Crítica | Acompanhante Perfeita tem boa premissa, mas se perde no caminho
Saiba o que achamos deste thriller que mistura sci-fi com comédia

O espectador que for assistir Acompanhante Perfeita e já tiver visto seu trailer provavelmente se decepcionará com o conteúdo do filme, que tinha tudo para ser um grande sci-fi, mas, devido às escolhas narrativas do diretor e roteirista Drew Hancock, acaba se perdendo pelo caminho.
A trama tem uma premissa interessante e causa algumas surpresas, principalmente com a primeira reviravolta que ocorre na transição do primeiro para o segundo ato. Porém, depois disso, nada de mais interessante surge.
No longa, acompanhamos um jovem casal: Iris (Sophie Thatcher) e Josh (Jack Quaid), que são convidados a ir a uma luxuosa casa no campo do milionário Sergey (Rupert Friend). Lá estão também os amigos de Patrick (Lukas Gage), Eli (Harvey Guillén) e Kat (Megan Suri).
Iris sente que os amigos de Josh não gostam dela, mas o que ela não espera é o acontecimento próximo ao lago que muda tudo na trama. Não demora muito para entendermos por que Iris fez o que fez, e logo descobrimos que a jovem garota é na verdade um robô.

Eu. Robô
O fato de Iris descobrir que é uma androide é um dos pontos mais importantes do filme. Há uma cena em que ela está amarrada e é obrigada a ouvir a verdade da boca de Josh, enquanto ele revela a realidade e explica seu objetivo ao tê-la usado na tarefa perto do lago.
A partir do momento em que descobrimos que Iris é um robô, novas reviravoltas começam a surgir. Entretanto, elas são poucas e não são suficientemente relevantes para nos manter interessados na mensagem que o diretor nos quer transmitir.
Assim como em Blade Runner (1982) e em muitas outras ficções científicas sobre androides, Hancock nos apresenta uma robô que adquire consciência a partir do momento em que descobre ser uma androide.
Há uma cena no último ato em que ela diz querer controlar suas ações, o que está muito de encontro com as ideias sobre as IAs nos filmes de ficção-científica — que provavelmente compõem a memória dessa robô — de buscar uma consciência própria.
Falta profundidade
Todo esse questionamento sobre consciência se mostra bastante superficial, não havendo um aprofundamento nem discussões éticas sobre o assunto. Iris só tenta sobreviver após descobrir que é uma robô, e a produção, que tinha uma boa premissa, acaba se perdendo e se transformando em um thriller genérico.
Muito longe de ser uma distopia, está mais para um filme sobre o tempo em que vivemos e os perigos da tecnologia. Não há menção alguma a IAs; portanto, esse debate sobre os avanços da tecnologia e seus perigos não existe, e perde-se aí uma outra oportunidade de ouro de questionar o poder das corporações e das IAs superinteligentes.
Se em Ex-Machina (2014) tínhamos uma androide com perversão, em Companion (título original) presenciamos uma jovem robô experimentando sentimentos diversos, como medo, raiva e sede de vingança. Isso nos leva a questionar se esses seres podem ter essa capacidade e se podem facilmente se passar por humanos no futuro — algo surreal para os dias atuais, mas que pode acontecer em breve.
O que é elogiável em Acompanhante Perfeita é o seu lado cômico e as atuações de Sophie Thatcher e Jack Quaid nos papéis de Iris e Josh. Fora isso, é um thriller bastante comum, que lembra outras produções do gênero, como M3gan (2022) e Submissão (2024), mas que se mostra vazio ao tratar de temas importantes e relevantes.
Acompanhante Perfeita (Companion, EUA – 2025)
Direção: Drew Hancock
Roteiro: Drew Hancock
Elenco: Sophie Thatcher, Jack Quaid, Lukas Gage, Megan Suri, Harvey Guillén, Rupert Friend, Marc Menchaca
Gênero: Sci-fi, Thriller
Duração: 97 min.