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Julianne Moore fala sobre representação feminina e revela que evita tragédias em novos projetos

Julianne Moore fala sobre representação feminina no cinema, como escolhe seus papéis e define Meryl Streep como "o padrão ouro" da atuação.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Julianne Moore participou de uma conversa com a Variety durante o Kering Women in Motion Talk, em Cannes, neste sábado. A atriz vencedora do Oscar recebeu o prêmio Women in Motion da Kering nesta edição do festival e aproveitou o espaço para refletir sobre décadas de carreira, representação feminina no cinema e como escolhe seus projetos hoje.

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“Como atriz, você faz parte de uma economia de trabalhos temporários — você vai de um emprego para o próximo. Quando percebe que está sendo celebrada ou convidada a falar sobre o que ficou para trás, é como: uau. Isso é algo que criei na minha vida. É um belo ponto de reflexão.”

Representação em queda e um problema global

Moore foi questionada sobre um estudo recente que apontou queda na presença de mulheres em papéis principais nos filmes mais rentáveis de 2025, caindo para 37% em relação a 47% no ano anterior. Para ela, o problema vai muito além de Hollywood.

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“Não há representação nos cargos de liderança das empresas, não há representação na mídia, não há representação no ensino superior. Há muitos lugares onde não temos a representação que merecemos. É um problema maior.”

A solução, segundo ela, passa por consistência e alianças. “Como um rato atravessa uma parede? Uma mordida de cada vez. Você faz isso devagar, com constância, com consciência, fazendo escolhas, falando alto, usando seu privilégio, contratando mais, falando sobre alianças.”

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Moore foi enfática ao apontar as mulheres como protagonistas dessa mudança: “Mulheres são as maiores aliadas umas das outras — esse é o segredo. Somos nós que nos apoiamos, somos nós que nos contratamos, somos nós que contamos histórias sobre nós mesmas.”

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Sem tragédias, sem explosões

Ao falar sobre como escolhe seus projetos atualmente, Moore revelou uma mudança clara de apetite. “Estou cada vez menos interessada em tragédia. Especialmente agora, num momento em que as coisas estão difíceis globalmente, é difícil para mim me investir em uma história que parece fingida, onde a profundidade da emoção não está à altura do que acontece no mundo.”

A atriz foi direta sobre o que a afasta de determinados projetos: “Não gosto de assassinatos. Não gosto de explosões e armas. Não gosto de histrionismo. Não gosto de coisas que aumentam as apostas sem sentimento real por baixo. Isso me incomoda porque é só ruído. Não sei como interpretar isso. Não quero assistir.”

Meryl Streep como referência

Olhando para trás, Moore falou sobre a influência de Meryl Streep em sua trajetória, com quem contracenou em As Horas. A definição foi direta: “Ela é o padrão ouro.”

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“Cresci assistindo televisão e filmes e vendo estrelas de cinema. Ela foi a primeira mulher que vi que parecia tocável e intocável ao mesmo tempo. Havia algo muito humano nela e algo muito moderno. Era uma atriz que era a próxima grande coisa, e era tão precisa no que fazia, tão moderna e acessível, mas ao mesmo tempo glamourosa e corajosa. Sinto que ela acendeu uma chama em todos nós em termos do que queríamos ser e do que sentíamos que podíamos alcançar no trabalho.”

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