uma nova dimensão interessante e o vilão Mecha-King Ghidorah é simplesmente incrível. É um daqueles roteiros que só poderiam existir em Godzilla. E justamente por isso eu adoro.

19. Godzilla vs. SpaceGodzilla (1994)

Células do Godzilla viajam pelo espaço e dão origem a SpaceGodzilla, que chega à Terra cercado por cristais gigantes e com poderes absurdos. SpaceGodzilla tem um dos designs mais marcantes da era Heisei e a presença do robô Moguera deixa a ação ainda mais dinâmica. Também existe espaço para Little Godzilla (filho do Godzilla) e para a equipe humana do filme criando uma mistura bastante divertida de ficção científica, monstros e aventura. É exagerado, mas visualmente muito criativo.

18. O Retorno de Godzilla (Godzilla 1985)

Depois de quase uma década, Godzilla retorna ao Japão. Um submarino soviético é destruído e o monstro surge novamente em plena Guerra Fria, colocando Japão, Estados Unidos e União Soviética diante do risco de uma nova catástrofe nuclear. O filme abandona completamente a leveza dos últimos anos e devolve ao personagem seu peso original. É sombrio, político e sério. Godzilla volta a ser uma ameaça, não um herói.
E isso faz toda a diferença.

17. O Despertar dos Monstros (Destroy All Monsters)

Os kaijus agora vivem na Ilha dos Monstros até que alienígenas da raça Kilaak assumem o controle e os usam para atacar as principais cidades do mundo. É basicamente o primeiro grande crossover de Godzilla. Tem Godzilla, Rodan, Mothra, Anguirus, Minilla, King Ghidorah e vários outros monstros destruindo cidades ao redor do planeta. E quando todos se encontram no Monte Fuji para enfrentar King Ghidorah, o filme finalmente entrega exatamente aquilo que o título promete. É espetáculo puro. E funciona maravilhosamente bem como um grande final para a primeira era da franquia.

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16. Godzilla vs. Hedorah (1971)

O monstro Hedorah nasce da poluição e evolui até se transformar em uma ameaça gigantesca. A partir daí, Godzilla vs. Hedorah praticamente abandona qualquer tentativa de parecer normal. É psicodélico, estranho, cheio de animações, cortes inesperados e uma trilha completamente diferente do resto da franquia. Mas por trás de toda essa loucura existe uma crítica ambiental bastante direta. Hedorah também é um dos monstros mais nojentos e perturbadores da série, justamente porque parece menos um animal e mais uma doença tomando conta do planeta. E sim, existe a famosa cena em que Godzilla voa usando o próprio sopro atômico. É tão absurda, mas ao mesmo tempo é instantemente icônica.

15. Ghidorah, O Monstro Tricéfalo (Ghidorah, the Three-Headed Monster)

Uma princesa que afirma ser do planeta Vênus alerta a humanidade sobre a chegada de King Ghidorah, enquanto Mothra tenta convencer Godzilla e Rodan a se unirem contra ele. E aqui nasce uma das maiores figuras da franquia. O vilão King Ghidorah não é apenas mais um monstro: ele é uma ameaça cósmica. Um dragão dourado de três cabeças que chega à Terra para destruí-la. E a ideia de Godzilla e Rodan discutindo sobre se deveriam ajudar os humanos enquanto Mothra tenta convencê-los é maravilhosa. A conversa entre os monstros é uma das cenas mais famosas da franquia. É o momento em que Godzilla deixa de ser apenas um monstro japonês e começa a se transformar em um universo.

14. Godzilla (2014)

A ressurreição da franquia.

A nova versão Estadunidense que traz o Rei dos Monstros de volta aos holofotes e que marca o início do “MonsterVerse”. O diretor Gareth Edwards entende uma coisa muito importante: Godzilla precisa parecer grande. O filme segura o monstro por bastante tempo e constrói sua presença aos poucos. Quando finalmente vemos Godzilla em toda a sua escala, o efeito é impressionante. O rugido, a fotografia, o som e a sequência do salto HALO criam uma sensação de espetáculo que poucos filmes americanos de monstros conseguem alcançar. Os personagens e o drama humano infelizmente são muito fracos, mas quando Godzilla aparece, o filme lembra exatamente por que estamos aqui.

13. Godzilla Contra Mechagodzilla (2002)

O novo Mechagodzilla, chamado aqui de Kiryu, é construído usando o esqueleto do Godzilla original de 1954, e a protagonista Yuri começa a perceber que existe algo de errado em transformar os restos de uma criatura morta em uma nova arma. E essa é a grande força do filme para mim. O Mechagodzilla deixa de ser apenas um robô e passa a carregar a memória do próprio Godzilla. A ideia cria um dilema moral interessante, enquanto Yuri desenvolve uma relação quase espiritual com o monstro. A ação também é excelente e Kiryu continua sendo uma das versões mais bonitas de Mechagodzilla.

