As melhores comédias românticas originais da Netflix
A Netflix ressuscitou as comédias românticas quando os cinemas desistiram do gênero. Aqui estão os dez melhores originais do catálogo, classificados com critério.
Em 2018, a comédia romântica estava praticamente morta nos cinemas americanos. O gênero que havia sustentado Hollywood por décadas, com Meg Ryan e Hugh Grant, Tom Hanks e Sandra Bullock, havia sumido das telas grandes para dar lugar a franquias de super-heróis e blockbusters de ação. Foi a Netflix que ressuscitou o gênero, e fez isso com uma combinação improvável: orçamentos pequenos, elencos sem estrelas de primeira linha e histórias que colocavam personagens até então ausentes do romance hollywoodiano no centro da tela.
A estratégia funcionou. Para Todos os Garotos que Já Amei chegou em agosto de 2018 e mudou a conversa sobre o que um filme de streaming podia ser. Desde então, a plataforma lançou dezenas de comédias românticas originais, com qualidade bastante irregular. Esta lista reúne os dez melhores, priorizando filmes que fizeram algo além de executar a fórmula com competência.
Voicemails for Isabelle (2026)
Voicemails for Isabelle chegou em 2026 com uma premissa que, no papel, parece fácil de estragar: Jill (Zoey Deutch) processa o luto pela morte da irmã Isabelle deixando mensagens de voz no número dela, até que a operadora reatribui o número a Wes (Nick Robinson), que começa a ouvir as mensagens e se apaixona pela voz. É uma história sobre amor e perda que usa a tecnologia como gancho emocional de um jeito que evita o sentimentalismo fácil.
Deutch e Robinson já haviam contracenadojuntos antes, o que explica parte da química que o filme consegue construir rapidamente. Com 85% no Rotten Tomatoes e bom desempenho nas paradas da plataforma, Voicemails for Isabelle é o tipo de estreia de que a Netflix precisa para manter o gênero vivo em 2026.
Holidate (2020)
Holidate tem uma vantagem que poucos rom-coms de Natal conseguem: ele não é só um filme de Natal. A premissa, dois solteiros que combinam de ir juntos a todos os feriados do ano para escapar das perguntas invasivas da família, estica o conceito por doze meses e por isso o filme funciona em qualquer época do calendário, não só em dezembro.
Emma Roberts e Luke Bracey carregam o filme com química genuína, e o roteiro tem a inteligência de deixar os dois personagens serem explicitamente desagradáveis por boa parte do tempo antes de permitir que o amor apareça. É um detalhe que diferencia Holidate dos rom-coms onde os protagonistas são simpáticos desde o primeiro minuto, e que torna a virada mais convincente quando ela chega.
People We Meet on Vacation (2026)
Baseado no romance de Emily Henry lançado em 2021, People We Meet on Vacation chegou à Netflix em 2026 com uma das premissas mais simples do gênero: dois melhores amigos, opostos em tudo, que tiram férias juntos uma vez por ano. A narrativa não-linear intercala o presente, onde algo claramente errado aconteceu entre os dois, com os anos anteriores de viagens e aproximação gradual.
O que o filme captura bem é a dimensão de amizade que precede o romance, algo que comédias românticas frequentemente tratam como obstáculo e que aqui é o coração da história. Adaptações de Emily Henry têm sido um filão consistente para a plataforma, e People We Meet on Vacation confirma o padrão.
Love at First Sight (2023)
Hadley (Haley Lu Richardson) e Oliver (Ben Hardy) se conhecem no aeroporto de Nova York antes de um voo para Londres e perdem o contato logo depois. O filme usa uma narradora onisciente que interpreta os dados estatísticos do amor para comentar o que está acontecendo em cena, um recurso que poderia ser irritante e que a diretora Vanessa Caswill usa com leveza suficiente para funcionar.
O que eleva Love at First Sight acima da média é que as histórias paralelas dos dois protagonistas, cada um lidando com um evento familiar difícil em Londres, têm peso suficiente para existir independente do romance. Haley Lu Richardson, que é sistematicamente uma das melhores atrizes do cinema americano contemporâneo para papéis como esse, sustenta o filme quando o roteiro vacila.
The Incredible Jessica James (2017)
The Incredible Jessica James é um dos mais velhos desta lista e ainda um dos mais interessantes, porque o centro do filme não é o romance. É Jessica James (Jessica Williams), dramaturga em crise criativa e de autoestima depois de um término, que tenta construir sua vida em Nova York enquanto os contatos com o ex não param. O relacionamento com um desenvolvedor de aplicativos (Chris O’Dowd) existe mais como espelho para o que ela precisa resolver em si mesma do que como destino emocional do filme.
