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Crítica | Anna Karenina (2012) – Um novo conceito de teatro filmado

Joe Wright leva o clássico de Tolstói aos palcos e às telas.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
9 de janeiro de 2018 · 4 min de leitura
Crítica | Anna Karenina (2012) – Um novo conceito de teatro filmado

Um clássico literário sempre apresenta dificuldades em ser adaptado para o cinema. A ambição de alcançar um resultado favorável (ou alguns dólares a mais) muitas vezes leva a múltiplas versões da mesma história, como foi o caso da tragédia de Anna Karenina. Mas ao contrário das outras adaptações que a obra de Leo Tolstói já recebeu (e foram muitas), o diretor Joe Wright resolve quebrar o convencional e proporcionar uma criativa abordagem; mas infelizmente a estética se sobressai à narrativa.

Adaptado por Tom Stoppard, o texto nos leva à Rússia Imperial do século XVII, onde conhecemos diversos personagens envolvidos em diferentes situações da alta classe da sociedade. No núcleo delas, está Anna Karenina (Keira Knightley), esposa do influente e poderoso Alexei Karenin (Jude Law, quase irreconhecível), que acaba por arriscar toda a sua posição social e dignidade ao se envolver amorosamente com o sedutor conde Vronksy (Aaron Taylor-Johnson, o Kick-Ass).

Não li o livro de Tolstói (que é considerado um dos melhores trabalhos de literatura de todos os tempos), mas confesso que não fui cativado totalmente por sua história. O excesso de narrativas e personagens é capaz de confundir o espectador (notem que há dois personagens importantíssimos que compartilham do mesmo nome) e estende a duração além do necessário. Por exemplo, não acho interessante acompanhar a trama secundária sobre o Levin de Domnhall Gleeson (um dos irmãos Weasley, de Harry Potter), que mesmo servindo como uma antítese da queda da protagonista, empalidece diante de elementos superiores.

Estes não narrativos, já que o roteiro de Stoppard é falho em nos criar envolvimento com as personagens, enchendo o longa de diálogos expositivos (frases do tipo “Mas que homem bom!” ou “Seu marido é um santo!” servem apenas para martelar características que já haviam sido estabelecidas anteriormente), mas sim na técnica que Joe Wright propôs. Levando a ideia de que as relações na alta classe “não passam de encenação”, o diretor apresenta as ações de Anna Karenina desenrolando-se em um palco de teatro: começamos até com uma cortina e muitos dos cenários vão alternando-se manualmente, necessitando até de “ajudantes” para montá-los em diferentes transições de cena. O momento em que dois personagens saem de um escritório para ir jantar é particularmente inspirado, merecendo aplausos por sua eficaz velocidade e as trocas de vestimentas realizadas pelos figurantes (que de operários, transformam-se em garçons) e reconhecimento ao impecável design de produção de Sarah Greenwood.

E Wright não se limita apenas a artifícios teatrais, oferecendo também diversas mise-em-scènes que contribuem de forma eficiente (e com muita exuberância) à história. Um baile onde todos os convidados encontram-se repentinamente congelados no tempo a fim de destacar a dança de Anna e Vrosnky (e o impacto que esta ação causa) e os pedaços de um bilhete rasgado que vão se transformando em uma nevasca são algumas de minhas preferidas. Há também recorrentes indícios que ajudam a antecipar o desfecho da trama, que terá uma locomotiva como peça fundamental, manifestando-se de forma brilhante através de cortes rápidos e os inspirados acordes musicais de Dario Marianelli – que entrega aqui um de seus melhores trabalhos até então.

Com um elenco competente e bem entrosado (onde Keira Knightley mostra novamente que só deveria fazer filmes de época), Anna Karenina é um estimulante exercício técnico, mas falho ao apresentar e desenvolver sua história. Mas que fique aí a admirável intenção do diretor Joe Wright: abordagens radicais para obras clássicas.

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Anna Karenina (EUA/Inglaterra – 2012)

Direção: Joe Wright
Roteiro: Tom Stoppard, baseado na obra de Léo Tolstói
Elenco: Keira Knightley, Aaron Taylor-Johnson, Jude Law, Domnhall Gleeson, Kelly Macdonald, Alicia Vikander, Alexandra Roach, Emily Watson, Matthew Mcfadyen, Cara Delevingne, David Wilmot
Gênero: Drama
Duração: 129 min

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Tags: #Aaron Taylor-Johnson #Alexandra Roach #Alicia Vikander #Cara Delevingne #Domnhall Gleeson #Emily Watson #Joe Wright #Jude Law #Keira Knightley #Kelly Macdonald
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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