Por que Dragon Age pode ficar anos parado, segundo veterano da BioWare
Mark Darrah, veterano da BioWare, explica por que a burocracia interna da EA pode manter Dragon Age parada por anos.
Mark Darrah, veterano de 23 anos na BioWare e ex-produtor executivo da franquia Dragon Age, não enxerga um novo jogo da série chegando tão cedo. Em entrevista ao podcast FRVR, ele explicou por que a burocracia interna da EA pode manter Dragon Age engavetada por muito tempo, independentemente do desejo dos fãs.
Segundo Darrah, a série provavelmente ficou de lado enquanto a BioWare concentra todos os esforços no próximo jogo de Mass Effect, mas o problema vai além de simples priorização de recursos: tem a ver com a própria cultura corporativa da publicadora quando o assunto é aprovar novos projetos usando propriedades intelectuais já existentes.
Quando uma proposta de jogo vira uma disputa interna
De acordo com o ex-produtor, muita gente dentro da EA acredita ter algum tipo de posse sobre determinadas franquias, o que significa que qualquer tentativa de propor um novo jogo pode ser barrada antes mesmo de sair do papel. “Eu não tenho a menor ideia de quem poderia, ou teria coragem, de propor um novo Dragon Age na EA”, disse Darrah. “A EA é dona de uma quantidade assustadora de propriedades intelectuais dormentes”.
Segundo ele, assim que alguém decide seguir adiante com uma ideia baseada em uma dessas marcas, é comum que três pessoas diferentes, cada uma convencida de que controla aquele território, apareçam do nada para desmontar a proposta por completo.
Um impasse sem candidato óbvio para resolvê-lo
Darrah acredita que, dentro dessa estrutura, apenas a própria BioWare teria legitimidade para propor um novo Dragon Age, mas o problema é que ele não sabe identificar quem, dentro do estúdio hoje, assumiria essa proposta. Caso outra área da EA tentasse avançar com a ideia por conta própria, ele espera que alguém de dentro da BioWare se levantasse justamente para proteger o controle sobre a própria marca, o que na prática travaria o processo de qualquer jeito.
“Suspeito que isso simplesmente não vá acontecer, por uma série de motivos”, resumiu o ex-produtor, que também revelou já ter tentado, sem sucesso, propor à EA remasters dos três primeiros jogos da franquia antes de deixar a BioWare, em 2020.
Uma frase que resume anos de frustração
Darrah usou uma analogia direta para descrever sua visão sobre a relação entre a EA e o desenvolvimento de jogos em geral: “Alguém uma vez me descreveu a EA como um fundo de hedge com um hobby de videogame que gostaria de não gastar tanto dinheiro assim, e acho que isso continua verdadeiro”.
O cenário fica ainda mais incerto diante da proposta de compra da EA por um consórcio de investidores liderado pelo fundo soberano saudita PIF, negócio ainda em andamento. Segundo Darrah, não está claro se os novos donos teriam qualquer interesse em manter a BioWare funcionando, ou em revitalizar franquias abandonadas como Dragon Age.
O que aconteceu com o último jogo da franquia
Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024, foi o primeiro título novo da série em uma década, sucedendo Dragon Age: Inquisition, de 2014. Apesar de o antecessor ter sido o maior sucesso comercial da história da BioWare, Veilguard vendeu abaixo do esperado, e Darrah já havia revelado anteriormente que o jogo nasceu de um projeto multiplayer cancelado, sendo remontado às pressas a partir dos restos de quatro concepções diferentes ao longo dos anos.
Hoje, a BioWare concentra praticamente todos os recursos no próximo Mass Effect, anunciado originalmente em dezembro de 2020. O produtor executivo da franquia, Mike Gamble, já negou publicamente rumores de que o projeto estaria em crise, reafirmando o compromisso da EA e da BioWare em continuar contando histórias no universo espacial. No início de 2025, a EA reduziu o quadro de funcionários da BioWare, transferindo parte da equipe para outros times dentro da própria publicadora.