Por que Old Gods of Asgard ficaram fora de Control Resonant, segundo o diretor da Remedy
Control Resonant tem só um pôster da banda: Mikael Kasurinen quis música a serviço da história de Dylan Faden.
Quem jogou Control lembra do Labirinto de Cinzeiros. O corredor se retorce, as paredes giram e Take Control explode nos alto-falantes enquanto Jesse Faden atravessa um dos trechos mais memoráveis da Remedy. Em Control Resonant, quem esperava algo parecido encontra só um pôster dos Old Gods of Asgard na parede. Nenhuma música da banda toca no jogo.
A ausência foi uma decisão consciente. Mikael Kasurinen, diretor criativo da sequência, explicou o motivo numa longa entrevista: a história de Dylan Faden pedia outro tipo de energia.
Menos espetáculo, mais Dylan
Para Kasurinen, o estilo grandioso da banda combinava com o primeiro jogo, mas não com este. Control Resonant tem um protagonista mais introspectivo, e o diretor sentiu que montar um grande número musical desviaria o foco dos momentos de personagem. Sua filosofia, segundo ele, foi a de que menos é mais.
O contraste fica claro na própria comparação que ele faz. No Labirinto de Cinzeiros, a música era o centro da cena. Em Resonant, ela entra para ajudar o clima, quase como coadjuvante, enquanto a atenção fica em Dylan. Antagonistas, coadjuvantes e toda a narrativa, diz Kasurinen, giram em torno dele.
Faz sentido para o personagem. Dylan, irmão de Jesse, passou anos preso pelo Federal Bureau of Control e era uma das figuras mais perturbadoras do primeiro jogo. Agora acorda num mundo que não reconhece, numa Manhattan distorcida pela ameaça sobrenatural, e sai em busca da irmã desaparecida.
A banda que virou tradição da Remedy
Os Old Gods of Asgard não existem fora dos jogos, pelo menos não com esse nome. São o alter ego da banda finlandesa Poets of the Fall, parceira antiga do estúdio. A estreia veio em Alan Wake, de 2010, e a presença se repetiu a ponto de virar assinatura da casa.
O auge chegou com Alan Wake 2. Herald of Darkness embalou uma das sequências musicais mais comentadas do jogo e ganhou uma apresentação ao vivo no The Game Awards. No palco, Sam Lake, diretor criativo da Remedy e intérprete de Alan Wake, roubou a cena dançando ao lado da banda.
Por isso a ausência chamou atenção. Para muitos fãs, a banda já fazia parte do que se espera de um jogo da Remedy.
Uma sequência que arriscou mudar
A escolha musical acompanha outras rupturas. Control Resonant trocou o tom mais contido do original por uma estrutura de RPG de ação, com zonas mais abertas e combate corpo a corpo puxado pela Aberrant, a arma que muda de forma nas mãos de Dylan.
O jogo chegou em 24 de setembro ao PlayStation 5, ao Xbox Series X|S e ao PC, com versão física lançada em 15 de outubro. A recepção da crítica tem sido calorosa, o que sugere que a aposta de Kasurinen em mudar a fórmula, música incluída, deu certo.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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