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Crítica | Barreiras – Mães e filhas

No entanto, se isso acontecerá ou não, Barreiras não sente a menor necessidade de dizer. Focada muito mais na jornada

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
22 de novembro de 2017 · 3 min de leitura
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Crítica | Barreiras – Mães e filhas

Em uma das primeiras cenas de Barreiras, a personagem interpretada por Isabelle Huppert conversa com a neta Alba (Themis Pauwels) através de uma rede. Logo depois, a jovem, que está treinando tênis, tenta colocar em prática alguns dos conselhos ouvidos pela avó, mas as jogadas não surtem o efeito necessário e a bola não consegue chegar ao outro lado da quadra. Breve e sucinta, essa introdução é inteiramente eficaz na hora de simbolizar o principal tema do longa-metragem da diretora Laura Schroeder: os bloqueios que impedem duas ou mais pessoas de se relacionarem livremente.

Abordando três gerações distintas, o roteiro escrito pela própria diretora ao lado de Marie Nimier nos mostra que, por força das circunstâncias, as quais podem ser emocionais, profissionais, sociais, econômicas ou psicológicas, muitas relações filiais se desenvolvem apenas parcialmente. Isso acaba fazendo com que todas as tentativas de retomar um relacionamento ou emendar erros do passado partam de um ponto comprometido, em que os ressentimentos permanecem fortes e qualquer movimento que objetive uma conciliação final se desenrole de uma maneira turbulenta, estressante e problemática. Quase sempre, são processos lentos que exigem paciência e muita persistência por parte dos envolvidos.

É em razão disso que a história, centrada no relacionamento que Catherine (Lolita Chammah, filha de Isabelle Huppert) busca estabelecer com Alba, a sua filha, se estende por quase todo o filme. Ao longo da projeção, acompanhamos minuciosamente todos os gestos e olhares que expressam tanto o medo que uma criança tem de sair da sua zona de conforto para cair nos braços de uma mãe ausente quanto o esforço que esta faz para conquistar o amor que nos últimos anos a primogênita destinou somente à avó. No fim, é sempre um jogo complexo de concessões e armaduras, de vulnerabilidades e orgulhos.

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Do ponto de vista técnico, isso possibilita à diretora o emprego de uma estética mais realista, na qual os planos médios que, por vezes, captam apenas partes do corpo, indicam uma fragmentação emocional e psicológica, e a lógica de alternar o silêncio dominante com canções não-diegéticas sinaliza sonoramente os progressos presentes na interação entre as duas. Nessa barafunda sentimental, há espaço para muitos ressentimentos, os quais, apesar de não serem muito claros e se manifestarem mais através das consequências que de revelações bombásticas, criam um microcosmo de erros reiterados. A impressão é que cada nova geração repetirá os equívocos da anterior, em um ciclo sem fim. 

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No entanto, se isso acontecerá ou não, Barreiras não sente a menor necessidade de dizer. Focada muito mais na jornada, a narrativa entende que os fins são consequências do meio, o mesmo meio que a história, recriando um ritmo similar ao da vida e explorando os impedimentos e as vias livres presentes em todo tipo de relacionamento turbulento, dedica tanto tempo, carinho e atenção.

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Barreiras (Barrage, Luxemburgo – 2017)

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Direção: Laura Schroeder
Roteiro: Laura Schroeder e Marie Nimier
Elenco: Isabelle Huppert, Lolita Chammah e Themis Pauwels
Gênero: Drama
Duração: 107 min

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Tags: #Cinema #crítica #Filme #Isabelle Huppert
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