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Crítica | Bruxarias

Magia e tecnologia se encontram nessa adorável animação infantil

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
20 de junho de 2017 · 4 min de leitura
Crítica | Bruxarias

Com estreia marcada para a próxima quinta-feira (22 de junho), Bruxarias acompanha a pequena Malva, uma garotinha de 10 anos que, como qualquer criança de sua idade, está ansiosa para descobrir o mundo. Sua maior vontade é fazer parte de uma equipe de parapentistas liderada pelo simpático Selu. O rapaz, nada bobo, sabe que é perigoso para a criança participar das atividades do grupo, o que nos leva ao início do filme: sabendo que sua avó Lalila é uma bruxa, Malva fuça um armário especial dentro do trailer onde vivem procurando por uma poção que a ajude a voar. Ao encontrá-la, testa primeiro em uma caneta e depois em seu guarda-chuva de bolinhas.

O roteiro contrapõe a magia, um conceito ancestral conhecido por todas as culturas, a outro mais contemporâneo e tão universal quanto: a tecnologia. A poção para voar é um segredo de família e, ao usá-la, Malva chama a atenção de um dos capangas da vilã Rufa, uma mulher mesquinha que deseja roubar todas as receitas mágicas para industrializá-las. Assim, ela poderá vendê-las pela sua empresa, EcoNatura, acabando com os negócios de todas as curandeiras da região. Eventualmente seus capangas conseguem sequestrar Lalila e se torna responsabilidade de Malva encontrar sua avó e salvá-la, com ajuda de Selu, em uma aventura divertida e atrapalhada.

Apesar das boas intenções, o filme tem momentos confusos. Além do início súbito, que faz com que o espectador precise deduzir sobre o que se trata a ligação que Malva faz à Selu, é curioso ver como a menina tem total liberdade com o celular. Ela não só faz chamadas em vídeo frequentes, como tem uma conta até mesmo no twitter, uma rede social que não parece fazer parte do universo da faixa etária.

A tentativa de integrar jargões da internet é um tiro que sai pela culatra. A tecnologia já faz parte da fundação da história, presente na própria intimidade da menina com seu celular e na fábrica da EcoNatura, cheia de monitores gigantes, cadeiras flutuantes e máquinas. O público alvo do filme, apesar de estar crescendo mais próximo à computadores e celulares que nossa geração, não tem como entender uma referência à quão antigo é o Windows95. Ele também se perguntará porque a menina diz que viu sua vida passar diante dela como um Power Point após um acidente de voo. As menções não são suficientes para capturar a atenção da audiência adulta, que as entendem, perdendo um pouco de seu sentido.

Companheiros de Malva, os três caracóis que a menina apelida de caraloucos alegram a história. Adoráveis, eles começam a cantar sem aviso e protagonizam pequenas cenas paralelas aos acontecimentos principais que arrancam sorrisos fáceis pela fofura. Personagens com participações menores conseguem conquistar pelas suas peculiaridades, como o policial com mania de comer balas e um funcionário da EcoNatura com quatro fios de cabelo e uma obsessão por fazê-los crescer. O gato de estimação Mus, de aparência arisca, também garante risadas.

Bruxarias, passadas as confusões, acerta ao criar um enredo com uma moral bondosa para os pequenos. O amor de Malva por sua avó é o responsável por fazer com que a menina consiga encontrá-la na fábrica camuflada pela névoa. No fim, é quando ela entende sobre suas origens e sobre a importância da família é que seus planos dão certo. A vó Lalila também a ensina que, assim como a magia, a tecnologia pode fazer o bem ou o mal. A diferença é a forma como ela é usada. Cercada de carinho, Malva aprenderá a usar as duas para o bem.

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Bruxarias (Caroline and the Magic Potion – 2015)

Direção: Virginia Curiá
Roteiro: Anxela Loureira
Gênero: Animação
Duração: 79 min.

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Tags: #Crianças #crítica #Estreia #Filmes #magia
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