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Células cerebrais humanas aprendem a jogar Doom e abrem nova era na computação

A startup Cortical Labs ensinou milhares de células cerebrais humanas cultivadas em laboratório a jogar o clássico Doom utilizando programação em Python.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Um aglomerado de células cerebrais humanas, neurônios, cultivadas em laboratório provou que é capaz de jogar o clássico jogo de tiro Doom. O feito histórico foi alcançado pela empresa australiana Cortical Labs, que criou um biocomputador inovador combinando tecido vivo com microeletrodos tradicionais. Embora o desempenho no jogo ainda não se compare à habilidade de um jogador humano experiente, o sistema já consegue jogar de forma muito mais intencional do que uma inteligência artificial atirando aleatoriamente.

Essa não é a primeira vez que a empresa une biologia e videogames em seus laboratórios experimentais. A equipe de cientistas já havia utilizado os seus chips neurais para jogar uma partida virtual de Pong no ano de 2021. Naquela época, o projeto exigiu quase um ano e meio de trabalho árduo de uma equipe científica especializada para fazer com que as células aprendessem a controlar as raquetes digitais na tela.

A grande revolução desse novo experimento com o jogo Doom está na facilidade e na velocidade absurda de desenvolvimento alcançadas pela equipe. A Cortical Labs lançou uma nova interface que permite aos desenvolvedores programarem esses chips biológicos utilizando comandos simples na linguagem Python. Essa ferramenta versátil facilitou imensamente a comunicação direta entre o código digital do jogo e os impulsos elétricos emitidos e recebidos pelos neurônios.

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A ponte entre a biologia e a programação em Python

O poder dessa nova interface de programação provou o seu valor prático graças ao trabalho do desenvolvedor independente Sean Cole. Ele precisou de apenas uma semana de trabalho escrevendo códigos em Python para ensinar a rede de células a compreender e a interagir com o complexo ambiente tridimensional de Doom. O mais impressionante é que o programador conseguiu esse resultado notável mesmo possuindo pouquíssima experiência prévia no campo da biologia computacional.

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Os cientistas destacam que os biocomputadores aprendem de maneira incrivelmente mais rápida e eficiente do que os sistemas tradicionais de aprendizado de máquina baseados no silício. O diretor Brett Kagan explicou que a nova plataforma da empresa democratiza o acesso a essa tecnologia de ponta através de uma linguagem perfeitamente acessível para os profissionais de tecnologia da informação e gerenciamento de sistemas.

As promessas para a tecnologia no mundo real

Especialistas do setor acreditam que a vitória no jogo virtual é apenas o primeiro grande passo em direção a aplicações reais no nosso cotidiano. O professor Andrew Adamatzky ressalta que Doom exige decisões rápidas e lida com um grau de imprevisibilidade muito próximo dos desafios do mundo real. Superar as adversidades dinâmicas e tridimensionais do clássico dos videogames serve como o campo de testes perfeito para validar a capacidade de raciocínio lógico dessas células.

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Os cientistas planejam utilizar toda essa capacidade orgânica de adaptação em tarefas de altíssima complexidade em um futuro próximo. O domínio da navegação pelo cenário virtual funciona como um excelente laboratório para o enorme desafio que seria controlar fisicamente um braço robótico de precisão cirúrgica em tempo real. A expectativa da indústria é que os futuros computadores biológicos híbridos também possam ajudar a gerenciar ecossistemas complexos de servidores e tomar decisões avançadas em infraestruturas pesadas de TI.

Tags: #Doom
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