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Crítica | Máquinas Mortais – Universo fantástico prejudicado por falta de visão criativa

A falta que um bom diretor faz.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
9 de janeiro de 2019 · 5 min de leitura
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Quando se tornou um dos nomes mais respeitados em Hollywood com a bem-sucedida trilogia O Senhor dos Anéis, o diretor neozelandês Peter Jackson tornou-se associado com grandes efeitos visuais; ainda mais em seu trabalho na fundação da empresa Weta. Os três filmes adaptados da obra de J.R. Tolkien ajudaram a revolucionar o uso de computação gráfica nos cinemas, algo também explorado em seu remake de King Kong, o criticado Um Olhar do Paraíso e a mediana trilogia de O Hobbit.

Para o último ano, Jackson usou sua magia com imagens para algo muito mais interessante, e não estou me referindo a este Máquinas Mortais, do qual o cineasta participa como produtor e co-roteirista, mas sim o documentário They Shall Not Grow Old, onde coloriu, dublou e remasterizou gravações reais da Primeira Guerra Mundial. Ocupado com o trabalho mais minucioso, Jackson teve que deixar o vasto e promissor mundo de Máquinas Mortais nas mãos do estreante Christian Rivers, que infelizmente não explora seu potencial.

Adaptada do livro cyberpunk de Philip Reeve, a trama começa em um futuro distópico, após a humanidade ter sido praticamente dizimada após uma guerra com armas quânticas. Vivendo em desertos e regiões inóspitas, a humanidade usa gigantescas cidades móveis e outros veículos de guerra em uma sociedade reorganizada. Nesse cenário, a solitária Hester Shaw (Hera Hilmar) busca vingança pela morte de sua mãe, perseguindo Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), líder militar da cidade móvel de Londres. Em seu caminho, ela se cruza com o jovem Tom (Robert Sheehan), que busca uma chance de reinvenção após ter seu mundo abalado.

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Um belo mundo desperdiçado

Escrito por Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, Máquinas Mortais é o clássico primeiro filme de franquia. Misturando Mad Max com elementos de Harry Potter, o texto traz todos os elementos necessários para uma introdução de construção de mundo, mas da forma mais desajeitada possível. No primeiro ato, nenhum dos personagens é capaz de conversar como seres humanos, falando apenas através de explicações, regras e exposição, além das frases mais clichês do nível de “você é teimoso e não tem família”, ou “sabe, quando eu confiei em você, alguém de fora e sem antecedentes militares”, contando também com frases de efeito hilárias; como aquela envolvendo dinossauros e um meteoro.

Isso sem falar na estrutura igualmente problemática do filme. Diversas vezes a narrativa é interrompida para que Hester possa revelar ainda mais flashbacks sobre seu passado e as circunstâncias convenientes que a conectam com os principais antagonistas do longa – até mesmo o personagem designado para ser o “capanga” ganha uma ligação pessoal com a heroína. São tantas coincidências que o texto deveria ter abraçado de uma vez o clichê de “personagem escolhido”, visto que seria um pouco mais elegante do que as soluções forçadas – algo que se aplica também ao vilão, mais um antagonista que se resume a uma sede de poder injustificável.

Temos robôs zumbis!

Mas o maior problema está mesmo na direção. Antigo supervisor de efeitos visuais de Jackson, Christian Rivers carece de uma visão empolgante como a de seu mentor, sendo incapaz de construir tensão ou ao menos aproveitar a escala gigantesca que tem a seu dispor; o próprio tamanho das colossais cidades nunca chega a impressionar, dada a perspectiva pouco inspirada. Isso se repete muito nas cenas que envolvem elementos inteiramente live action, que ainda são prejudicados por uma montagem apressada e que não deixa seus planos “respirarem” o bastante, mesmo com um design de produção belíssimo que merecia mais atenção da câmera.

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Isso também acontece na maioria das cenas de ação: ambos os confrontos com o androide zumbi Shrike (isso mesmo, um androide zumbi, vivido por Stephen Lang) desperdiçam o bom visual do vilão em uma mise en scene repetida que só baseia-se em planos médios sem muita inspiração ou criatividade. Rivers só é capaz de mostrar algum primor durante as cenas inteiramente digitais, que envolvem batalhas de veículos gigantescos e até grandes aeronaves de guerra. Mas nada realmente revolucionário ou de encher os olhos, longe de algo que James Wan fez recentemente em Aquaman, por exemplo.

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Carência de um diretor de verdade

Máquinas Mortais é uma oportunidade desperdiçada. Traz um universo fascinante e conceitos visuais interessantes, mas carece de um diretor criativo e com visão mais forte, além do roteiro fazer um trabalho medíocre demais em um tipo de história que, à essa altura, já não tem mais desculpas para sair errado. Quem sabe se Peter Jackson tivesse dirigido…

Máquinas Mortais (Mortal Engines, EUA/Nova Zelândia – 2018)

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Direção: Christian Rivers
Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, baseado na obra de Philip Reeve
Elenco: Hera Hilmar, Robert Sheehan, Hugo Weaving, Stephen Lang, Jihae, Colin Salmon, Ronan Raftery, Leifur Sigurdarson
Gênero: Aventura
Duração: 128 min

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Tags: #Christian Rivers #Fran Walsh #Hera Hilmar #Hugo Weaving #Peter Jackson #Philippa Boyens #Robert Sheehan #Stephen Lang
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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