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Crítica | Castelo de Areia

A guerra ok.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
25 de junho de 2017 · 4 min de leitura
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Crítica | Castelo de Areia

O cineasta paulista Fernando Coimbra fez a sua estreia três anos atrás com o ótimo suspense O Lobo Atrás da Porta, estrelado por Leandra Leal e Milhem Cortaz. Com o grande sucesso nacional e internacional do longa, Coimbra fez dois episódios da primeira temporada da série Narcos da Netflix. Agora, em plena ascensão o diretor lança o seu primeiro longa internacional: o drama de guerra Castelo de Areia (Sand Castle, 2016). Como o repertório de brasileiros que se aventuraram em terras estrangeiras não é dos melhores – vide 12 Horas de Heitor Dhalia, Água Negra de Walter Salles e Voando Alto de Bruno Barreto –, os fãs de Coimbra ficaram com um pouco de medo sobre o que seria esse seu novo projeto, que era mais um filme sobre a Guerra do Iraque. Apesar do resultado final ser positivo, muito do longa se deve a habilidosa direção de Coimbra, que é prejudicada por conta do roteiro raso.

O longa se passa em 2003 e o protagonista é o soldado Matt Ocre (Nicholas Hoult), um jovem que não tem dinheiro para se formar em um faculdade e por conta disso decidiu servir ao exército. Sua  missão é ir para o pequeno vilarejo de Baquba para conseguir reativar o serviço de água dos habitantes. Durante a missão, Ocre e o resto do pelotão descobrem que conseguir fazer com o povo confiem neles e vice e versa, será mais difícil do que aparenta. Enquanto isso, o jovem vai entendo a brutal realidade da guerra.

Curiosamente, o longa conversa com outro filme que tem esses mesmos temas, o ótimo Guerra Ao Terror de Kathryn Bigelow. Pena que o filme de Bigelow se aprofunde melhor nas questões debatidas. O roteiro de Chris Roessner tem uma sinceridade no jeito que mostra triste situação dos soldados e principalmente do povo iraquiano, já que é baseado em suas memórias do tempo em que serviu ao exército. Mas faltam talentos dramaturgos ao texto de Roessner, porque Castelo de Areia cai nos mesmos tipos de clichês de tantos outros filmes de guerra: os soldados que não sabem porque estão lutando; uma clara dificuldade em entender a geografia do local; o sargento (Logan Marshall-Green) que vai pegando a confiança do seu pelotão; etc… Até o próprio arco de Ocre se mostra a mesma coisa que já foi mostrada em outros filmes do gênero. Isso acaba deixando o longa previsível e dizendo mais do mesmo que outros filmes sobre o Iraque já falaram.

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Além do excesso de clichês, o expectador sentirá uma dificuldade em criar algum tipo de empatia com os personagens. Os protagonistas não possuem arcos interessantes e os coadjuvantes são mal desenvolvidos. Quando algum deles morre em combate, há o choque pela cena, mas não envolvimento emocional com o que ocorreu. Por mais que haja a sinceridade do discurso de Chris Roessner, esses erros de roteiro acabam mostrando sua fragilidade e como alguns temas são desenvolvidos de formas rasteiras. É um texto muito problemático.

Mas se o roteiro se mostra problemático, a direção de Coimbra compensa. O primeiro ponto que se deve destacar é como o longa é bem filmado. O diretor junto com a fotografia de Ben Richardson e o design de produção de Mike Gunn criam um visual diferente do usual de filmes de guerra. Durante boa parte durante as cenas noturnas há diferentes temperaturas de cor durante o ambiente, tanto em externa quanto em externas, como se estivessem em colapso. Podem ser lidas como o psicológico dos personagens. Durante o dia, há o uso de paletó de cor mais seco que mostra o calor do deserto, mas evitando uma visão mais óbvia de outros filmes do gênero. Vale ressaltar que a câmera na mão usada no longa é muito elegante, que mesmo servindo para dar urgência não fica tremendo o tempo todo. Além de ter boas sequencias de ação.

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Os atores estão bem e dão o seu melhor, apesar dos personagens. Nicholas Hoult consegue passar os vários sentimentos que ocorrem durante a projeção: medo, ansiedade, culpa, insegurança e raiva. Hoult sempre se mostrou um ator disciplinado e não faz diferente em Castelo de Areia. Logan Marshall-Green e Henry Cavill mostram boa presença e personalidades em seus papéis, principalmente Cavill que tem o personagem mais interessante do longa, mas é o mais mal explorado.

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Há um bom cuidado no trabalho de som, que ajudam a criar a tensão das sequencias de ação. O trabalho da trilha sonora ajuda a criar a tensão psicológica dos personagens, o mesmo que as temperaturas de cores fazem.

Enfim, Castelo de Areia é uma boa entrada de Fernando Coimbra em terras estrangeiras. Apesar dos problemas de roteiro, ele ainda mostra que é um diretor muito interessante que merece ser acompanhado.

Castelo de Areia (Sand Castle, EUA – 2017)

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Direção: Fernando Coimbra
Roteiro: Chris Roessner
Elenco: Nicholas Hoult, Henry Cavill, Logan Marshall-Green, Tommy Flanagan, Glen Powell e Beau Knapp
Gênero: Guerra
Duração: 113 min

Tags: #Agua #Estreia #Fernando Coimbra #Guerra #Henry Cavill #Netflix #Nicholas Hoult #Soldado #Violência
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