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Crítica | Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

Finalmente chegava a hora dos games de Harry Potter entrarem em uma nova geração. Com A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta seguindo praticamente os mesmos padrões e atingindo resultados similares em termos de jogabilidade e gráficos, a EA Games daria um passo enorme na adaptação de O Prisioneiro de Azkaban, que seria lançado na época para Playstation 2, Nintendo GameCube, PC, Xbox e Game Boy Advance. Pela primeira vez, teríamos o castelo de Hogwarts como um playground quase que 100% interativo, com missões paralelas, quests e diferentes caminhos para chegar a um mesmo local.

Assim como os anteriores, o game adapta a trama do filme homônimo enquanto acrescenta outras informações do livro e toma liberdade criativas para tornar a experiência mais “gâmeficada” ao criar tarefas e desafios diversos. Por exemplo, iniciamos o jogo no melhor estilo dos saudosos anteriores ao procurarmos “Livros de Feitiço” que liberam novas habilidades e encantamentos para o jogador, algo que faremos durante praticamente todo o curso da narrativa – e é importante atestar que apenas alguns personagens acabam com determinados feitiços, o que já demonstra uma dependência fundamental no conceito do co-op. Podemos jogar com Harry, Rony e Hermione e trocar de personagem livremente ao longo da jogatina, algo que é útil para a resolução de puzzles e passagens de níveis; apenas Rony é capaz de destravar paredes, por exemplo.

A liberdade pelos corredores e terrenos de Hogwarts é o grande destaque, porém. Lembro-me bem de jogar pela primeira vez com apenas 10 anos de idade, e o senso de imersão e atmosfera proposto pelo game era a melhor coisa do mundo. Hoje, claramente o resultado empalidece diante de jogos da geração atual, mas ainda é um feito admirável e que merece aplausos para algo lançado na época, especialmente pela atenção aos detalhes dos programadores de design 3D e os diferentes espaços do castelo. O melhor fator dessas possibilidades, porém, é o fato de podermos voar livremente com o hipogrifo Bicuço, que fica no quintal de Hagrid quase que em tempo integral – apenas quando chegamos no ponto da trama onde sua vida fica em perigo, o animal fantástico desaparece. A dinâmica e jogabilidade desse voo garante alguns dos melhores momentos da jogatina, principalmente pela liberdade e a beleza do terreno externo do castelo e pela facilidade em deslocar-se para diferentes pontos.

No quesito de personagens, é claramente um avanço monumental da geração antiga para o novo game, mas confesso que a mecânica não evoluiu bem. Não só Harry, Rony e Hermione não se assemelham em nada com o físico do elenco da série cinematográfica, como são muito inexpressivos e fadados às mesmas expressões e tiques faciais para representar diferentes mudanças de humor. O trabalho de voz, por sua vez, é mais inspirado do que a animação 3D – pense em como Mark Hamill era absolutamente fantástico, enquanto a animação de A Piada Mortal não fazia jus à sua performance vocal inspirada. As criaturas também surgem muito bem trabalhadas, com atenção especial para os arrepiantes dementadores, que conseguem ser tão sinistros e perturbadores quanto no filme; digamos apenas que, em qualquer missão envolvendo as criaturas, o jogador estará no limite – cenas em que precisamos arrastar algum personagem enquanto fugimos das criaturas sugadoras de almas são verdadeiramente tensos.

Infelizmente a experiência pode vir a tornar-se um pouco repetitiva, ainda mais na dinâmica de encontrar livros de feitiços, batalhar criaturas da mesma forma e coletar feijões de todos os sabores. Isso só muda quando temos eventos marcantes da história, especialmente no final que envolve uma empolgante travessia por dentro da Casa dos Gritos (apropriadamente ampliada para garantir mais ação) e o clímax onde devemos enfrentar dezenas de dementadores ao controlar o próprio Patrono em forma de cervo.

A adaptação de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é importante pelo avanço tecnológico notável da geração anterior para aquela que iniciava-se em 2004, garantindo boa diversão e uma exploração magistral do castelo de Hogwarts. Peca pela estrutura repetitiva e o caráter artificial de seus personagens, mas definitivamente é um dos melhores jogos da marca Harry Potter.

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Publicado por Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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