Cinema

Crítica | Conclave – Um jogo de intrigas e poder

Conclave sem dúvida é um dos grandes filmes do ano

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
3 min de leitura
Publicidade

Dizer que Conclave é um filme religioso não é um erro, mas ele não trata exclusivamente da Igreja Católica. O foco está no processo de votação para a escolha de um novo Papa e nas maquinações construídas nos bastidores para que um candidato seja escolhido.

Publicidade

Ou seja, Conclave aborda em sua trama mais a questão política do que propriamente a religiosa, e percebe-se isso quando o Cardeal Lawrence (interpretado de forma magistral por Ralph Fiennes) começa a conversar sobre a sucessão com o Cardeal Bellini (Stanley Tucci), que é o favorito para ser o próximo pontífice.

Alguns irão chamar o longa de progressista por apresentar personagens que buscam transformar a Igreja por meio de questões sociais e econômicas que vão além das práticas atuais. Essas questões estão, de fato, inseridas no roteiro adaptado de forma inteligente por Peter Straughan, a partir do livro homônimo de Robert Harris.

Publicidade

Para filmar esta história de ambição e poder, nada melhor do que um diretor que goste de tramas desse gênero. Desta forma, Edward Berger, vencedor do Oscar de Melhor Diretor em 2023 por Nada de Novo no Front, é uma escolha acertada.

Jogos de Intrigas

O roteiro apresenta diversas críticas à Igreja, retratando um ambiente onde os cardeais reunidos para a votação estão carregados de pecados e parecem ter esquecido seu verdadeiro papel na sociedade.

Publicidade

Os religiosos são mostrados fumando, preocupando-se mais em sentar à mesa para comer do que em rezar, entre outras “fraquezas” que reforçam ainda mais o tom crítico do filme.

Publicidade

Uma trama obscura sobre os bastidores da Igreja não poderia deixar de ter antagonistas — neste caso, figuras que parecem querer levar a instituição de volta ao passado, como o preconceituoso Tedesco.

As intrigas que surgem durante o período em que os cardeais estão confinados, bem como o próprio processo de votação, retratam uma Igreja composta por indivíduos movidos por ambições. O cardeal Lawrence, por exemplo, nunca declara explicitamente seu desejo de se tornar o próximo Papa, mas suas ações para desmascarar concorrentes deixam claro seu interesse pelo cargo.

Conclave não é apenas um filme sobre a sucessão papal. Ele possui múltiplas camadas, e a direção de Berger, em contraste com as imagens da Capela Sistina e o vermelho intenso das túnicas dos cardeais, cria grandes momentos. São esses pequenos detalhes que tornam essa história repleta de reviravoltas em um dos grandes filmes do ano.

Publicidade

Conclave (idem, EUA – 2024)
Direção: Edward Berger
Roteiro: Peter Straughan, adaptado do livro de Robert Harris
Elenco: Ralph Fiennes, Jacek Koman, Lucian Msamati, Stanley Tucci, John Lithgow, Isabella Rossellini, Sergio Castellitto, Carlos Diehz
Gênero: Drama, Thriller
Duração: 120 min.

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp