Cavalo de Troia de A Odisseia nasceu de projeto cancelado de Nolan
Christopher Nolan revela que a cena do Cavalo de Troia em A Odisseia nasceu de uma ideia criada para o filme Troia, de 2004.
A ideia que Nolan carregou por 20 anos até finalmente usá-la em A Odisseia
Existe uma imagem que Christopher Nolan guarda na cabeça desde 2004: um cavalo de Troia meio afundado na areia, abandonado à própria sorte pela maré. Ele nunca conseguiu usá-la, porque o filme para o qual a criou nunca aconteceu. Duas décadas, nove longas e um Oscar de melhor diretor depois, essa imagem finalmente chegou às telas em A Odisseia.
A história começa antes de Nolan virar Nolan. No início dos anos 2000, ele esteve brevemente cotado para dirigir Troia, adaptação de A Ilíada que acabou nas mãos de Wolfgang Petersen e chegou aos cinemas em 2004 estrelada por Brad Pitt. O projeto não vingou para Nolan, mas o tempo que ele passou pensando em como tornar o Cavalo de Troia crível para o público deixou uma marca duradoura.
Um cavalo que nunca teve rodas
A ideia de Nolan rompia com a representação clássica do artefato: em vez de uma estrutura de madeira grosseira sobre rodas, deixada estrategicamente às portas de Troia como isca óbvia, ele imaginava o cavalo meio enterrado na areia, prestes a ser levado pelas ondas, como se os próprios troianos precisassem resgatá-lo do mar antes de arrastá-lo para dentro da cidade como um troféu de guerra. Sem rodas, sem aparência de armadilha.
Segundo o diretor, contou ao Hollywood Reporter, foi justamente esse detalhe que se tornou o critério que orientou toda a produção de A Odisseia: como apresentar cada sequência ao público de um jeito que ele realmente acreditasse estar vendo aquilo pela primeira vez, sem parecer artificial.
O caminho que Nolan seguiu no lugar de Troia
Perder o posto em Troia acabou abrindo espaço para que Nolan assumisse Batman Begins, dando início à trilogia que o transformou em um dos diretores mais bancáveis de Hollywood. De lá para cá vieram A Origem, Interestelar, Dunkirk e Oppenheimer, filmes que juntos somam mais de US$ 7 bilhões em bilheteria mundial.
Uma reportagem recente da revista Time aponta algo curioso: mesmo sem conseguir fazer A Odisseia na época, Nolan parece ter carregado ecos da jornada de Ulisses por toda sua filmografia. Homens que sacrificam tudo por uma causa maior aparecem em Batman Begins, Interestelar e Oppenheimer; a saudade de voltar para casa e para os filhos atravessa A Origem e O Grande Truque; estruturas narrativas fragmentadas e não lineares definem praticamente todos os seus roteiros. Só faltava mesmo dirigir a fonte original dessas obsessões.
Um mantra que também explica o que ficou de fora
O mesmo raciocínio por trás do cavalo levou Nolan a cortar até uma das piadas mais famosas da literatura ocidental, o trocadilho de Ulisses se apresentando como “Ninguém” ao ciclope Polifemo. Segundo o diretor, a lógica era sempre a mesma pergunta: como apresentar cada elemento da história de um jeito que o público moderno aceitasse como verdade, e não como recurso datado de um texto de quase três mil anos.
A Odisseia estreia nos cinemas em 17 de julho, com Matt Damon como Ulisses, ao lado de Anne Hathaway, Tom Holland, Robert Pattinson e Zendaya.