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Cate Blanchett lamenta que o movimento #MeToo ‘foi morto muito rapidamente’

Cate Blanchett lamenta em Cannes o declínio do movimento #MeToo e critica a persistência do desequilíbrio de gênero nos sets de filmagem.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
2 min de leitura
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Cate Blanchett participou de uma conversa com o moderador Didier Allouch no Festival de Cannes 2026 e voltou a um tema que a acompanha desde que presidiu o júri do festival em 2018, no auge do movimento #MeToo. Para ela, o legado do movimento foi interrompido antes de cumprir seu potencial.

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“Há muitas pessoas com plataformas que podem falar com relativa segurança e dizer que isso aconteceu comigo, e a chamada mulher comum na rua está dizendo #MeToo. Por que isso é silenciado?”, questionou a atriz. “O que o movimento revelou é uma camada sistêmica de abuso, não apenas nessa indústria, mas em todas as indústrias. Se você não identifica um problema, não pode resolvê-lo.”

Contagem diária nos sets de filmagem

Blanchett também falou sobre o desequilíbrio de gênero que ainda encontra nos bastidores do cinema. “Ainda estou em sets de filmagem e faço a contagem todos os dias. São 10 mulheres e 75 homens todas as manhãs. Eu amo os homens, mas o que acontece é que as piadas ficam sempre as mesmas. Você apenas tem que se preparar levemente, e eu já estou acostumada, mas fica entediante para todo mundo quando você entra em um ambiente de trabalho homogêneo. Acho que isso tem um efeito no trabalho.”

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Julianne Moore fez eco à crítica durante sua própria participação em Cannes. “Lembro de estar em um set não faz muito tempo onde as únicas mulheres éramos eu e a terceira assistente de câmera. Foi quando Hillary Clinton perdeu a eleição e nós duas estávamos arrasadas. Eu disse: ‘Olhe ao redor. Somos as únicas aqui.'”

A marcha de 2018 e os números que a motivaram

Em 2018, Blanchett liderou uma marcha de mulheres nos degraus do Palais des Festivals ao lado de Kristen Stewart, Léa Seydoux, Ava DuVernay, Agnès Varda e outras 77 mulheres. O número 82 não foi por acaso: representava a quantidade de diretoras que haviam competido em Cannes ao longo de toda a história do festival, contra 1.866 diretores homens no mesmo período.

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“Mulheres não são uma minoria no mundo, mas o estado atual da indústria diz o contrário”, afirmou Blanchett na época. A frase segue atual oito anos depois, e sua presença em Cannes em 2026 com o mesmo discurso reforça que pouco mudou no intervalo.

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