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Crítica | Constantine – Adaptação falha das HQs da Vertigo

Constantine no modo automático

Guilherme Coral
Guilherme Coral Redação
26 de fevereiro de 2018 · 4 min de leitura
Crítica | Constantine – Adaptação falha das HQs da Vertigo

Criado por Alan Moore, na revista Swamp Thing, em 1985, John Constantine ganhou seus quadrinhos solo, Hellblazer, em 1988, também pelo selo Vertigo da DC Comics. Em 2005, o diretor Francis Lawrence, que anos após trabalharia no ótimo Jogos Vorazes: Em Chamas, tomou rédeas do projeto de adaptação desses quadrinhos. Constantine, não Hellblazer, o filme passou a se chamar, já denotando um possível distanciamento do material original. De fato, o filme, em geral, não é conhecido por ser uma adaptação de quadrinhos, não só pela maior obscuridade da Vertigo, como pela sua linguagem completamente diferente do que vimos nas obras da Marvel ou DC.

Constantine (Keanu Reeves) é uma espécie de exorcista/ caçador de demônios, que preza pelo equilíbrio entre Céu e Inferno na Terra. Sua tarefa é enviar de volta as criaturas que perturbam essa balança, seja através do exorcismo ou de velhos truques envolvendo armas com água benta e crucifixos. A narrativa já nos coloca em um ponto de ruptura do personagem: ele está à beira da morte graças ao seu vício pelo cigarro (que o filme deixa claro desde os primeiros planos). Em meio a tal problema o filho do Diabo busca ganhar passagem para o nosso plano através de uma médium Angela Dodson (Rachel Weisz).

A história foi baseada no arco Hábitos Perigosos dos quadrinhos(#41-46), mas o longa-metragem progride de maneira bastante orgânica, não requisitando do espectador um conhecimento prévio da obra original. Os personagens são inseridos de forma natural, mas sem soar extremamente didática, característica que se mantém ao longo da projeção. O protagonista é um claro exemplo do strong and silent type, um homem taciturno e antipático que prefere se manter alienado das outras pessoas. Reeves consegue transmitir essa ideia sem dificuldade, mas acaba pecando pelo exagero: sua interpretação beira a caricatura, soando extremamente irreal. Trata-se de uma figura que não consegue nos atrair e o que deveria ser uma constante e aparente apatia se transforma em um personagem devoto de emoção, impedindo qualquer identificação com o espectador.

Rachel Weisz, por sua vez, nos entrega uma mulher forte, ainda que em posição de vítima. Conseguimos, nela, observar um convite ao público, um elemento que, enfim, consegue tornar essa narrativa crível. Além disso, é através dela que nos inserimos nesse universo de conflito entre anjos e demônios e o diretor Francis Lawrence a utiliza para construir suas explicações – como dito anteriormente, nada soa didático e a personagem Angela é central para a obtenção dessa característica. A relação entre esses dois indivíduos acaba oscilando entre o desconforto e a proximidade, mas, dificilmente, consegue nos fazer acreditar nela – mais uma vez voltamos à não-atuação de Keanu e a ausência de uma mão mais firme na direção.

Diante dessa evidente quebra de imersão, temos alguns pontos que conseguem nos prender à projeção. O primeiro deles é o sólido trabalho da arte tanto nas ambientações quanto na retratação de cada um dos personagens. Embora tenhamos um uso constante (e algumas vezes excessivo) da computação gráfica, tanto o “mundo real” quanto o Inferno se encaixam perfeitamente no tom da obra, especialmente levando em consideração as tonalidades amarelo-esverdeadas da fotografia. Temos a sensação de uma evidente decadência que muito bem resume o conceito de tanto o Céu quanto o Inferno estarem presentes na Terra. Somado a isso, temos a precisa contratação de Tilda Swinton, que nos entrega um Gabriel, no conceito de androginia dos anjos, que conseguimos acreditar. Infelizmente o cuidado não se estende para o roteiro, que faz mal uso da personagem, gerando um desfecho que soa apressado, finalizando com um plano final politicamente correto que soa nada menos que ridículo.

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Constantine conta com seus inúmeros deslizes, que vão de atuações, passando por direção e terminando em um singelo exagero do CGI, ainda assim trata-se de uma obra que diverte o espectador que sabe o que esperar. Pode não ser a adaptação mais fiel dos quadrinhos, mas conta com elementos positivos o suficiente para nos manter presos à narrativa. Por mais que Reeves desaponte no papel principal, o elenco de apoio mais do que dá conta do recado, trazendo uma instigante mistura de ação, noir e terror.

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Constantine (idem – EUA, 2005)

Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Kevin Brodbin, Frank A. Cappello
Elenco: Keanu Reeves, Rachel Weisz, Tilda Swinton, Djimon Hounsou, Shia LaBeouf, Max Baker, Pruitt Taylor Vince, Gavin Rossdale
Gênero: Drama, Fantasia, Terror

Duração: 121 min.

Tags: #Constantine #DC #DC comics #Djimon Hounsou #Francis Lawrence #Keanu Reeves #Rachel Weisz #Shia LaBeouf #Tilda Swinton #Vertigo
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Guilherme Coral
Escrito por

Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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