Co-CEO da Samsung alerta para falta de chips em TVs e eletrodomésticos; preços devem subir
A escassez de memória afetará TVs e eletrodomésticos, alerta Co-CEO da Samsung. Crise deve durar até 2027 devido à IA.
O mercado de tecnologia recebeu um aviso severo nesta semana vindo diretamente do topo da Samsung. TM Roh, co-CEO da gigante sul-coreana, declarou que a atual crise de escassez de memória semicondutora atingiu um nível crítico e sem precedentes. O executivo deixou claro que a falta de componentes não se restringe mais apenas aos setores de computadores e smartphones, mas avança agora agressivamente sobre outras categorias de produtos essenciais.
Roh especificou que a indústria de televisores e eletrodomésticos inteligentes sofrerá impactos diretos nos próximos meses. A Samsung, que lidera o mercado global de TVs, observa um cenário onde a oferta de chips de memória não consegue acompanhar a demanda. O executivo afirmou categoricamente que “nenhuma empresa está imune” a essa nova realidade de mercado, o que coloca pressão sobre toda a cadeia de produção global.
O reflexo mais imediato dessa escassez chegará ao bolso do consumidor. O co-CEO não descartou o aumento de preços para o varejo, classificando o repasse de custos como “inevitável” diante da disparada nos valores dos componentes. A empresa busca estratégias de longo prazo com parceiros para mitigar o golpe, mas a situação exige medidas drásticas para manter a sustentabilidade do negócio.
A voracidade da Inteligência Artificial drena os estoques
A principal causa desse desequilíbrio reside na explosão da Inteligência Artificial. As grandes empresas de tecnologia, conhecidas como Big Techs, estão em uma corrida desenfreada para construir data centers capazes de suportar modelos de IA cada vez mais complexos. Essa demanda massiva drena praticamente toda a capacidade de produção de fornecedores como a Samsung e a SK hynix.
As fábricas priorizam a alocação de seus novos chips para o setor de IA, que oferece margens de lucro maiores e contratos volumosos. Isso deixa o mercado de consumo doméstico — que engloba desde geladeiras inteligentes até consoles de videogame — em segundo plano. A indústria chama esse fenômeno de “cherry-picking”, onde os fornecedores escolhem a dedo os clientes que receberão os lotes de memória, privilegiando apenas os gigantes da tecnologia.
Previsões alarmantes: crise até 2027 e alta de 50% nos preços
Os analistas de mercado traçam um futuro desafiador para os próximos anos. Relatórios recentes indicam que os preços de contrato de memórias DRAM devem subir mais de 50% apenas no primeiro trimestre de 2026. Esse aumento abrupto força os fornecedores a evitar contratos de longo prazo (LTAs), pois eles preferem vender seus estoques a preços atualizados e mais altos no mercado à vista.
Essa volatilidade impede que fabricantes de eletrodomésticos planejem seus custos com antecedência. Sem a segurança de preços estáveis, as marcas precisam reajustar as tabelas de venda com frequência. A projeção atual indica que essa instabilidade deve perdurar até, pelo menos, o ano de 2027.
Enquanto a “corrida do ouro” da IA continuar, a capacidade de produção de memórias permanecerá comprometida. O consumidor que planeja atualizar sua casa com dispositivos inteligentes deve se preparar para encontrar menos opções nas prateleiras e etiquetas de preço significativamente mais altas. A era da eletrônica barata e abundante parece ter entrado em uma pausa forçada pela revolução da inteligência artificial.