Star Wars voltou aos cinemas, mas O Mandaloriano e Grogu tem a pior estreia da era Disney
O Mandaloriano e Grogu arrecada US$ 102 milhões no Memorial Day, mas registra a menor abertura de Star Wars desde a era Disney.
Star Wars voltou às telas grandes depois de sete anos de ausência, e o resultado foi ao mesmo tempo animador e preocupante. O Mandaloriano e Grogu encerrou o feriado prolongado do Memorial Day com aproximadamente US$ 102 milhões na bilheteria doméstica dos Estados Unidos, depois de um primeiro dia que deixou executivos da Disney e da Lucasfilm claramente tensos. O filme faturou US$ 33 milhões na sexta-feira de estreia, US$ 3 milhões a menos do que Han Solo: Uma História Star Wars arrecadou no mesmo dia em 2018, marcando assim a menor abertura da franquia na era Disney.
O contexto importa: o longa custou US$ 165 milhões, bem abaixo dos mais de US$ 250 milhões gastos em produções anteriores da saga, e tem uma natureza completamente diferente dos filmes da trilogia Skywalker, nascendo de uma série de streaming e apresentando personagens que não carregam o peso nostálgico dos filmes anteriores. Ainda assim, a comparação com Solo é inevitável, já que aquela produção se tornou o primeiro filme de Star Wars a dar prejuízo nos cinemas, encerrando sua trajetória com US$ 392 milhões globais.
O público criança salvou o fim de semana
O que virou o jogo a favor do filme foi o desempenho nas famílias com crianças pequenas. Grogu, o personagem que conquistou o mundo antes da pandemia e gerou mais de US$ 1 bilhão em produtos licenciados, provou ser um imã para o público infantil nas salas de cinema. Meninos abaixo de 13 anos deram ao filme nota máxima de 5 estrelas no serviço de pesquisa de saída PostTrak, e seus pais fizeram o mesmo. O CinemaScore geral do público foi A-, enquanto as crianças entregaram um A.
O score de audiência no Rotten Tomatoes chegou a 89%, o melhor de qualquer filme de Star Wars desde que a Disney assumiu a Lucasfilm em 2012. A crítica foi menos generosa, mantendo o filme em 62%, abaixo dos 69% que Solo obteve, mas a reação do público sugere que o filme tem potencial de pernas longas nas semanas seguintes.
O sábado mudou as projeções
Depois do susto da sexta-feira, o sábado trouxe alívio. O movimento espontâneo de famílias foi forte o suficiente para superar Solo no segundo dia, e a Disney começou a projetar um feriado de quatro dias entre US$ 97 milhões e US$ 102 milhões, bem acima das expectativas iniciais que giravam entre US$ 70 milhões e US$ 85 milhões. Estúdios rivais chegaram a ser mais otimistas que a própria Disney, projetando entre US$ 95 milhões e US$ 100 milhões para os quatro dias.
O filme reúne Pedro Pascal como Din Djarin, com Jon Favreau na direção a partir de roteiro que escreveu com Noah Kloor e Dave Filoni, atual presidente e diretor criativo da Lucasfilm após a saída de Kathleen Kennedy. Sigourney Weaver interpreta a Coronel Ward da Nova República, Jeremy Allen White dá voz a Rotta, o Hutt, e Martin Scorsese aparece como um memorável chef de quatro braços.
Obsession surpreende ainda mais que o Mandaloriano
O outro grande destaque do fim de semana não veio de uma franquia bilionária. Obsession, horror independente dirigido por Curry Barker para a Focus Features e a Blumhouse-Atomic Monster, faturou US$ 28 milhões em seu segundo fim de semana, um aumento de 30% sobre sua semana de estreia. Esse tipo de incremento é raríssimo na indústria e sinaliza um fenômeno de boca a boca que poucos filmes conseguem sustentar.
A Disney, por sua vez, ressalta que a bilheteria é apenas uma fatia da receita que um lançamento de Star Wars gera para o ecossistema completo da franquia, incluindo brinquedos, parques temáticos e aumento de assinaturas no Disney+. Se O Mandaloriano e Grogu confirmar as expectativas de pernas longas que o público infantil sugere, a conversa sobre sua estreia histórica pode ganhar um tom bem diferente nas próximas semanas.