A hora para fazer este artigo não poderia ser mais oportuna! Afinal estamos diante do lançamento do polêmico, aclamado e premiado solo do vilão Coringa.

Considerado por muitos o melhor vilão da história, o personagem possui uma legião de fãs que não se estrita apenas ao fandom da DC Comics, já que o Coringa se tornou uma figura de reconhecimento tanto no cinema quanto literatura, além de ter sido interpretado por atores famosos como Jack Nicholson e mais recentemente pelo Joaquin Phoenix.

Estamos falando aqui de um vilão que está sem sombra de dúvidas no topo da cultura Pop. E claro, isso sem mencionar o fato de que ele é o mais sinistro e assombroso antagonista do herói Batman. Sua popularidade é tremenda, tanto que chegou a ganhar um filme solo agora pelas mãos do diretor Todd Phillips, e segundo a Forbes, tem tudo para se tornar o filme de maior sucesso do mês de outubro de todos os tempos.

Mas antes dele se tornar esse personagem tão conhecido e amado que é hoje, ele passou por um complexo processo de criação, que até envolve serias polemicas, devido a contradições em várias entrevistas que seus criadores deram.

Então, vamos começar do princípio…..com sua primeira aparição nos quadrinhos.

O Coringa apareceu pela primeira vez em Batman#1, lançado na primavera de 1940, como o primeiro vilão do personagem homônimo, cerca de um ano após a estréia do herói em Detective Comics # 27, ainda em maio de 1939.

O vilão apareceu inicialmente como um assassino em série implacável, que matava suas vítimas com uma toxina que deixava os seus rostos sorrindo grotescamente. O personagem deveria ter sido morto nesta mesma edição, depois de ser esfaqueado no coração, ao menos, essa era a intenção inicial.

Mas o personagem se tornou bastante popular, que então um painel desenhado às pressas, indicando que o Coringa ainda estava vivo, foi adicionado a edição. O Coringa apareceu em nove das doze primeiras edições do Batman após isso.

POLÊMICO DESDE O INÍCIO

Os quadrinista Bill Finger, Bob Kane e Jerry Robinson são legalmente creditados como os criadores do personagem, mas suas versões durante a concepção do personagem se diferem totalmente, com cada um deles fornecendo uma própria visão do vilão.

É um fato que Finger construiu o personagem a partir da imagem do ator Conrad Veidt como o personagem Gwynplaine no filme de 1928, O homem que Ri (The Man Who Laughs). A semelhança é tão gritante que não há dúvidas em relação a inspiração para o visual do personagem.

Já Robinson, havia produzido um esboço baseado na carta de baralho coringa. Ele afirmou que foi o seu esboço do cartão em 1940 que servia como o conceito do personagem, mas que Finger, ainda associava ao retrato de Veidt.

É aqui que começa a primeira polemica do personagem: Quem de fato criou a sua aterrorizadora imagem?

Kane contratou Robinson, aos 17 anos, como assistente em 1939, depois de ver Robinson em uma jaqueta branca decorada com suas próprias ilustrações. Começando como letrista, Robinson rapidamente se tornou o artista principal da recém-criada série de quadrinhos do Batman.

Robinson tinha a intenção de criar um arqui-inimigo supremo que pudesse testar o Batman em todos os âmbitos, e não um típico ladrão de crime ou gangster para ser facilmente descartado. Ele queria um personagem exótico e duradouro para confrontar eternamente o herói.

Ele então, montou diabolicamente a figura do palhaço. Seus estudos na Universidade de Columbia o ensinaram que alguns personagens são feitos a partir de contradições, e ele fez disso uma bela peça durante a concepção do Coringa.

“Eu queria alguém visualmente chocante. Eu queria alguém que causasse uma impressão indelével, seria bizarro, seria memorável como o Corcunda de Notre Dame ou qualquer outro vilão que tivesse carateristas físicas únicas. “

Afirmou o quadrinista em entrevista

Robinson afirmou que Finger achou que o conceito do personagem estava incompleto, que faltava algo a mais, então ele veio e teve a genial ideia de se inspirar na imagem da Veidt, com o sorriso permanente e sinistro.

A partir de agora que a situação começa a se agravar.

Kane afirmava que o esboço de Robinson foi produzido apenas depois que Finger já havia mostrado a imagem de Gwynplaine do Veidt para ele, e que ela só foi usada como um design de cartão pertencente ao Coringa em suas primeiras aparições.

Finger disse que ele também foi inspirado por uma figura no Steeplechase Park em Coney Island que lembrava a cabeça de um Coringa, que ele esboçou e depois compartilhou com o futuro diretor editorial Carmine Infantino.

“Bill Finger e eu criamos o Coringa. Bill foi o escritor. Jerry Robinson veio até mim com uma carta do Coringa. É assim que eu vou resumir. Ele se parece com Conrad Veidt – você sabe, o ator de O Homem que Ri, de Victor Hugo. … Bill Finger tinha um livro com uma fotografia de Conrad Veidt e me mostrou e disse: ‘Aqui está o Coringa’. Jerry Robinson não teve absolutamente nada a ver com isso, mas sempre dirá que o criou até sua morte. Ele trouxe uma carta de baralho, que usamos para que fosse um cartão de visita do personagem.

Afirmava Kane.

Já Robinson, creditava a si mesmo, Finger e Kane pela criação do Coringa.

“Na primeira reunião em que mostrei o esboço do Coringa, Bill disse que o lembrava a imagem de Conrad Veidt em O homem que ri. Essa foi a primeira menção disso … Ele pode ser creditado e o próprio Bob também, todos nós tivemos um papel nisso. O conceito era meu. Bill terminou o primeiro roteiro do meu esboço da persona e o que deveria acontecer na primeira história. Ele escreveu o roteiro disso, então ele realmente foi co-criador, e Bob e eu terminamos o visual, então Bob também foi.

Finger forneceu sua própria versão dos fatos em 1966:

“Eu tinha recebido uma ligação de Bob Kane … Ele tinha um novo vilão em mente. Quando cheguei, ele estava segurando uma carta de baralho. Aparentemente, Jerry Robinson ou Bob, não me lembro quem, olhou para o cartão e eles tiveram uma ideia para um personagem … o Coringa. Bob fez um esboço. No começo, não parecia muito com o Coringa de hoje. Parecia mais um palhaço. Mas lembrei-me de que Grosset & Dunlap anteriormente emitiam edições muito baratas de clássicos de Alexandre Dumas e Victor Hugo … O volume que eu tinha era O homem que ri, onde o seu rosto era permanentemente operado para que ele sempre tivesse esse sorriso perpétuo. E parecia absolutamente estranho. Tirei a foto do livro e entreguei a Bob, que desenhou o perfil e deu a ele um aspecto mais sinistro. Então ele trabalhou no rosto; fez com que parecesse um palhaço, o que explicava seu rosto branco, lábios vermelhos e cabelos verdes. E então surgiu o Coringa!

Embora Kane se recusasse veementemente a compartilhar créditos por muitos de seus personagens, e claro, refutasse a alegação de Robinson até a sua morte, muitos historiadores citam Robinson pela criação do Coringa e Finger pelo desenvolvimento do personagem.

Os três quadrinista morreram, e a história nunca foi resolvida, nunca havendo um consenso entre eles sobre isso.

A única coisa que e fato ficou esclarecida, é que de fato Finger lançou a ideia de se basear em Conrad Veidt e obviamente, assim o fez.