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Crítica | A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos – Um verdadeiro sonho molhado

Freddy Krueger enfim é aproveitado na melhor sequência da franquia.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
1 de fevereiro de 2018 · 4 min de leitura
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Crítica | A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos – Um verdadeiro sonho molhado

Mesmo com a recepção medíocre de A Vingança de Freddy, sua arrecadação maciça imediatamente garantiu a produção de um novo capítulo de A Hora do Pesadelo. Porém, dessa vez, os produtores da New Line esperaram mais tempo para começar o projeto e conseguiram de volta o apoio de Wes Craven, que retornou para ajudar no roteiro daquele que viria a ser o melhor filme da série depois do original: Os Guerreiros dos Sonhos.

Mudando totalmente a ambientação dos primeiros filmes, o roteiro assinado por Wes Craven, Bruce Wagner, Frank Darabont (é) e o diretor Chuck Russell situa toda a trama em um hospital psiquiátrico. A jovem Kristen Parker (papel de estreia de Patricia Arquette) é enviada para a instituição após ser atacada em um sonho pelo maníaco Freddy Krueger (Robert Englund), que a atacou de forma que simule uma tentativa de suicídio. Lá, ela conhece a agora Dra. Nancy Thompson (Heather Langenkamp),que ajudará ela e um grupo de pacientes a encontrar uma forma de repelir Krueger.

Era disso que os fãs precisavam. Depois da decepcionante fantasia homoerótica em A Vingança de Freddy, Guerreiros dos Sonhos enfim entende o vasto potencial de Freddy Krueger e a maneira certa de explorar suas habilidades. Ao brincar mais com a lucidez do mundo dos sonhos, o filme abraça fortemente a fantasia e substitui os sustos por uma quantidade elegante de gore e efeitos especiais. Claro, uma fantasia, mas uma fantasia altamente sombria. É aqui que Freddy começa a ficar mais imaginativo, rendendo memoráveis sequências como aquela em que se transforma em uma cobra gigante, sua súbita aparição de dentro de um televisor (“Welcome to prime time, bitch!”) e, claro, a mais elaborada cena de morte da franquia – e uma das melhores do cinema, provavelmente – quando o assassino surge como um grande ventríloquo e faz do pobre Phillip (Bradley Gregg) uma marionete humana com suas veias e tripas. O fato de a série nunca ter sido indicada a um Oscar por seus efeitos de maquiagem é realmente assustador.

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Guerreiros também se beneficia de um elemento-chave: Nancy compartilha com os pacientes do instituto suas próprias experiências com Krueger e, após anos estudando a psicologia dos sonhos, começa a ensiná-los a lutar de volta. Entra o elemento do sonho lúcido, isto é, quando estamos sonhando e temos noção de que tudo é de fato um sonho; então se isto se passa apenas em minha mente, posso manipular tudo à minha vontade, não? Esta é a lógica do roteiro para que o grupo de jovens desequilibrados combata Krueger, e empolga. Temos um duelo de facas e seringas, saltos mortais na parede e até um garoto transformando-se em um mago, tendo Krueger manipulando seus medos de forma grandiosa; a luva formada por seringas e a mortal cadeira de rodas mecânica são alguns exemplos notáveis.

Aqui, também temos a introdução sobre o passado de Freddy, algo que viria a ser explorado fortemente nos capítulos adiante. É interessante pelo mistério criado em torno da freira vivida por Nan Martin (cuja aparição consegue ser tão sinistra quanto o próprio Krueger), mas resulta em um clímax um tanto… incomum, mesmo se tratando para um filme sobre sonhos. A ideia de o esqueleto de Krueger reaparecer e travar um duelo com policiais é bizarra, mas garante efeitos de stop motion que deixariam Ray Harryhausen muito orgulhoso. E ainda que a sala da caldeira seja o ambiente mais importante da mitologia, já começa a ficar repetitivo o fato de todas as confrontações com o personagem acabarem por lá; mesmo que o diretor de fotografia Roy H. Wagner aposte em uma coloração vermelha mais forte, transformando o lugar em algo ainda mais infernal do que a visão de Craven no original.

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A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos é um verdadeiro presente para os fãs de Freddy Krueger, e provavelmente o filme mais importante de toda a franquia. Explora sábia e criativamente o potencial de seu antagonista e define o padrão para as próximas continuações.

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A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos (A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors – 1987, EUA)

Direção: Chuck Russell
Roteiro: Wes Craven, Bruce Wagner, Frank Darabont e Chuck Russell
Elenco: Robert Englund, Heather Langenkamp, Patricia Arquette, Laurence Fishburne, Priscilla Pointer, Bradley Gregg, Craig Wasson, Rodney Eastman, Jennifer Rubin, Ken Sagoes, Ira Heiden
Gênero: Terror, Aventura

Duração: 96 min

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Tags: #A Hora do Pesadelo #A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos #Craig Wasson #Freddy Krueger #Heather Langenkamp #Ken Sagoes #Laurence Fishburne #Patricia Arquette #Robert Englund #Rodney Eastman #Wes Craven
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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