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Crítica | Armadilha Explosiva Traz tensão e tem tom de denúncia

Armadilha Explosiva mesmo sendo bem intencionado, com uma reviravolta que até chega a surpreender em seu final,

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
24 de julho de 2022 · 3 min de leitura
Crítica | Armadilha Explosiva Traz tensão e tem tom de denúncia

Um tema mais que recorrente nos noticiários nos últimos meses, nas redes sociais e até mesmo entre as conversas que surgem entre familiares e amigos é sobre o conflito na Ucrânia, local em que a Rússia de Vladimir Putin invadiu e está ali tomando territórios e deixando um rastro de morte e destruição. Porém, esse conflito se iniciou muito antes de 2022, em 2014, na região de Donbas, com grupos pró-russos entrando em conflito contra o governo ucraniano. Essa questão é o principal foco de discussão de Armadilha Explosiva.

Usando como pano de fundo essa atmosfera sombria do conflito da Ucrânia (lembrando que o longa foi lançado em 2021, antes da recente invasão russa em 2022), o diretor Vanya Peirani-Vignes encontrou uma maneira de denunciar e discutir uma questão que ocorreu na região e que poucos ficaram sabendo, que é a do uso de minas terrestres colocadas em solo ucraniano por forças russas.

Mas é aí que entra a confusão no jeito de se tocar a história. O diretor quer focar em um tema, mas ao término fica claro que a mensagem é muito maior do que aquela passada no filme, querendo debater não apenas sobre o uso de minas terrestres em solo ucraniano e que vitimizaram várias crianças, mas também de seu uso no planeta. “No mundo, a cada hora, uma mina mata uma pessoa”, diz o texto que finaliza o filme como um aviso e também como uma espécie de alerta.

É nítido que o orçamento do longa não era tão alto, beirando até a uma produção independente. Foram utilizados poucos cenários ao longo da narrativa, com Sonia (Nora Arnezeder) e as crianças presas dentro do carro, que está carregado de explosivos armados localizado no estacionamento, em que a sua equipe especializada em minas terrestres, liderada por Igor (Radivoje Bukvic), surge para tentar desarmar os explosivos no carro.

Esse modo de se filmar, utilizando cenário único, já foi utilizado em diversas produções e tende a criar uma ligação com o espectador – pelo menos nessa situação envolvendo Sonia e as crianças – de perigo, além de tentar trazer uma tensão para um problema que surgiu e que deve ser solucionado em um curto período, que é o fato de a bomba explodir caso alguém saia do carro. Em Armadilha Explosiva essa solução funciona, pois a tensão em si já é o suficiente para prender a atenção do público, com um bom suspense de pano de fundo e com dramas secundários envolvendo os personagens.

Outro fato que traz interesse para a trama é o fato de se tentar descobrir quem realizou o atentado terrorista contra Sonia e quais são suas reais motivações contra ela. Porém, podemos dizer que é uma narrativa bastante pobre no sentido de fazer a protagonista ficar presa o tempo todo no carro, mesmo que essa seja a proposta do roteiro. Quando a trama começa a se desenvolver, ficando realmente interessante e trazendo algo de relevante para a história, o filme termina.

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Armadilha Explosiva mesmo sendo bem intencionado, com uma reviravolta que até chega a surpreender em seu final, demonstra saber bem com quem dialogar e quem quer atingir, e principalmente: quem quer denunciar, no caso a Rússia e as atrocidades cometidas na Ucrânia, fato que volta a se repetir novamente no momento atual, como se fosse algo cíclico, o que transforma sua trama ainda mais atual e viva.

Armadilha Explosiva (idem, Coreia do Sul – 2022)

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Direção: Jin-sung Choi
Roteiro: Jin-sung Choi
Elenco: Chang Eun-jo, Moon Hyung-wook, Cho Ju-bin, Kim Wan, Oh Yeon-seo
Gênero: Documentário, Policial
Duração: 105 min

 

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Gabriel Danius
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Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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