Williams entrega uma das melhores atuações do catálogo de comédias românticas da Netflix, e o roteiro do diretor Jim Strouse tem a sensatez de não suavizar as arestas do personagem para torná-la mais palatável. LaKeith Stanfield aparece em papel coadjuvante dois anos antes de Atlanta torná-lo um nome reconhecível, o que dá ao filme uma qualidade de time capsule interessante.
Set It Up (2018)
Set It Up foi o primeiro grande sucesso de comédia romântica original da Netflix antes de Para Todos os Garotos que Já Amei chegar alguns meses depois. Glen Powell e Zoey Deutch interpretam assistentes sobrecarregados que planejam fazer seus chefes se apaixonarem um pelo outro para ter a vida um pouco menos miserável, e acabam se apaixonando no processo.
A fórmula é clássica e o filme não tenta esconder isso. O que Set It Up tem de diferente é o ritmo, que é rápido o suficiente para não deixar o espectador pensar muito sobre o quanto os protagonistas são manipuladores, e um elenco de suporte (Lucy Liu e Taye Diggs como os chefes) que leva a comédia a sério. É um dos filmes mais reassistíveis do catálogo.
Alex Strangelove (2018)
Alex Strangelove é mais do que uma comédia romântica: é um filme de passagem que usa a estrutura do gênero para contar uma história de descoberta de sexualidade com mais honestidade do que a maioria dos filmes teen da época conseguia. Alex (Daniel Doheny) está namorando Claire, quer perder a virgindade, e de repente conhece Elliot, um garoto abertamente gay que desperta algo que ele não consegue mais ignorar.
O filme evita as armadilhas usuais do subgênero. Não há vilão, não há melodrama excessivo, e o personagem de Claire é tratado com respeito suficiente para que o espectador entenda que o problema de Alex não é ela. Com 90% no Rotten Tomatoes, Alex Strangelove é uma das obras mais subestimadas do catálogo de comédias românticas da Netflix.
The Half of It (2020)
Alice Wu levou doze anos para fazer seu segundo filme. O primeiro, Saving Face, de 2004, havia sido um marco discreto do cinema LGBTQ+ americano. The Half of It chegou em 2020 com 97% no Rotten Tomatoes e uma premissa que inverte o Cyrano de Bergerac: Ellie (Leah Lewis), estudante introvertida e brilhante, aceita escrever cartas de amor para o atleta Paul porque precisa do dinheiro, e descobre que está apaixonada pela mesma garota que ele.
O que torna The Half of It diferente da maioria dos filmes desta lista é que ele resiste ao final que o público espera. Ellie não fica com Aster. Paul não fica com Aster. O que o filme propõe é que o processo de se apaixonar, mesmo quando não resulta em nada, muda quem você é, e que isso já é suficiente. É uma posição corajosa para uma comédia romântica, e Wu a defende com precisão.
Meu Eterno Talvez (2019)
Ali Wong e Randall Park escreveram Meu Eterno Talvez (Always Be My Maybe) para si mesmos, o que explica por que os dois personagens têm uma dimensão que a maioria dos protagonistas de rom-com não consegue. Sasha é chefe famosa e bem-sucedida, Marcus ficou em San Francisco tocando em bares com a banda e vivendo no mesmo quarto de infância. Quinze anos depois de um incidente que os afastou, eles se reencontram.
O destaque que o marketing usou foi Keanu Reeves interpretando uma versão fictícia de si mesmo, num cameo que se tornou um dos momentos mais comentados do gênero nos últimos anos. Reeves, que era fã do especial de stand-up de Wong, respondeu ao convite com “seria uma honra fazer parte desta história de amor”. A cena dele é hilária, mas o que sustenta o filme são os dois protagonistas e o quanto Wong e Park entenderam que a especificidade cultural, a comunidade asiático-americana de San Francisco, a comida, as referências, faz a história universal de um jeito que o genérico nunca consegue.
Para Todos os Garotos que Já Amei (2018)
Para Todos os Garotos que Já Amei chegou à Netflix em agosto de 2018 e mudou o que a plataforma entendia que podia ser uma comédia romântica original. O filme foi o primeiro grande sucesso do gênero na plataforma, com Lana Condor como Lara Jean, uma adolescente coreana-americana cujas cartas de amor secretas para cinco garotos diferentes são misteriosamente enviadas a todos ao mesmo tempo.
A autora Jenny Han havia recusado adaptações que exigiam mudar a etnia da protagonista. A Netflix aceitou o projeto sem alterações, o que colocou Lara Jean no centro de uma história de amor adolescente num momento em que esse tipo de representação era raro. Condor e Noah Centineo construíram uma química que a plataforma tentou replicar em dezenas de projetos subsequentes com resultados variados. O original ainda é o melhor, e duas sequências completas o esperam para quem quiser continuar a história.