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Crítica | Coisas Verdadeiras – Uma história de amor padrão

Filmes de amores expressos tem uma cartilha com regras a serem seguidas. Em Coisas Verdadeiras, novo filme de Harry Wootliff, presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, cada uma das regras é seguida de maneira rigorosa.

Se você já assistiu uma trama sobre alguém que se apaixona por outra completamente diferente e vira a vida de ponta-cabeça, não vai se surpreender com as reviravoltas ou momentos chave para a personagem de Katie, interpretada por Ruth Wilson. Ela é uma funcionária de banco no setor de atendimento ao cliente, que lhe rende frustrações diárias. Até que um cliente misterioso, apenas chamado de Loiro, lhe joga uma cantada e oferece uma saída da monotonia.

Wilson, que muitos conhecem da série His Dark Materials, faz uma interpretação até que coerente com a narrativa, caminhando entre a ingenuidade e empolgação de navegar em um relacionamento novo. As muitas cenas banais de carinhos e olhares ganham um certo apreço, e até cenas de “escreve-e-apaga” em discussões via celular tem seu próprio contexto, mas não dá para negar que Katie nada mais é do que uma releitura de qualquer personagem de um livro de Nicolas Sparks. O filme em si já é baseado em um romance, o que já diz muito.

Já no papel do misterioso Loiro, Tom Burke, que interpretou Orson Welles em Mank, consegue estragar a superficialidade do personagem querendo ir mais do que necessário. Muitas vezes considerei que se tratava de um fantasma, pois ele sempre aparece repentinamente onde Katie estiver, e desaparece logo em seguinte. Obviamente isso vem do roteiro, mas uma vez isso já estabelecido, o ator não precisava tentar emplacar maneirismos e jargões, deixasse apenas o reflexo em Katie ampliar a presença.

Após seu primeiro filme, Only You, também ser um estudo em relacionamentos relâmpagos, Wootliff adapta o romance e dirige o filme sabendo muito bem o público que deve agradar. Aposta no seguro, sem arriscar sequências mirabolantes ou novidades em arcos dramáticos. Ela se mostra pulso firme com o ritmo, uma das coisas boas do filme. Não há tempo a perder com os personagens. Só vemos o que precisamos para juntar o quebra-cabeça e bola para a frente.

Uma das frustrações com o filme foi a mixagem de som. Coisa pequena, mas me pareceu muitas vezes que o som ambiente ou de objetos estava sempre fora de sincronia ou terminavam na hora errada. Maior exemplo é uma cena externa que corta para interna e ainda é perceptível os mesmos carros e passos, como se fosse o mesmo plano.

Aos que gostam de um filme sobre relacionamentos abusivos, e querem ver algo diferente eu recomendo 9 Semanas e Meia, Namorados Para Sempre ou 500 Dias Com Ela. Coisas Verdadeiras é para assistir na chuva, fim de tarde, sozinho ou com a paquera, e depois ir fazer a janta.

Coisas Verdadeiras (True Things, Reino Unido – 2021)

Direção: Harry Wootliff
Roteiro: Harry Wootliff e Molly Davies, baseado na obra de Deborah Kay Davies
Elenco: Ruth Wilson, Tom Burke, Hayley Squires, Elizabeth Rider, Frank McCusker, Ann Firbank, Tom Weston-Jones
Gênero: Drama, Romance
Duração: 102 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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