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Crítica | 300: A Ascensão do Império – Irrelevante e atrasado demais

Da série: filmes que não precisavam de sequências.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
9 de julho de 2016 · 3 min de leitura
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Crítica | 300: A Ascensão do Império – Irrelevante e atrasado demais

Foi só quando os primeiros trailers e imagens de 300: A Ascensão do Império começaram a sair que realmente acreditei que este filme estava realmente sendo feito. Com um intervalo de 8 anos desde o lançamento do eletrizante filme de Zack Snyder, a Warner aposta em uma continuação/prelúdio desnecessário que não faz justiça ao original.

A trama do novo filme é curiosa. Começa antes dos eventos do primeiro filme, revelando como o conflito entre gregos e persas se intensificou com a chegada de Xerxes (Rodrigo Santoro, tão relevante aqui quanto no original), e se desenrola simultaneamente à batalha de Termópilas comandada pelo espartano Leônidas, agora colocando em foco as batalhas navais lideradas pelo ateniense Temístocles (Sullivan Stapleton) contra a implacável general persa Artemísia (Eva Green).

É incrível que, com um desenrolar temporal bem maior e mais complexo do que o primeiro, A Ascensão do Império soe tão vazio e que seus 102 minutos de projeção não cheguem a lugar algum. O risível roteiro de Zack Snyder e Kurt Johnstad, mais uma vez baseado na (inédita) graphic novel de Frank Miller, aposta em diversos flashbacks sobre a origem de personagens (algo que surge simplesmente para preencher espaço) ou ações que acabaram de acontecer (vide o regresso), e falha até mesmo em oferecer uma conclusão decente para a trama simplória – teimando em encerrar a projeção com um óbvio cliffhanger, ao contrário do primeiro filme. E sem comentários para as subtramas ridículas que tentam oferecer densidade a alguns personagens secundários: historinha de pai e filho na guerra, de novo?

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Aliás, o filme de Noam Murro (quem?) só fica pior quando nos lembramos do de Snyder. Falta a esta continuação um protagonista carismático como o Leônidas de Gerard Butler, que aqui é substituído pelo razoável Sullivan Stapleton, mas cujos discursos motivacionais e gritos de guerra empalidecem diante das divertidas frases de efeito do brutamontes espartano. E Murro sacrifica qualquer oportunidade de apresentar sua visão artística ao se limitar a (tentar) copiar o estilo de Zack Snyder, demonstrando ainda mais fascínio pelo slow motion exagerado e um irritante uso de sangue digital cuja artificialidade é berrante – sem nos esquecermos da fotografia green screen absurdamente luminosa de Simon Duggan.

O diretor até tenta promover um plano-sequência durante uma cena de batalha, mas surge apenas como mais uma genérica batalha mal orquestrada e que não empolga, decepcionando até mesmo na grande novidade da projeção: as batalhas navais, que são devidamente preparadas com a empolgante trilha sonora de Junkie XL mas não mostram a que vieram quando o confronto enfim acontece.

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Se existe um elemento válido em A Ascensão do Império é a Artemísia de Eva Green, que surge como uma vilã forte e ambiciosa. A atriz consegue roubar o filme para si em cada frame que aparece (confesso que me peguei torcendo por ela em determinado momento, meramente por seu carisma) e agrada por sua performance acertadamente exagerada – e sedutora.

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No fim, até mesmo os fãs do primeiro 300 precisam reconhecer que 300: A Ascensão do Império não era um filme que precisava ser feito. Tem suas qualidades aqui e ali, mas é um resultado assustadoramente aquém da produção de 2007 . Agora tenho medo de que este filme faça rios de dinheiro e a Warner aprove mais continuações.

300: A Ascensão do Império (300: Rise of the Empire, EUA – 2014)

Direção: Noam Murro
Roteiro: Zack Snyder e Kurt Johnstad, baseado na obra de Frank Miller
Elenco: Sullivan Stapleton, Eva Green, Rodrigo Santoro, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, David Wenham
Gênero: Ação
Duração: 102 min

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Tags: #Eva Green #Rodrigo Santoro #Zack Snyder
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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