Capcom revela que abandonar o desenvolvimento por autores transformou a empresa
O presidente Haruhiro Tsujimoto deu a declaração durante entrevista à Famitsu e citou Pragmata como exemplo da nova era.
A virada que ninguém viu de fora
A Capcom vive um dos melhores momentos de sua história. Resident Evil Requiem vendeu mais de 6 milhões de unidades em menos de dois meses. Pragmata, seu primeiro IP completamente original em mais de uma década, lançado em 17 de abril, chegou a 1 milhão de cópias em 48 horas e a 2 milhões em duas semanas.
Quatro títulos da empresa aparecem entre os mais bem avaliados de 2026 até agora. A pergunta óbvia é como uma empresa com séries de décadas conseguiu se manter relevante enquanto outras murcharam. Haruhiro Tsujimoto, presidente e COO da Capcom, respondeu com franqueza em entrevista à Famitsu publicada esta semana.
A resposta tem um nome: abandono do desenvolvimento centrado em autores.
O problema com o modelo de autores
Durante anos, a Capcom funcionou como boa parte da indústria: as grandes franquias pertenciam a um criador específico. Se aquela pessoa não fizesse o próximo jogo, não havia próximo jogo. A direção da série ficava amarrada à visão de um único indivíduo.
Tsujimoto admitiu que esse modelo funcionou até certo ponto, mas começou a mostrar limitações especialmente depois que a Capcom abriu capital na Bolsa de Valores de Tóquio em 2000. Tornar acionistas felizes exige previsibilidade. A previsibilidade não combina com um modelo onde a sobrevivência de uma franquia depende da disponibilidade e vontade de uma pessoa específica.
A transição para o modelo de equipe
A mudança não foi imposta de cima para baixo. Tsujimoto disse que a empresa discutiu a questão diretamente com as figuras centrais por trás de cada franquia e chegou a um acordo conjunto: era hora de abandonar a abordagem individualista. A proposta substituta foi construir cada novo jogo do zero como um trabalho coletivo, onde o conhecimento acumulado pela equipe pode ser passado adiante para a próxima geração de desenvolvedores.
O presidente reconheceu que as vendas poderiam cair temporariamente durante a transição, e aceitou esse risco. O que a Capcom ganhou em troca foi consistência: séries como Resident Evil, Devil May Cry e Monster Hunter conseguem sobreviver a trocas de diretor sem perder identidade porque o DNA das franquias pertence à equipe, não a um indivíduo.
Pragmata como prova do modelo
Tsujimoto apontou Pragmata como o exemplo mais recente e mais claro de como o desenvolvimento coletivo funciona na prática. O jogo foi desenvolvido majoritariamente por uma equipe jovem dentro da Capcom, anunciado em 2020 e lançado após vários adiamentos em abril de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, com nota 85 no Metacritic e 8,9 de avaliação dos jogadores.
O sucesso imediato de vendas levou a empresa a confirmar que considera transformar Pragmata em franquia, com o diretor Cho Yonghee declarando que uma sequência é algo que deseja.