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Crítica | Free Solo – Vivendo no Limite

Free Solo é um bom documentário sobre os limites humanos e como com foco, dedicação e muita coragem

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
26 de março de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | Free Solo – Vivendo no Limite

Em uma época em que os super-heróis predominam no cenário da cultura pop, com séries e filmes alavancando multidões aos cinemas, é natural que qualquer ato heroico ou de grande ousadia seja associado a algo feito por alguém de força inumana ou com habilidades para tal. E o documentário Free Solo (Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin) vai justamente nesse cenário ao mostrar o alpinista de solo livre Alex Honnold fazendo feitos inimagináveis.

A trama segue Alex Honnold em sua jornada ambiciosa em subir uma rocha de granito chamada El Camp, nos EUA. Nisso o documentário vai mostrando toda a sua rotina de preparo, desde os testes com equipamentos para saber quais os melhores caminhos a percorrer pela grande pedra até várias outras subidas que Alex fez perante sua vida, isso para mostrar que o alpinista é alguém extremamente experiente e que já havia feito várias subidas tão perigosas quanto aquela que iria tentar realizar em breve. 

Por se tratar de uma produção que faz um relato da realidade e não algo ficcional é natural que vá de encontro ao que acontece de verdadeiro na vida de Alex Honnold, entrando em sua vida privada e nos mostrando rapidamente sua infância, sua companheira de escaladas e algo fundamental para que ele se tornasse o grande alpinista que se tornou, que é a solidão. Vive recluso em seu trailer, viajando e desafiando todos os limites imagináveis. Rapidamente o documentário nos apresenta um parceiro seu de escalada que o ajuda na tarefa de treinar em El Camp até o tão esperado dia da subida sem equipamentos. Tudo isso é feito para dar um sentimento de proximidade e de conhecimento com aquele homem que até então era desconhecido para todos e o jeito com que a trama se desenvolve ajuda em dar esse sentimento de identificação com o telespectador, nos dizendo que ele é um humano como todos nós, mas que sonha em realizar um feito que vá além da imaginação. 

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Um dos problemas do documentário que pode ser mencionado é em relação ao jeito com que a narrativa é montada e apresentada pelos diretores. A princípio perde-se bastante tempo falando de quem é Alex, os perigos do free solo e o desafio de sua futura empreitada, mas não apenas nesses pontos a produção foca e perde-se algum tempo falando de questões que são irrelevantes para o telespectador, como a sua vida amorosa com a garota que conheceu e se tornou sua companheira de escalada. Entende-se que tais cenas são colocadas ali para construir o personagem, mostrar seu dia-a-dia é importante, mas são questões que são tratadas de forma tão maçante que torna o documentário chato em alguns momentos. 

O ápice de Free Solo, como não poderia ser diferente, são os minutos finais em que mostram todo o processo de execução do que havia sido trabalhado até então. só que essa era uma parte essencial do documentário e esse trecho magnífico é mostrado de uma forma tão acelerada que chega a ser brochante. Por mais de uma hora falaram do tão esperado desafio e quando chega o momento dele fazer a escalada os diretores dão uma corrida e apresentam todo o trajeto que Alex percorreu, que durou mais de três horas, em um apanhado de minutos bastante frustrantes.

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Free Solo desperta inúmeras sensações no público, justamente por trabalhar um tema que por si só já traz um sentimento de perigo e do quão tensa é aquela situação. Tal tensão e ideia de perigo é muito bem trabalhada pela produção que a todo instante lembra o quão dura é aquela tarefa e que qualquer erro o alpinista pode morrer. A subida final, sem cordas, apenas com as mãos é de um desespero tamanho que é difícil não sentir os efeitos da vertigem. Os ângulos escolhidos pelos diretores para colocar as câmeras ajuda em levar essa sensibilidade ao público de que a qualquer momento Alex pode cair da rocha.

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O ser humano por si só já tem o sentimento quase inato do quão arriscado pode ser o desafio de Alex, que está tentando superar não apenas os limites da força, mas também a própria morte. Tal impressão é algo belamente espelhado no público, ao mostrarem no documentário diversas mortes de praticantes de Free Solo. Os diretores Jimmy Chin, Elizabeth Chai Vasarhelyi trabalham de forma muito inteligente a questão do medo e do pavor em que algo possa acontecer com Alex. Tal sentimento também foi muito bem desenvolvido no documentário O Equilibrista, em que Philippe Petit se equilibra entra as Torres Gêmeas do World Trade Center, nos EUA. Não a toa, tanto O Equilibrista quanto Free Solo receberam o Oscar na categoria de melhor documentário. 

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Free Solo é um bom documentário sobre os limites humanos e como com foco, dedicação e muita coragem é possível chegar ao tão almejado objetivo que é chegar ao fim da rocha. O feito de Alex Honnold pode ser equiparado ao do Homem-Aranha das histórias em quadrinhos da Marvel, tamanha foi a dificuldade de seu ato realizado e pela facilidade que aparentemente subiu o gigantesco lugar. Documentário da National Geographic é uma boa pedida para quem curte assistir produções do tipo e para quem, assim como Alex Honnold, tenham a necessidade de desafiar os limites.

Free Solo (idem, EUA – 2018)

Direção: Jimmy Chin, Elizabeth Chai Vasarhelyi
Elenco: Alex Honnold, Tommy Caldwell, Jimmy Chin, Cheyne Lempe, Mikey Schaefer, Sanni McCandless
Gênero: Documentário, Esporte
Duração: 100 min

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Tags: #Oscar #Oscar 2019
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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