Crítica | Isso Ainda Está de Pé? é comédia dramática abaixo de outros filmes de Bradley Cooper
Isso Ainda Está de Pé? não é um mau filme: há talento e expertise suficientes na equipe para que o projeto “fique de pé”.

Paralelamente a uma carreira extremamente bem-sucedida como ator, Bradley Cooper resolveu se arriscar a dirigir a partir do drama musical Nasce uma Estrela, a refilmagem sensível e vivaz de 2018. Depois de seu primeiro sucesso, Cooper fez uma aposta muito alta com a cinebiografia de Leonard Bernstein em Maestro – provavelmente o filme mais subestimado de 2023, com sete indicações e nenhum Oscar conquistado. Ambos eram excelentes filmes de um diretor com uma visão bastante própria (especialmente no segundo) e que de alguma forma contrastam com sua terceira experiência, que chega agora em 2026 aos cinemas brasileiros: Isso Ainda Está de Pé?, uma comédia dramática onde a despretensão eventualmente confunde-se com desinteresse.
O roteiro de Isso Ainda Está de Pé? tem origem na experiência real do comediante John Bishop, que teria relatado seu início na comédia stand up motivado pelo fim do casamento ao ator Will Arnett. Interessado na história, ele se juntaria a Cooper e ao roteirista Mark Chapell para elaborar o enredo que dá origem à produção. E como geralmente acontece em cinema, roteiro é destino – e aqui não poderia ser muito diferente.
Na trama, Alex Novak (Arnett) é um homem casado com dois filhos que decide separar-se em comum acordo de Tess Novak (Laura Dern). Eles têm dois filhos e uma vida aparentemente bem estruturada, o que significa que, a partir de agora, terão de lidar com os desafios de uma nova vida à distância (considerando os dois filhos cuja guarda é compartilhada). Mas para Novak, a separação é mais traumática do que parece, e quase por acaso ele começa a fazer apresentações amadoras num bar de comediantes de Nova York. O que parece um acidente vira uma segunda profissão para ele, que usa a informalidade do palco para compartilhar seu drama pessoal e compreender melhor os próprios sentimentos.
Embora a premissa seja curiosa, o que decorre a partir dela não é interessante o suficiente em nenhum momento para justificar plenamente o roteiro de um longa-metragem. O casal não é exatamente carismático, o drama familiar parece banal, o círculo de novos amigos que se forma a partir do clube de comédia permanece o tempo todo num plano secundário e distante. Tampouco os amigos antigos (entre eles, o próprio Bradley Cooper como um ator fracassado e amalucado) são capazes de despertar maior interesse dentro da trama. Tudo é morno, superficial e alongado demais (este é mais um típico filme que seria mais bem resolvido se tivesse 20 minutos a menos, mas isso não é novidade).
A impressão que o filme passa é que Cooper como diretor queria uma aterrissagem mais segura após o ambicioso Maestro, e um drama coloquial, de produção descomplicada e onde ele mesmo atuasse num pequeno papel, deve ter parecido uma escolha adequada. O erro talvez esteja em não aprofundar sua opção. A câmera que se comporta a maior parte do tempo em angustiantes closes no rosto dos protagonistas, por exemplo, e que remete a um estilo quase documental, não investe em textura, assim como a cinematografia de Matthew Libatique parece pouco interessada em explorar a atmosfera “subterrânea” e esfumaçada dos clubes onde Novak se apresenta. Essa “frouxidão” formal converte a despretensão do projeto em lassidão na tela, e o interesse vai se esvaindo.
Will Arnett parece um duplo do próprio Cooper (que certamente poderia ter interpretado o papel de Novak) e Laura Dern faz o que pode (como grande atriz que é) com o pouco espaço que o texto lhe confere para brilhar. Ela não se destaca, conforme o restante do elenco. As piadas ocasionam risadas tímidas e os momentos de “emoção” apresentam-se na mesma (falta de) intensidade. Isso Ainda Está de Pé? não é um mau filme: há talento e expertise suficientes na equipe para que o projeto “fique de pé”. Mas talvez um pouco entediado além da conta.