Relembre a saga Toy Story antes de ver o quinto filme
Toy Story 5 estreia em 18 de junho. Antes de entrar no cinema, veja o que aconteceu em cada filme da saga e por que a história ainda importa.
Toy Story 5 chega aos cinemas brasileiros em 18 de junho de 2026, com Andrew Stanton na direção e uma premissa que vai direto ao coração da saga: o que acontece quando as crianças param de brincar com brinquedos de verdade? Bonnie agora tem oito anos, ganhou um tablet chamado Lilypad, e Woody está de volta para tentar entender um mundo que mudou mais uma vez.
Trinta e um anos separam o primeiro filme deste quinto. É tempo suficiente para que quem assistiu ao original em 1995 já tenha vivido a experiência completa de crescer com a franquia — e para que uma geração inteira não tenha visto nenhum dos quatro filmes anteriores. Esta lista existe para os dois grupos: quem quer relembrar e quem quer chegar ao cinema sabendo o que está em jogo.
Toy Story (1995) — o filme que mudou a animação para sempre
Em novembro de 1995, a Pixar lançou o primeiro longa-metragem totalmente feito em computação gráfica da história. Nada do que existia no cinema animado preparou o público para isso. O estúdio havia sido contratado pela Disney após o sucesso do curta Tin Toy, de 1988, e a proposta original era fazer um filme mais sombrio e agressivo. A Disney pediu personagens “mais ousados”. O que saiu depois de várias tentativas e reescritas foi o oposto: uma história sobre ciúme, insegurança e amizade entre dois brinquedos. A Pixar voltou ao tom que conhecia, e o resultado foi a maior bilheteria do ano nos Estados Unidos — US$ 362 milhões no mundo inteiro.
A história acompanha Woody, o caubói favorito de Andy, que vê sua posição ameaçada quando o menino ganha de aniversário um Buzz Lightyear — um astronauta moderno convicto de que é um herói espacial de verdade, não um brinquedo. O conflito entre os dois os leva a uma série de aventuras fora do quarto de Andy, com o vizinho perturbador Sid como antagonista. O que o filme fez de mais inteligente foi construir seu tema em cima de algo universal: o medo de ser substituído por algo mais novo. Isso funcionou para crianças em 1995 e funciona para adultos que revisitam o filme hoje.
Toy Story 2 (1999) — a sequência que quase virou fita de locadora
Poucos saber que Toy Story 2 quase nunca chegou aos cinemas. O projeto foi concebido como uma sequência direta para vídeo, com orçamento reduzido e duração de menos de uma hora. Foram os executivos da Disney, impressionados com o material em desenvolvimento — e pressionados por Tom Hanks e Tim Allen, que recusavam fazer uma versão de qualidade inferior — que exigiram um lançamento cinematográfico. A decisão transformou o projeto inteiro: o roteiro foi reescrito, o orçamento triplicou para US$ 90 milhões, e o resultado foi a primeira sequência animada da história a superar o original nas bilheterias — US$ 511 milhões no mundo, com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.
O enredo coloca Woody em apuros quando ele é roubado por Al, um colecionador obcecado que pretende vendê-lo a um museu no Japão. Woody descobre, nesse processo, que é um personagem famoso de um antigo seriado de televisão, e precisa decidir entre a vida como peça de coleção — intocável, mas permanente — ou o risco de continuar sendo um brinquedo de verdade, usado e eventualmente descartado. É a pergunta mais perturbadora que a franquia já fez: o que vale mais, durar para sempre sem ser amado ou ser amado até se desgastar?
Toy Story 3 (2010) — o filme de animação que fez o mundo inteiro chorar
Onze anos depois do segundo filme, a Pixar lançou Toy Story 3 em 2010 com uma pergunta impossível de ignorar: e quando a criança cresce? Andy tem 17 anos e está indo para a faculdade. Por um equívoco, os brinquedos acabam sendo enviados para uma creche chamada Sunnyside, aparentemente um paraíso onde sempre há crianças para brincar — mas que esconde um regime autoritário liderado por Lotso, um urso de pelúcia que cheira a morango e não perdoa.
O filme venceu dois Oscars — Melhor Animação e Melhor Canção Original — e foi indicado a Melhor Filme, tornando-se apenas a terceira animação da história a entrar nessa categoria. Arrecadou mais de US$ 1 bilhão e se tornou o filme animado mais lucrativo de todos os tempos até ser superado por Frozen em 2014. Os números explicam o alcance, mas não o impacto. A cena em que os brinquedos se dão as mãos diante da incineradora, seguida pelo momento em que Andy entrega cada um deles para Bonnie descrevendo sua personalidade, entrou para o cinema como uma das sequências finais mais emocionalmente devastadoras já feitas. É um filme sobre soltar — e sobre como soltar é diferente de esquecer.
Toy Story 4 (2019) — o epílogo que dividiu os fãs, mas fez sentido para Woody
Quando Toy Story 3 terminou com Andy entregando os brinquedos a Bonnie, muita gente sentiu que a história estava encerrada. A Pixar também pensou assim, por um tempo. Mas em 2014 a Disney anunciou uma quarta parte, e a reação inicial dos fãs foi de desconfiança. O que mais poderia ser dito depois de um final tão definitivo?
A resposta veio em 2019 com Josh Cooley na direção: o quarto filme não era sobre a turma inteira, era sobre Woody especificamente. Bonnie ignora o caubói e sua nova criação favorita é Forky — um garfo de plástico com palitos de madeira como braços que ela transformou em brinquedo no primeiro dia de jardim de infância. Em uma viagem de estrada, Woody reencontra Betty, vendida anos antes, que agora vive livre, sem dono. O filme coloca frente a frente duas formas de existir: a lealdade incondicional a um dono, que sempre definiu Woody, contra a liberdade de não pertencer a ninguém. No final, Woody escolhe ficar com Betty — e deixar Buzz e os outros para trás.
Toy Story 4 arrecadou US$ 1,073 bilhão e ganhou o Oscar de Melhor Animação. Mas dividiu os fãs exatamente por causa do final: para parte do público, era uma traição ao arco de Woody; para outra, era a conclusão honesta de um personagem que sempre colocou os outros antes de si mesmo e finalmente escolheu a própria vida. Toy Story 5 vai precisar lidar com essa herança — e, pela primeira vez em trinta anos, mostrar um Woody que voltou.