12. Godzilla e Kong: O Novo Império (Godzilla x Kong: The New Empire)

Kong encontra uma civilização de macacos gigantes na Terra Oca enquanto Godzilla faz as preparações para sua auto evolução. Este novos capitulo do MonsterVerse abandona qualquer pretensão de realismo. É puro espetáculo. A Terra Oca vira praticamente um parque de diversões, Mothra retorna, Kong ganha um braço mecânico e Godzilla passa boa parte do filme simplesmente destruindo tudo pelo caminho. Não tem a profundidade de outros filmes da franquia, mas também não precisa ter. Ele sabe exatamente o que quer ser e entrega.

11. Godzilla vs. Biollante (1989)

Um cientista mistura células de Godzilla com as de uma rosa e cria o monstro Biollante. É uma das ideias mais estranhas e interessantes da era Heisei. O filme trabalha com manipulação genética, armas biológicas e a possibilidade de misturar DNA humano com o de Godzilla. E Biollante é um dos monstros mais criativos de toda a franquia. Todos estes elementos ajudam a criar uma história que parece muito mais ambiciosa do que um simples filme de monstros. É estranho, melancólico e visualmente memorável.

10. Godzilla: Rei dos Monstros (Godzilla: King of the Monsters)

A sequência do “Godzilla” de Gareth Edwards que traz King Ghidorah, Rodan e Mothra de volta aos cinemas e pela primeira vez em um filme estadunidense. Os humanos são, com toda a certeza, a parte mais fraca do filme. Mas os monstros são ótimos. O diretor Michael Dougherty parece ter decidido simplesmente abrir uma caixa de brinquedos e colocar todos os monstros que queria na tela. Mothra, Rodan, Ghidorah e Godzilla recebem momentos gigantescos, e a trilha de Bear McCreary homenageia diretamente os temas clássicos. É uma homenagem apaixonada à mitologia de Godzilla.

9. Godzilla vs. Kong (2021)

Na última vez que Godzilla e King Kong se enfrentaram, estávamos na década de 60, agora Hollywood com seu MonsterVerse traz sua versão atualizada dos clássicos monstros se enfrentando. A luta em Hong Kong é exatamente o tipo de espetáculo que eu queria ver de um filme chamado Godzilla vs. Kong. O neon, a destruição, Mechagodzilla aparecendo no terceiro ato e a batalha entre os três monstros funcionam muito bem. E, curiosamente, Kong acaba sendo o coração do filme. Sua relação com a personagem Jia dá ao personagem uma dimensão emocional que impede que ele seja apenas o outro gigante da luta. Adam Wingard simplesmente entendeu o recado.

8. Godzilla Contra a Ilha Sagrada (Mothra vs. Godzilla)

Um gigantesco ovo de Mothra aparece em uma praia enquanto humanos gananciosos se recusam a devolver a criatura ao seu povo. Então Godzilla surge. E aqui ele volta a ser assustador. Ele emerge do solo como uma força destrutiva, atravessa cidades e enfrenta Mothra em uma batalha que consegue equilibrar fantasia e destruição. A imagem de Mothra morrendo depois de enfrentar Godzilla e suas larvas assumindo a luta é uma das mais bonitas da era Showa.

7. Godzilla: Tokyo S.O.S. (2003)

Continuação direta de Godzilla Against Mechagodzilla, o filme coloca Mothra contra o Japão. É uma história surpreendentemente muito bem amarrada. A mitologia de Mothra, o dilema envolvendo Kiryu e o peso dos ossos do Godzilla original criam uma narrativa muito mais emocional do que eu esperava e a ação é bastante eficiente. É uma continuação que entende exatamente o que funcionou no primeiro filme.

6. Shin Godzilla (2016)

Shin Godzilla talvez seja o filme que melhor mostra como você ainda pode reinventar Godzilla sem simplesmente repetir a mesma história. Aqui, o monstro é um organismo que evolui constantemente. Começa como uma criatura quase grotesca, rastejante e incompleta, até se transformar naquele colosso que atravessa Tóquio destruindo tudo em seu caminho. Mas o verdadeiro alvo do filme não é apenas Godzilla. É a burocracia. As reuniões intermináveis, a lentidão das decisões, a quantidade absurda de departamentos envolvidos e a incapacidade de um sistema inteiro de reagir rapidamente diante de uma catástrofe fazem do filme uma crítica bastante clara à resposta japonesa ao desastre de Fukushima. E a influência de Neon Genesis Evangelion (o diretor deste filme é o mesmo criador deste clássico anime) está em praticamente cada escolha. Os diálogos acelerados, a linguagem visual das salas de comando, a Operação final, a trilha de Shiro Sagisu e até alguns conceitos visuais remetem diretamente à obra de Hideaki Anno. É exatamente o que esperamos de Anno ao receber a oportunidade de fazer seu próprio filme de Godzilla. O resultado é um Godzilla frio, estranho e totalmente assustador.

5. Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack (2001)

Aqui Godzilla não é herói. Ele é a própria vingança. O filme transforma o monstro em uma manifestação das almas dos mortos na guerra, enquanto os monstros Baragon, Mothra e King Ghidorah aparecem como criaturas guardiãs tentando detê-lo. O Godzilla do realizador Shusuke Kaneko é um dos mais assustadores de toda a franquia. Os olhos brancos, a expressão quase morta e a maneira como ele simplesmente avança destruindo tudo fazem dele uma presença muito mais próxima de uma força sobrenatural do que de um animal. E a ideia de transformar Godzilla em uma representação dos mortos da guerra é uma das melhores utilizações da metáfora original do personagem. É um filme de monstros que entende perfeitamente que Godzilla nasceu do trauma.

4. Godzilla (1954)

O clássico.

Tudo começa aqui. Depois dos testes nucleares, uma criatura surge do mar e começa a destruir Tóquio. Mas Godzilla nunca foi realmente sobre um monstro gigante. O monstro é a consequência. É Hiroshima, Nagasaki, o medo nuclear e a lembrança ainda recente de uma população que conhecia muito bem o que uma explosão podia fazer. Ishiro Honda trata Godzilla como uma tragédia, não como uma aventura. A destruição da cidade é filmada quase como um documentário de guerra, enquanto o Dr. Serizawa precisa decidir se utiliza o Destruidor de Oxigênio, uma arma que pode acabar com Godzilla, mas também cria um novo tipo de horror. Com a música de Akira Ifukube e os efeitos de Eiji Tsuburaya, o filme continua impressionante mesmo décadas depois. É o nascimento de um dos maiores monstros do cinema — e também, a primeira vez em que Godzilla foi tratado como algo muito maior do que um monstro.

3. Godzilla vs. Destoroyah (1995)

O corpo do Godzilla está entrando em colapso nuclear. E, pela primeira vez, sabemos que ele vai morrer. Godzilla vs. Destoroyah foi pensado como uma despedida, e o filme não tenta esconder isso. O corpo do monstro está literalmente queimando por dentro, enquanto o vilão Destoroyah nasce dos mesmos microorganismos relacionados ao Destruidor de Oxigênio que matou o Godzilla original. É um filme muito mais triste do que eu esperava de uma produção de Godzilla. Godzilla está morrendo. O Filho do Godzilla precisa lidar com a possibilidade de perder o pai. E o próprio filme parece estar se despedindo de uma versão do personagem que existia há décadas. A trilha de Akira Ifukube torna tudo ainda mais doloroso. É a morte do Rei dos Monstros. E, dessa vez, ela realmente dói.

2. Godzilla Minus Zero (2026)

Continuação direta de Minus One, situada em 1949 e novamente dirigida por Takashi Yamazaki. O protagonista Koichi tenta reconstruir sua vida ao lado de Noriko e da pequena Akiko enquanto o Japão ainda tenta se recuperar das feridas causadas pelo Godzilla. E então uma nova ameaça surge na figura do famoso vilão – King Ghidorah. Essa sequência aumentar justamente aquilo que tornou o anterior tão poderoso: o peso das perdas, o trauma de uma sociedade destruída e a sensação de que a situação se agrava a cada novo segundo. É também o primeiro filme japonês da franquia gravado para IMAX. Se Minus One era sobre sobreviver ao fim da guerra, Minus Zero parece interessado em perguntar o que acontece depois que você sobrevive.

1. Godzilla Minus One (2023)

Para mim, o melhor filme do Rei dos Monstros. Na trama, um piloto kamikaze que desertou, retorna a um Japão completamente destruído pela guerra e tenta reconstruir a própria vida enquanto carrega a culpa por ter sobrevivido. Então Godzilla aparece.
E é aqui que Takashi Yamazaki entende algo fundamental sobre o personagem: Godzilla funciona melhor quando sua destruição tem peso humano.

O filme não trata Godzilla simplesmente como um espetáculo. Cada ataque representa mais uma perda para um país que acabou de sair de uma guerra. Cada pessoa que morre aumenta o trauma de quem ficou. E é justamente por isso que o filme consegue equilibrar tão bem o drama humano e o horror monstruoso. Godzilla é assustador, cruel e imprevisível. Não existe aquela sensação de que ele está ali para salvar alguém. Ele é uma força da natureza, e os humanos precisam encontrar uma maneira de sobreviver a ele.

Godzilla Minus One não é apenas um grande filme de Godzilla. É um grande filme. E, para mim, é o melhor Godzilla já feito.

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