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Crítica | Invocação do Mal

Um marco do cinema de terror moderno.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
15 de maio de 2017 · 4 min de leitura
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Antes de entrar na sala para a sessão de Invocação do Mal, o bilheteiro do cinema olhou para o título do filme presente nos ingressos e soltou um apavorado “boa sorte” a mim e minha amiga. Primeira vez que encaro uma situação divertida como essa e, ao fim da projeção do longa, ressalto – ainda suando devido à tensão provocada por estes 110 minutos – que o funcionário não exagerara. Temos aqui um dos melhores filmes de terror dos últimos anos.

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Na trama, uma família acaba de se mudar para uma casa enorme e misteriosa, mas não demora para que seja sentida a presença de entidades paranormais dentro do local (como sempre). O que faz a diferença é a presença do casal de demonólogos/investigadores/caça-fantasmas Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga, ambos excelentes) que é contratado para analisar e tentar por um à sinistra situação. Tudo isso baseado em fatos reais – mas, claro, pode apostar que há muita ficção e liberdades artísticas aqui.

Quando o gênero demanda fenômenos sobrenaturais, não tem como alterar muito a fórmula. O roteiro assinado por Chad e Carey Hayes mantém-se à tradicional premissa da “casa mal assombrada”, mas acerta ao trazer, de forma controlada e coesa, praticamente TODOS os elementos populares nas mais diferentes variações do gênero: espíritos, demônios, exorcismos, brinquedos sinistros (a boneca Annabelle entra para a História), fotos borradas, câmeras dentro da história… Daria pra passar a madrugada inteira enumerando-os. Isso sem falar que a dupla acertadamente brinca com diversos “medos clássicos”, como a suspeita de aparições embaixo da cama ou no interior de armários – todos esses escapam do velho clichê do susto rápido, graças à competência de seu diretor.

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Aliás, que revelação é James Wan. Saído de projetos medianos dentro do gênero (seu longa mais famoso é o primeiro Jogos Mortais, além de ter sido contratado para comandar o sétimo Velozes e Furiosos), Wan demonstra um talento invejável para causar medo – e não apenas sustos – no espectador. Optando por longos planos que exploram cada cômodo da residência em um cruel exercício de provocação, o diretor é hábil ao criar movimentos de câmera inteligentes e que contribuem na revelação de suas perturbadoras ameaças (e quando as vemos, o efeito é multiplicado). Além de comandar uma das mais poderosas (e até, veja só, emocionantes) cenas de exorcismo que já vi na vida, Wan mostra sua admiração pela escola Alfred Hitchcock de suspense ao trazer um súbito ataque de pássaros que atravessa janelas e uma lâmpada pendurada que alcança o efeito de iluminação em uma das cenas-chave de Psicose. Olha só…

Mas um dos pontos centrais para o sucesso deste filme reside em seus personagens. Contando um núcleo familiar extenso, todas as cenas com a família Perron são extremamente eficientes e comoventes, agradando pela naturalidade com que trata temas clichês, mas que também nos faz torcer e ficar ao lado daqueles personagens – que definitivamente ignoram a burrice das figuras que geralmente povoam o gênero. O amor da mãe vivida por Lili Taylor é genuíno a cada cena, e o fantástico trabalho da atriz é um dos pontos altos de toda a produção, seja em suas cenas mais amorosas, ou naquelas em que é literalmente tomada pelo demônio. E já falei brevemente sobre os dois ali em cima, mas Patrick Wilson e Vera Farmiga são simplesmente impecáveis como o casal Warren, deixando explícito o profissionalismo do casal para lidar com eventos sobrenaturais, assim como a forte paixão que os mantém unidos. Se eu visse algo estranho na vizinhança, eu definitivamente chamaria Farmiga e Wilson.

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Contando também com um trabalho de som espetacular, Invocação do Mal é uma grande surpresa. O terror não anda lá grande coisa nas terras ianques, mas é sempre bom encontrar uma obra decente em um gênero cada vez mais esgotado. Que James Wan siga comandando a arte de nos meter medo por muito tempo.

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Obs: Uma curiosidade divertida: em determinado momento do filme, a personagem de Vera Farmiga menciona “um caso em Long Island”. Trata-se de uma referência ao famoso massacre de Amityville, episódio investigado pelo casal na vida real.

Invocação do Mal (The Conjuring, EUA – 2013)

Direção: James Wan
Roteiro: Chad e Carey Hanes
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor, Ron Livingston, Joey King, Mackenzie Foy, Shanley Caswell, Joseph Bishara
Gênero: Terror
Duração: 112 min

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Tags: #Invocação do Mal #James Wan #Joey King #Joseph Bishara #Lili Taylor #Mackenzie Foy #Patrick Wilson #Ron Livingston #Vera Farmiga
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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